Economy and Society II de José Porfiro – Specific

19 de abril de 2007

A CONSTRUÇÃO DO TEXTO PELO PARÁGRAFO – Lima & Silva

Filed under: Sem categoria — Porfiro @ 3:29 PM
http://www.filologia.org.br/ixcnlf/10/03.htm 

Bruno Cavalcanti Lima (UFRJ)
Hayla Thami da Silva (UFRJ)

Bibliografia

FIGUEIREDO. Luiz Carlos. A Redação pelo Parágrafo. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1999.

LIMA, Bruno Cavalcanti & FERREIRA, Michelli. Redação I. Faculdade de Letras/UFRJ, 2004. (Material didático utilizado no Curso de Redação I).

GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em prosa moderna. 3ª. ed., Rio de Janeiro: FGV, 1975.

THEREZO, Graciema Pires. Como Corrigir Redação? São Paulo: Alínea, 2002.

ZYNGIER, Sonia. PROJETO CLAC: Reflexão, Prática e Construção do Saber. Comunicação apresentada no Congresso de Extensão de João Pessoa: Paraíba, 2003.

 

 

O PARÁGRAFO


INTRODUÇÃO

   Numa exposição clara, porém sintetizada, este trabalho visa dar noções gerais sobre a composição, importância e desenvolvimento do parágrafo. No detalhamento do assunto proposto, apresentaremos o parágrafo como unidade de composição, o desenvolvimento do parágrafo, definição e dicotomia entre parágrafo descritivo e parágrafo narrativo e finalmente as qualidades do parágrafo e da frase em geral, salientando os aspectos de coesão, coerência e argumentação.

I – O PARÁGRAFO COMO UNIDADE DE COMPOSIÇÃO

1.0 – O Parágrafo

   "O parágrafo é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve determinada idéia central ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela."

   Assim Othon Garcia define o parágrafo, e por assim dizer, exerce o parágrafo a coordenação das partes de uma composição. Esta para comunicar-se plenamente, depende da eficácia daquele, o que se nota quando há ordenação do raciocínio. Tal ordenação independe da rigidez na aplicação do conceito estabelecido, visto poder ser o parágrafo estruturado de maneiras diversas, dependentes de variáveis quanto ao assunto, composição, propósito, autor e até mesmo do leitor a que se destina. Contudo, o chamado parágrafo-padrão, é modelo consagrado de eficácia para todo escritor.

   O parágrafo é identificado no texto pelo seu início afastado da margem do papel, o que facilita, tanto ao escritor como ao leitor, percebê-lo de forma isolada para que de modo analítico, capte as idéias principais do texto e posteriormente, sintetizá-las compreendendo então o texto num todo. Assim, é o parágrafo de essencial importância na composição.

   Tal como a sua estrutura, a extensão de um parágrafo também diversificada, e dependente das mesmas variáveis que a estrutura, contanto que pela sua pequenez ou grandeza de extensão, não deixe de transmitir integralmente a mensagem, nem torne confuso ou até mesmo impossível a compreensão desta.

1.1 – Tópico Frasal

   Constituído habitualmente por um ou dois períodos curtos iniciais, o tópico frasal, que é a introdução da unidade de composição, nos fornece o tema a ser desenvolvido. Tal consideração é também feita de forma generalizada, pois o tópico frasal pode não ser inicial, mas sem dúvida, este é o tipo mais usado por consagrados escritores e recomendado para os principiantes.

   Considerando a recomendação de iniciar o parágrafo com o tópico frasal, este pode assumir aspectos diferenciados, a saber: declaração inicial - quando primariamente se afirma ou nega algo, para na seqüência justificar a sentença, desta forma o primeiro período poderia servir de título para o parágrafo; definição - neste aspecto o tópico frasal assume um conceito do objeto, material ou imaterial, em questão; divisão – Buscando objetividade e clareza, apresenta-se o tópico frasal sob a forma de divisão do objeto em foco. O tópico frasal pode estar inserido em outra parte do texto, ou pode também estar diluído neste e até mesmo implícito, o que requer muita perspicácia do escritor e é claro para o leitor.

1.2 – Iniciando o parágrafo

   Vimos o conceito e algumas características do tópico frasal. Este é utilizado pela maioria dos escritores para iniciar o parágrafo, porém, outros modos podem ser utilizados como: alusão histórica – introdução com dados históricos que chamem a atenção do leitor; omissão de identificadores - omitir a identificação de personagens, ativando a curiosidade do leitor; interrogação – fazendo uma pergunta, que logicamente exigirá do leitor maior atenção.

II – DESENVOLVENDO O PARÁGRAFO

   Desenvolver o parágrafo é expor de forma pormenorizada a idéia principal deste. Tal desenvolvimento pode se dar por diversas maneiras.

1.0 -Enumerando ou descrevendo detalhes

   Desta forma o autor enumera e detalha a idéia apresentada; é muito usada e, preferencialmente nos parágrafos iniciados pelo tópico frasal.

1.1 – Confrontando, fazendo analogia ou comparando

   No confronto, o autor utiliza o artifício de contrapor idéias, seres, coisas, fatos ou fenômenos. Tal confronto tanto pode ser de contrastes como de semelhanças. Analogia e comparação, são também espécies de confronto: a primeira trata de semelhança primária sugerindo uma afinidade completa entre os dados; a segunda mostra semelhanças reais e visíveis, valendo-se para isto do uso de conectivos de comparação.

1.2 – Definindo, dividindo e citando exemplos

   Ao definir, o autor, de forma clara e concisa, conceitua o objeto, ser, fato ou fenômeno apresentado, esta, pode envolver ou não a divisão e citação de exemplos, estas por sua vez, podem acompanhar uma definição ou serem usadas isoladamente desta e uma da outra.

Quando divide, o autor explora as idéias em cadeia, ou seja, após apresentar a temática no tópico frasal, divide-a e explana-a em períodos seguintes, sempre de forma a manter a cadeia de desenvolvimento.

   Ao exemplificar, o autor tanto pode estar esclarecendo o assunto proposto quanto comprovando-o.

1.3 – Mostrando causa, motivo ou razão; conseqüência ou efeito

   Desenvolve-se assim o parágrafo, esclarecendo a causa, motivo ou razão, bem como a conseqüência ou efeito do acontecimento ou fato apresentado como idéia principal. Quando se trata de fenômenos físicos, empregamos os termos causa e efeito; se humanos usamos os termos motivo, razão e conseqüência.

III – PARÁGRAFO DESCRITIVO E PARÁGRAFO NARRATIVO

1.0 – Parágrafo descritivo

   É aquele que descreve o objeto, ser, coisa, paisagem ou até mesmo um sentimento. Tal descrição se dá pela apresentação das características predominantes e pelo detalhamento destas. É portanto o objeto matéria da descrição.

   Uma descrição perfeitamente realizada, não se mostra pelas minúcias descritivas do objeto e sim pela compreensão deste através da imagem reproduzida pela rica imaginação e pela utilização correta dos recursos de expressão, apresentando traços específicos do objeto da descrição, sem se preocupar com os supérfluos.

   A descrição deve apresentar o ponto de vista do observador, ou seja, o ângulo do qual será feita a descrição, não só o físico, mas também a atitude da observação.

   Quanto ao objeto a ser descrito, deve o autor, apresentar o posicionamento físico deste, de forma a permitir ao leitor a firme criação do cenário em sua mente. Esta apresentação se da pela disposição ordenada dos detalhes, o que cria uma cadeia de idéias que será absorvida pelo leitor.

   O posicionamento psicológico é outro ponto a ser apresentado. Este direciona a descrição para caminhos diversos: o do subjetivismo, quando o autor deixa transparecer o seu estado de espírito, suas preferências e opiniões, assim descrevendo não apenas o que vê, mas o que pensa ver, usando para tal, expressões carregadas de conotação; a descrição pode ser também direcionada para o objetivismo, que é a pura descrição, fidelíssima ao que se vê, retratando exatamente o quadro contemplado, e desta forma, com a pura utilização da linguagem denotativa.

   Os personagens devem também ser descritos, e esta, reveste-se de maior complexidade pois, a simples enumeração de características tornaria o personagem desinteressante. Deve então o autor, valendo-se dos recursos de linguagem, formar uma representação viva do objeto descrito, transmitindo além das características físicas, o retrato psicológico do personagem.

   A descrição deve abranger também a paisagem ou ambiente, e não como resultado de mera observação, mas como de um contágio efetivo da natureza ou ambiente sobre o autor, o que o integra ao quadro e permite maior dinâmica a descrição. Ao descrever paisagem ou ambiente, cuidados especiais devem ser tomados para que não se valorize em demasia aspectos secundários, deixando à parte os principais.

1.1 – O parágrafo narrativo

   O parágrafo narrativo deve transmitir fielmente a intenção da narração. Esta tem como matéria o fato, ou seja, qualquer acontecimento de que o homem participe direta ou indiretamente.

   O relato de um episódio é composto por elementos definidos, a saber: o enredo, os personagens, a ação, o tempo, o espaço, a causa, a conseqüência, o foco narrativo, o clímax e o desfecho. Estes podem aparecer em sua totalidade ou parcialmente dentro de um parágrafo narrativo.

   O enredo é o entrelaçamento dos fatos de uma narração. Os personagens são: o protagonista, aquele que pratica a ação, normalmente o "mocinho" e personagem principal da história; e o antagonista, aquele que sofre a ação, o opositor do personagem principal. Tem-se ainda personagens secundários que são os figurantes da narração. O tempo, pode ser o cronológico, tempo mensurável do acontecimento ou o psicológico ,imensurável e só conhecido pelo personagem. O espaço é o local dos acontecimentos. Causa e conseqüência são respectivamente, o motivo e o resultado da ação narrada. O foco narrativo é o angulo de vista do narrador, que pode ser de mero observador, narrando os fatos na terceira pessoa ou, de personagem, quando usará então a primeira pessoa. O clímax e o desfecho são respectivamente, o momento de expectativa, de tensão e o fechamento da narração.

   É certo que todos os elementos nem sempre estarão contidos em um só parágrafo, sendo assim presentes em outras unidades da narração, contudo, há a possibilidade destes serem observados num mesmo parágrafo, devido a capacidade do autor e sua perícia na utilização dos recursos de linguagem a ele disponibilizados. O fato narrado pode ser real, como a história da humanidade, a biografia de alguém, a autobiografia, uma reportagem, ou pode ser também fictício, como novelas, romances, contos e anedotas.

   O parágrafo narrativo tem como núcleo o incidente, o fato ocorrido, nele também, geralmente, não se tem o tópico frasal explícito, pois este, esta diluído implicitamente no ordenamento da narração.

   A dicotomia primária, apresentada entre os parágrafos narrativo e descritivo é a dinâmica dos personagens existente no primeiro e a ausência da mesma no segundo.

IV – QUALIDADES DO PARÁGRAFO E DA FRASE EM GERAL

  O parágrafo e a frase, possuem qualidades em comum, as quais podemos definir de maneira superficial da seguinte forma: correção – o respeito as normas e princípios do idioma; clareza - a expressão clara e objetiva da idéia; concisão – a apresentação da idéia usando o menor número possível de palavras; coesão – expor de forma ordenada as idéias, uma de cada vez; coerência – a ligação perfeitamente inteligível das partes de um texto com o seu todo; ênfase – realçar através de mecanismos próprios a idéia apresentada, e finalmente, argumentação – a exposição dos fundamentos da idéia, de forma a torná-la suscetível de aceitação.

   Devido a intenção deste trabalho, nos deteremos em três destas qualidades, a saber: coesão, coerência e argumentação.

   Das qualidades do parágrafo e da frase, coesão e coerência, dificultam as suas definições pois muito se confundem quando da ausência, pois, a falta de uma, redunda na impossibilidade de existência da outra, isto de forma generalizada. São portanto responsáveis por garantir ao texto uma unidade de significados encadeados.

1.0 – Coesão

   Coesão ou unidade, consiste no resultado do emprego correto dos termos conectivos da linguagem, o que permite expressar uma coisa de cada vez, omitindo o desnecessário e prendendo-se às relações existentes entre as idéias, principal e secundárias. Tal resultado em muito se deve ao correto emprego do tópico frasal.

   Na língua portuguesa, muitos recursos garantem a coesão, são eles: a referência – o uso dos pronomes, advérbios e artigos; a elipse – a omissão de um termo a fim de evitar sua repetição; o lexical – o uso de sinônimos que evitam a repetição de termos; a substituição – abreviação de sentenças inteiras, substituindo-as por um expressão de significado equivalente; a oposição - emprego de termos com valor de oposição, como: mas, contudo, todavia, porém, entretanto etc.; a concessão – uso de termos como: embora, ainda que, se bem que, apesar de etc.; a causa - utilização de termos que indicam a causa do fato: porque, pois, como, já que, visto que etc.; a condição – a imposição de termos condicionais, tais como: caso, se, a menos que etc.; a finalidade – mostrar o fim do fato através do emprego de termos como: para que, para, a fim de, com o objetivo de etc.;

   Além dos recursos acima citados, que proporcionam coesão, evitando pormenores impertinentes, acumulações e redundâncias, outros recursos redacionais proporcionam coesão ao parágrafo, e podemos citar alguns como: O emprego, sempre que possível do tópico frasal explícito; o desenvolvimento da idéia-núcleo em um mesmo parágrafo, a busca da não utilização de frases entrecortadas.

1.1 – Coerência

   Valendo-nos da definição primariamente apresentada para coerência, ( a ligação perfeitamente inteligível das partes de um texto com o seu todo), podemos auferir, que esta consiste em ordenar e interligar as idéias de maneira clara e lógica e de acordo com um plano definido.

   Para que a coerência seja evidente numa composição, algumas particularidades devem ser observadas:

   A ordem cronológica, espacial e lógica, são algumas destas particularidades. Ordenar cronologicamente os fatos consiste em não inverter o tempo dos acontecimentos. A ordem espacial consiste em descrever sob o ângulo da observação o objeto, ou seja, dos detalhes mais próximos para os mais distantes ou ao inverso. A ordenação lógica nada mais é do que a manutenção da idéia apresentada através do tópico frasal ou implícita no texto, a fundamentação desta idéia no seu desenvolvimento e, finalmente a conclusão da composição.

   A satisfação do aspecto de coerência em uma composição não se deve apenas ao ordenamento da idéia, conseguido através dos recursos acima citados, deve-se também ao emprego correto dos termos que permitam a transição e a conexão entre as idéias. Neste ponto, encontramos a necessidade da correta utilização, conforme as normas gramaticais, das conjunções, preposições, pronomes e até mesmo dos advérbios e locuções adverbiais e ainda, em sentido mais amplo, de orações, períodos e parágrafos que servem de transição ou conexão entre as idéias apresentadas.

   Listamos abaixo, alguns advérbios ou locuções adverbiais que proporcionam a coerência na composição quando da sua utilização.

-                   Prioridade, relevância – em primeiro lugar, antes de mais nada…

- Tempo – então, enfim, logo, imediatamente, não raro…

- Semelhança, comparação – igualmente, de acordo com, segundo…

- Adição – além disso, também, e…

- Dúvida – talvez, provavelmente…

- Certeza – de certo, por certo, certamente…

- Surpresa – inesperadamente, surpreendentemente…

- Ilustração – por exemplo, quer dizer, a saber…

- Propósito – com o fim de, a fim de…

- Lugar, proximidade, distância – perto de, próximo a, além…

- Resumo – em suma, em síntese, enfim, portanto…

- Causa – daí, por conseqüência, por isso, por causa…

- Contraste – pelo contrario, exceto, menos…

- Referência em geral – pronomes demonstrativos: este, aquele, esse; pronomes pessoais; pronomes adjetivos: último, penúltimo; os numerais ordinais: primeiro, segundo….

   Certamente os recursos apresentados nos possibilitarão a busca, e se bem aplicados, o encontro da coerência em nossas composições.

1.2 – Argumentação

   Considerando a argumentação dentro da unidade de composição do texto, podemos afirmar que ela procura formar a opinião do leitor em conformidade com a do autor, em outras palavras, é a busca do convencimento, mediante a apresentação de razões, da coesão e da coerência, de que o raciocínio apresentado é o correto.

A boa argumentação deve revestir-se de caráter construtivo, cooperativo e útil; e fundamentar-se em dois pilares: a consistência do raciocínio e a evidência das provas.

   Ao intentar argumentar, deve o autor se fundamentar nos fatos, nos exemplos, nas ilustrações, em dados estatísticos e em testemunhos, para que após a argumentação sua conclusão seja firme, sedimentada e apresentada com autoridade.

CONCLUSÃO

   Após a pesquisa bibliográfica realizada, inferimos:
- A incontestável importância do parágrafo, mediante a sua utilidade essencial como unidade de composição, permitindo ao autor e ao leitor o entendimento paulatino do sentido do texto, e ao mesmo tempo dando uma visão global deste.
- A necessidade do correto desenvolvimento do parágrafo, valendo-se para tal, de todos os recursos disponíveis.
- O conhecimento e discernimento dos parágrafos descritivo e narrativo, diante de suas constituições, qualidades e propósitos. n A imprescindível necessidade dos aspectos de coesão, coerência e argumentação, para que o objetivo da composição seja alcançado.


BIBLIOGRAFIA:

1. GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em Prosa Moderna : aprender a escrever, aprendendo a pensar. 17. ed. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas,1997.

2. KASPARY, Adalberto José. Redação Oficial: normas e modelos. 14.ed. Porto Alegre. Edita, 1998.

3. SOBRAL, João Jonas Veiga. Redação para Todos: escrevendo com prática. São Paulo, Iglu, 1995.

About these ads

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS para comentários sobre este post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O tema Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: