Economy and Society II de José Porfiro – Specific

13 de março de 2007

DÓLAR

Filed under: Política Econômica — Porfiro @ 8:53 AM
 
série de artigos da DER SPIEGEL, DEZ2007 sobre dólar, arq. no gmail..
 
 
18/04/2007
Dólar desvalorizado leva China a depender menos de exportações aos EUA

Keith Bradsher
Em Guangzhou, China

Em estande após estande na principal feira de negócios da China nesta semana, o refrão dos executivos chineses era o mesmo: "O mercado americano não é tão crucial quanto costumava ser".

Em vez disso, os produtores chineses de tudo, de meias a veículos utilitários esporte, disseram que seus maiores crescimentos atualmente se encontram na Europa, África, Oriente Médio, América do Sul e em outros pontos na Ásia. Em outras palavras, praticamente em qualquer lugar fora os Estados Unidos.

É assim por toda a China. Com amplo apoio do governo em Pequim -incluindo uma enxurrada de missões comerciais para a África e assistência com feiras de negócios na Alemanha, Austrália ou em lugares entre elas- as empresas chinesas deverão expandir para os mercados de muitas das economias que crescem mais rapidamente no mundo. Em alguns casos, elas serão concorrentes diretas das empresas americanas.

Os representantes de negócios chineses naquela que ainda é conhecida como Feira de Cantão, o antigo nome desta cidade, disseram estar desencorajados com o crescimento mais fraco da economia americana, o crescente sentimento protecionista em Washington e a desvalorização do dólar frente a moeda chinesa, que torna mais caro para os americanos comprarem produtos chineses.

Apesar de a União Européia ter restringido certas importações, particularmente calçados, as barreiras comerciais americanas chamam mais atenção. "O governo americano ainda está tentando proteger seus próprios mercados, diferente da Europa, que é bastante livre", argumentou Huang Yasong, gerente de vendas internacionais do Hubao Group, uma fabricante de camisas masculinas que está se expandindo rapidamente no Leste Europeu e no Brasil.

Mesmo assim, as barreiras comerciais limitam um pequeno percentual do comércio. Um motivo mais poderoso é a força da demanda doméstica e as flutuações da moeda.

Da fato a valorização do euro levou as exportações da China para os países da União Européia a ultrapassarem as exportações chinesas para os Estados Unidos pela primeira vez em fevereiro.

A cotação das moedas certamente influenciou as finanças da Hangzhou Jilin Machinery Company, que produz chaves de fenda e outras ferramentas. Suas vendas americanas permanecem praticamente inalteradas, enquanto as vendas para África, Europa, Oriente Médio e especialmente Austrália estão crescendo.

Zhao Wei, o gerente de vendas da empresa, atribui grande parte da culpa à desvalorização do dólar frente ao yuan chinês. Autoridades em Pequim valorizaram a moeda em 2,1% frente ao dólar em julho de 2005 e a deixaram valorizar mais 5% de lá para cá.

"É um grande problema", disse Zhao.

As exportações da China para os Estados Unidos são imensas e estão crescendo, assim como o desequilíbrio comercial, que é significativamente maior do que o déficit da União Européia com a China. Este é o principal motivo para o comércio ser o foco da atenção do Congresso controlado pelos democratas, o que torna provável que os atritos comerciais entre os dois países persistirão e possivelmente se agravarão nos próximos meses.

A China ultrapassou o Canadá nos primeiros dois meses deste ano como maior exportador para os Estados Unidos. Segundo estatísticas divulgadas pela Organização Mundial do Comércio na última quinta-feira, a China também superou os Estados Unidos na segunda metade de 2006 para se tornar a segunda maior exportadora mundial de bens, atrás da Alemanha.

A China ainda é quase 25 vezes mais dependente de exportações para os Estados Unidos – como percentual de sua produção econômica total – do que os Estados Unidos de exportações para a China. Dado que a economia chinesa tem menos de um quarto do tamanho da economia americana, é ainda mais notável que as exportações chinesas para os Estados Unidos tenham um valor seis vezes maior do que as exportações americanas para a China.

As exportações americanas representaram cerca de quatro décimos de 1% da produção econômica nos primeiros dois meses deste ano, enquanto as exportações chinesas para os Estados Unidos foram iguais a quase 10% de toda a produção chinesa.

O governo e as empresas por toda a China estão cada vez mais vendo o risco de se tornarem dependentes demais de um único mercado. Logo, eles estão ampliando seus esforços para vender para outros países, particularmente aqueles fora do mundo industrializado. Por exemplo, a Great Wall Motor Company, uma fabricante de veículos utilitários esporte e sedãs, mais que quintuplicou suas exportações em dois anos, para 27.505 veículos no ano passado. Virtualmente todo o aumento veio de mercados ricos em petróleo, que estão crescendo rapidamente, como a Rússia e o Oriente Médio. "A Europa e a América do Norte não são nossos mercados principais", disse o presidente da empresa, Wei Jianjun.

E Franklin L. Lavin, o subsecretário de comércio exterior dos Estados Unidos, disse: "A China tem feito um esforço nos últimos anos para diversificar seus mercados de exportação". Ele notou que a participação chinesa nas importações americanas ainda está crescendo, mas em um ritmo mais lento.

A China também buscou ir além de produzir números imensos de camisetas e brinquedos para consumidores ocidentais prósperos. Ela agora produz uma grande variedade de bens industriais e equipamentos de transporte, como máquinas têxteis e caminhões pesados. Ela os exporta em quantidades cada vez maiores para os países em desenvolvimento, muitos dos quais estão lucrando com a alta dos preços das commodities e precisam da durabilidade rude, mas eficaz dos produtos chineses.

Uma crescente parcela dos bens chineses é enviada para o sul da Europa, com vendas particularmente fortes na Espanha e Itália, onde os compradores freqüentemente são menos ricos no que no norte da Europa – apesar de haver sinais de uma reação de trabalhadores e seus sindicatos.

Tradução: George El Khouri Andolfato

 
http://www.diplo.com.br
Le Monde Diplomatique, Edição brasileira ano 6 número 62, março de 2005
ECONOMIA
A sorte do dólar se decide em Pequim
A cotação do dólar e a gravidade do déficit comercial dos Estados Unidos, país que compra 50% a mais do que vende para o exterior e mantém inabalável seus vultuosos gastos militares, dependem em grande parte das orientações dos dirigentes chineses
Ibrahim Warde*

“A moeda é nossa, mas o problema é de vocês” 1. A célebre fórmula de John Connally, ex-secretário do Tesouro do presidente Richard Nixon, data de 1971. Poderia ser aplicada à política do dólar do primeiro mandato de George W. Bush. Preocupados prioritariamente com a “luta contra o terrorismo” e a guerra do Iraque, os dirigentes norte-americanos pouco se interessaram pelas grandes questões econômicas internacionais. Evidentemente, declararam sua adesão a uma moeda forte, para não incitar os especuladores a maltratarem demais a “verdinha”, mas voltaram-se para o “mercado”, a fim de melhor ocultar a questão desses “déficits gêmeos” (orçamentário e da balança comercial), que aumentaram maciçamente.
Em matéria orçamentária, o governo Bush herdou excedentes próximos a 240 bilhões de dólares em 2000. A recessão de 2001 (que provocou menor arrecadação fiscal), mas também as baixas maciças de impostos, votadas por um Congresso republicano (acreditando que os excedentes se tivessem tornado estruturais) e o novo aumento do orçamento da defesa e da segurança interna, consecutivo aos ataques de 11 de setembro, transformaram esse acréscimo apreciável em déficit considerável, sobretudo num período de retomada do crescimento – atingiu 412 bilhões de dólares em 2004, ou seja 3,6% do PNB (Produto Interno Bruto). Paralelamente, o déficit comercial, que não parou de se aprofundar durante três anos consecutivos, atingiu um recorde histórico de 619 bilhões de dólares (5,3% do PNB), numa progressão de 24,4% em relação ao ano anterior.
Todas as reuniões do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Inglaterra, Canadá, Itália) e outras grandes conferências internacionais mencionam a questão dos “déficits gêmeos”. Mas as soluções habitualmente preconizadas para reequilibrar as contas dos Estados Unidos implicam opções dolorosas (aumento de impostos, diminuição das despesas militares, incentivo à poupança) que esbarram nas grandes orientações políticas do governo Bush.

Vantagens do dólar anêmico
Os Estados Unidos compram 50% a mais do que vendem para o exterior. E são os investidores internacionais que, com suas aquisições de bônus do Tesouro norte-americano, financiam o padrão de vida da principal potência econômica mundial. Esse ajuste pelo dólar tem a vantagem de remeter os custos para o resto do mundo, pois significa retomar o crescimento, gerar empregos e poupança nos outros países. Um dólar anêmico favorece a competitividade dos produtos fabricados nos Estados Unidos; torna as compras dos ativos norte-americanos mais atraentes para os investidores estrangeiros (na medida em que são mais baratos) e desvaloriza uma dívida externa estimada em 3 trilhões de dólares.
Não é freqüente, na história, que o guardião da moeda de reserva seja também o país mais endividado. Em 1913, o Reino Unido, no auge de seu prestígio imperial, era simultaneamente o principal credor do planeta. Exauriu-se, em seguida, durante meio século para defender – com pura perda, mas às custas de um enfraquecimento de seu poderio industrial – o valor da libra esterlina. A arma da baixa do dólar, nova versão do que o general de Gaulle qualificava outrora de “privilégio exorbitante” dos Estados Unidos – o de imprimir uma moeda da qual os países estrangeiros não pedem a contrapartida desde que seus bancos centrais a estoquem –, permitiria, em teoria, ver os dois déficits norte-americanos, orçamentário e comercial, serem absorvidos sem dificuldade.
Considerações políticas vieram acrescentar-se a esta análise. Perto das eleições de novembro de 2004, as pesquisas indicavam que uma maioria de eleitores considerava o senador democrata John Kerry como o mais apto para dirigir o restabelecimento econômico do país. Já que a votação se anunciava apertada, o presidente Bush tinha uma necessidade imperiosa de boas taxas de crescimento e de emprego. Só um dólar subvalorizado lhe permitiria conseguir esse resultado2.

Aceleração da desvaloriação
No entanto, nas semanas que se seguiram à reeleição do presidente é que a queda do dólar, já iniciada, teve sua mais alta aceleração. Durante o mês de dezembro de 2004, o dólar batia todos os dias, ou quase, novos recordes de baixa, atingindo, na véspera do Natal, o piso histórico de 1,35 dólar para um euro. No total, entre 2002 e 2004, a “verdinha” perdeu 20% de seu valor diante do euro. As previsões do final do ano, rituais e nem sempre confiáveis, revelavam o consenso dos banqueiros e dos economistas: o ano 2005 marcaria uma derrocada da moeda norte-americana mais espetacular ainda.
Vários fatores permitem compreender esse prognóstico. A reeleição de George W. Bush deixa pressagiar que tanto o aventureirismo em política externa, quanto a tolerância orçamentária prosseguirão. Ainda mais porque o presidente, apesar de obter, na reeleição, uma margem de votos pouco expressiva (três pontos a mais do que seu rival), declarou-se munido de um “mandato” para empreender reformas tanto audaciosas como onerosas. E prestes a “dar início a seu capital político” para levar adiante medidas controvertidas, como, por exemplo, a privatização parcial do sistema federal de aposentadorias (que, num primeiro momento, custará várias centenas de bilhões de dólares ao Tesouro norte-americano3).
A desconfiança em relação ao dólar explica-se também pelo fracasso da política de redução “pelo mercado” do déficit externo. Um dólar fraco devia favorecer os exportadores norte-americanos e penalizar os importadores. Ora, mais do que um reequilíbrio das contas, essa política contribuiu para o aprofundamento de déficits que destacaram as fragilidades estruturais da economia norte-americana. Os operadores financeiros concluíram que o dólar não baixara suficientemente. Alguns até sugeriram que, para reduzir pela metade o déficit comercial, a moeda norte-americana deveria perder 30% a mais – e não mais valer senão 0,55 euros…

Perda de apetite pelo dólar
Daí a preocupação dos detentores de dólares – em particular a dos bancos centrais, que até então aceitavam o dólar sem restrições. Em 2003, os bancos centrais financiaram o déficit corrente norte-americano em 83%, absorvendo, sem convertê-los, os dólares adquiridos em contrapartida das compras dos Estados Unidos no exterior. O excedente em dólares dos bancos centrais asiáticos, por exemplo, atingiria atualmente 2 trilhões de dólares. Por que a China, o Japão e outros países acumularam tantos ativos emitidos numa moeda cujo valor estava caindo? É que eles quiseram impedir a cotação de suas próprias divisas no mercado de câmbio, o que teria acontecido se tivessem trocado seus dólares excedentes. Dessa forma, esses países privilegiaram a competitividade de suas exportações. E como investiram seus dólares em obrigações do Tesouro norte-americano, contribuíram ao mesmo tempo para manter, nos Estados Unidos, taxas de juros muito baixas. No final desse ciclo estranho, os déficits comerciais norte-americanos financiam… o endividamento dos Estados Unidos e a muito reduzida disposição de seus cidadãos para a poupança.
Mas, em resposta à derrocada do dólar, um certo número de bancos centrais decidiu reduzir suas compras de dólares em proveito de outras moedas, em especial o euro. Essa reviravolta estratégica pode ser explicada: uma coisa é sofrer algumas perdas para favorecer suas vendas no exterior; outra coisa é arcar com os custos de uma debandada contínua. Em 19 de novembro, Alan Greenspan, o presidente do Federal Reserve (banco central norte-americano), lançou um argumento de peso na discussão ao lembrar que os investidores estrangeiros um dia se cansariam do acúmulo dos déficits e que uma “perda de apetite para com os ativos emitidos em dólar” era inevitável4. Alguns dias mais tarde, Yu Yongding, membro do comitê monetário do Banco Central da China, indicava que a China “diminuíra a parte relativa de suas reservas de câmbio, mantidas em bônus do Tesouro norte-americano, mas não seu montante absoluto, para se prevenir contra o enfraquecimento do dólar”.
Essa tendência acaba de ser confirmada por uma pesquisa em 67 bancos centrais apresentada pela revista Central Banking Publications: no decorrer dos quatro últimos meses de 2004, mais de dois terços dos estabelecimentos interrogados diminuíram a parte relativa do dólar em suas carteiras de títulos (ela continua imensa, próxima de 70% do total, mas, há cerca de trinta anos, situava-se em 80%). Para Nick Carver, um dos autores do estudo, “o entusiasmo dos bancos centrais com o dólar parece ter esfriado. Os Estados Unidos não devem mais contar com seu apoio incondicional” 5. Os países produtores de petróleo, que dirigem uma boa parte de suas compras para a zona euro, também não estão mais encantados em ver a alta das cotações de sua matéria-prima amplamente atingida pela queda de valor da moeda de faturamento. E, além de tudo, determinados Estados árabes temem que, um dia, seus bens nos Estados Unidos sejam congelados, em nome da luta contra o terrorismo.

O preço do desmoronamento contínuo
A política de câmbio é uma ciência inexata cheia de efeitos perversos. Para além de um determinado patamar, os efeitos negativos de uma desvalorização suplantam suas vantagens. Incapazes de deter a queda de sua divisa, os dirigentes norte-americanos descobrem que a arma do dólar poderia voltar-se contra eles. Para manter o valor de sua moeda, os Estados Unidos precisam de um aporte diário de 1,8 bilhão de dólares. E quando o crédito é atingido, o dólar deixa de ser simplesmente “o problema dos outros”. Na realidade, a previsão de um desmoronamento contínuo pode provocar reações em cadeia: os investidores estrangeiros exigem rendimentos mais elevados para adquirir ou conservar dólares, ou para subscrever bônus do Tesouro. Quanto maior for o risco de desvalorização, mais elevado deve ser esse incentivo, sob a forma de taxa de juros. Ora, uma grande elevação das taxas tem efeitos temíveis sobre os investimentos e sobre o consumo, em particular nos Estados Unidos, onde a compra a crédito está mais generalizada do que em outros lugares. Haveria, por exemplo, um risco de queda do mercado imobiliário, até então favorecido por taxas de juros historicamente baixas. E a imbricação entre os sistemas econômicos e monetários é tal que uma recessão norte-americana teria conseqüências para a economia mundial.
A Europa, e em menor escala o Japão, viram-se quase que sozinhos para pagar o preço da queda do dólar. Na Europa, a alta cotação do euro fez com que poucos ficassem felizes, embora Wilhelm Duisenberg, o primeiro presidente do Banco Central Europeu (BCE) tivesse como divisa “um euro forte para uma Europa forte” 6. A primeira parte de seu desejo foi atendida… Mas atualmente seu sucessor, Jean-Claude Trichet, lamenta a queda “brutal” do dólar que afetou gravemente a competitividade das indústrias do Velho Continente. Em 2004, o crescimento da zona euro foi um dos menores do mundo. Os otimistas inveterados, entretanto, puderam descobrir uma vantagem num euro forte: a redução do impacto da explosão do preço do petróleo, negociado em dólares. Por isso, quando era ministro das Finanças, Nicolas Sarkozy considerava, em novembro de 2004, que a supervalorização da moeda da União “não era apenas uma desgraça”.

A variável chinesa
Desde que a China, em 1994, indexou sua moeda (o renminbi, “moeda do povo”, nome oficial do yuan) ao dólar, entrou em acordo monetário com os Estados Unidos. Dessa forma, a queda do dólar permitiu-lhe manter a competitividade diante dos Estados Unidos e aumentá-la diante do resto do mundo. A assimetria das relações sino-norte-americanas é impressionante: o déficit com a China é, só ele, de 207 bilhões de dólares (mais de um terço do total7). Nos Estados Unidos, há quem se satisfaça com a afluência de produtos a preços que desafiam qualquer concorrência: o gigante da distribuição Wal-Mart, que é também o maior empregador do país, importa até 70% de seus produtos do ex-Império do Meio. Mas cada vez mais empresas, assalariados e autoridades políticas norte-americanas vêem aí uma forma de concorrência desleal e pedem a seu governo que exija da China que deixe sua moeda flutuar. Há vinte anos, a política monetária e comercial de Washington era obcecada pelo Japão, suas exportações de automóveis e de eletrônicos, a cotação do iene…
Muitas vezes reiterada, a posição oficial dos dirigentes norte-americanos é de que o yuan estaria subvalorizado em 40% e que o Banco Central chinês deveria parar de intervir maciçamente para regular a evolução da moeda chinesa. A resposta de Pequim é ambígua: se o debate parece bem recebido nos círculos do poder, os sinais emitidos continuam ainda contraditórios. Alguns dirigentes garantem que a China trabalha para tornar seus mercados de capitais mais flexíveis, com vistas a relaxar e até suprimir o vínculo fixo entre dólar e yuan. Segundo o vice-primeiro-ministro, Huang Ju, Pequim quer proceder por etapas “para reformar o regime de câmbio do yuan”, sem com isso anunciar um calendário específico, pois trata-se antes de tudo de criar “um ambiente macroeconômico estável para estabelecer um mecanismo de mercado e um sistema operacional sadio” 8.
Outros afastam qualquer idéia de mudança de política. Segundo Yi Gang, diretor do Departamento de Política Monetária do Instituto de Emissão, “Pequim vai dar prosseguimento à sua política monetária de um regime de taxa de câmbio unificada e de flutuação controlada”, a fim de “preservar a estabilidade e estimular a promoção do crescimento da economia chinesa”. Convidado a fazer uma exposição diante dos ministros de Finanças do G7, em 4 de fevereiro de 2005, o governador do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, encerrou o debate, recusando-se a responder à questão que continua a deixar os mercados na incerteza.

Ambições e riscos
Pequim pode querer fazer valer seu direito à soberania monetária. Suas taxas de crescimento excepcionais (9,5% em média anual entre 1997 e 2004) e o gigantesco potencial de seu mercado de 1,3 bilhão de habitantes fazem dela um eldorado para todas as multinacionais. Tendo se tornado uma verdadeira potência econômica, o país representa atualmente 4% da economia mundial, contra só 1% em 1976. Há quem considere que até 2020 a China representará cerca de 15% da produção do globo.
Mais do que a oficina do mundo, o país quer ser uma locomotiva da economia internacional, para não dizer uma verdadeira potência tecnológica e científica. Já está no centro de todas as questões econômicas importantes, desde acolher as instalações de indústrias estrangeiras ao aumento exagerado do preço das matérias-primas, passando pela retomada da economia japonesa. A compra pelo grupo chinês Lenovo da divisão de computadores pessoais do gigante norte-americano IBM é emblemática das ambições de um Estado que já lançou com sucesso mais de quarenta satélites ao espaço, e que prevê vôos tripulados a cada dois anos, bem como um programa lunar.
Os dirigentes chineses têm consciência dos riscos que sua economia correria com uma nova organização monetária. São muitos os sinais de instabilidade: inflação, especulação imobiliária, fragilidade do setor bancário, subdesenvolvimento dos mercados de capitais. Se levarmos em conta o aumento das desigualdades sociais e a ausência de democracia, dá para avaliar a possibilidade de uma explosão política9. E compreende-se a prudência das elites, preocupadas, antes de tudo, em evitar uma desaceleração repentina do crescimento, que teria conseqüências econômicas e políticas incalculáveis, inclusive nas relações com os Estados Unidos. Pois com muita freqüência se esquece que em inúmeras questões delicadas – Irã, Coréia do Norte, Taiwan –, a China continua a se opor a Washington.

Lógica de confronto
O mundo todo, exceto talvez os especuladores, entende que uma gestão coordenada das moedas é preferível à política de cada um por si. A maioria das análises da situação monetária internacional sugere, no entanto, uma lógica de confronto. Trata-se de “equilíbrio do terror monetário”, de aliança entre a Europa e o Japão para intervenções comuns no mercado de câmbio e até de “aliança muito grande” opondo a China e os Estados Unidos ao resto do mundo, e em razão da qual os norte-americanos comprariam da China seus produtos, enquanto a China financiaria os déficits norte-americanos10. A possibilidade de que certos países ponham em prática suas ameaças – que o Japão ceda uma parte importante de bônus do Tesouro norte-americano de sua carteira de títulos, ou que os Estados Unidos tomem medidas de represália contra a China – vem periodicamente abalar os operadores dos mercados financeiros.
Intervenções combinadas dos “quatro grandes” (Estados Unidos, Europa, China e Japão) são capazes de frear a especulação e reduzir as turbulências, conforme o modelo do acordo do Plaza, que marcou uma reviravolta nas relações monetárias internacionais. Em 22 de setembro de 1985, os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais dos países membros do G5 (Estados Unidos, Japão, Inglaterra, França, República Federal Alemã) reuniram-se nesse hotel de Nova York e decidiram que “era desejável uma nova cotação ordenada das divisas que não fossem o dólar”. Comunicavam que “estavam prontos a cooperar mais estreitamente para encorajar isso, quando lhes parecesse útil”. Essa linguagem codificada foi o prelúdio para uma queda coordenada do dólar, sob a direção de James Baker, secretário do Tesouro do presidente Reagan11.
Um acordo desse tipo é hoje pouco provável. O unilateralismo que prevalece, assim como diversas considerações “ideológicas”, trabalham contra o próprio princípio de um acordo. Mas, sobretudo, nenhum dos responsáveis econômicos atuais está apto a desempenhar o papel que James Baker desempenhou. Há vinte anos, o Departamento do Tesouro gozava de uma importância internacional que hoje já não tem mais. Paul O’Neill, o primeiro titular do posto escolhido por George W. Bush, foi rapidamente destituído devido à sua independência. E, num livro em que relata sua experiência em Washington, ele descreveu o atual presidente como desconhecedor das realidades econômicas e comportando-se, com seu gabinete, como “um cego cercado de surdos” 12. Desde a guerra do Iraque, Bush, preocupado com as grandes cruzadas em prol da liberdade, interessa-se menos ainda pelas questões de intendência…

A interpretação norte-americana
Por outro lado, sua reeleição, em novembro de 2004, reafirmou a disposição de Bush de só se cercar de bajuladores. A qualidade essencial para uma nomeação política parece ser a lealdade e não a competência. O secretário do Tesouro, John Snow, é impedido de opinar, no processo de decisão, pelos conselheiros políticos do presidente. Quanto a Alan Greenspan, este inicia, aos 79 anos, seu último ano de presidência do Federal Reserve. A batalha pela sucessão está aberta. Os pretendentes devem realizar o impossível – obter a confiança absoluta do presidente (que escolhe o titular) que os obriga a defender com entusiasmo opções econômicas dificilmente justificáveis e a dos “mercados” 13. Diante dessa espécie de vacância do poder econômico, aqueles mesmos que conseguiram “vender” a guerra do Iraque e garantir a reeleição do presidente esforçam-se para convencer o público da boa fundamentação de sua política orçamentária e financeira.
Desde 20 de janeiro de 2005, data oficial da posse do novo governo Bush, os “déficits gêmeos” são objeto de um novo discurso e de uma nova estratégia. A política de indiferença calculada (benign neglect) diante do dólar foi longe demais; existe o risco de queda livre da “verdinha”. Declara-se que a redução dos déficits não será mais feita por meio da desvalorização do dólar, mas graças a um forte crescimento, ele próprio induzido por novas reduções de impostos. Para o presidente Bush, “a longo prazo, a melhor maneira de reduzir o déficit é fazer com que a economia progrida e tomaremos medidas para permitir que a economia norte-americana seja mais forte, mais inovadora e mais competitiva”.
Atualmente, o déficit comercial é interpretado como o reflexo da boa saúde relativa da economia norte-americana. Não reivindicaria, portanto, atenção especial: cabe aos outros, os europeus em especial, retomarem, por sua vez, o crescimento em seus países por meio da diminuição de impostos e políticas mais propícias ao investimento. Para John Snow, “o déficit comercial reflete duas coisas: nossa economia tem uma taxa de crescimento rápida, mais alta do que a de nossos parceiros comerciais. A renda pessoal está em alta e o emprego está em alta; temos, portanto, mais renda disponível da qual uma parte é usada para a compra de bens de nossos parceiros comerciais” 14. Da mesma forma, Alan Greenspan, que inicialmente expressou sua decepção com a extensão dos déficits, adota atualmente um discurso inverso, destinado a apoiar o dólar: “A maior flexibilidade da economia norte-americana vai sem dúvida facilitar um ajuste sem conseqüências graves para o conjunto da atividade econômica”.

A “austeridade” orçamentária de Bush
Como durante o primeiro mandato Bush, a política oficial consiste em afirmar a necessidade de uma moeda forte, mas, desta vez, os atos visam verdadeiramente a impedir uma nova derrocada do dólar. Em 2 de fevereiro de 2005, o comitê de política monetária do Federal Reserve elevou sua taxa referencial para 2,5%. O aumento do rendimento das aplicações nos Estados Unidos permite manter o dólar em relação ao euro, no momento em que o conselho dos presidentes do Banco Central Europeu manteve suas taxas referenciais de juros em 2%.
No plano orçamentário, o presidente Bush reafirma sua intenção de “reduzir o déficit pela metade” por meio de uma política “de austeridade” que deve se estender a todos os setores, exceto a segurança e a defesa (que obterá 19 bilhões de dólares a mais do que no ano anterior). O projeto de orçamento 2006 reduz drasticamente ou suprime mais de 150 programas governamentais considerados pela administração “ineficazes, redundantes ou não prioritários”. Os programas sociais, em particular aqueles destinados às crianças e aos indigentes, estão na linha de mira, ainda que o montante deles seja reduzido de um ano para outro, em valores absolutos.
Mas a sustentação orçamentária da Casa Branca baseia-se em hipóteses pouco sérias e exclui algumas das despesas mais onerosas. As operações militares no Iraque e no Afeganistão, verdadeiro sorvedouro para as finanças norte-americanas, são esquecidas15. Assim como os 754 bilhões de dólares em dez anos, que representam o custo mínimo da privatização parcial do sistema de aposentadorias.
Simultaneamente, o governo Bush e seus aliados parlamentares contam com um aumento da receita, graças a uma… diminuição dos impostos. O presidente norte-americano propôs, portanto, tornar permanentes as enormes reduções de impostos (da ordem de 1,8 trilhão de dólares), votadas em seu primeiro mandato, com vistas a manter o consumo e o crescimento. Em 2004, as receitas fiscais só representaram 16,3% do Produto Interno Bruto, seu nível mais baixo desde 1959, contra 21% quatro anos antes, numa época em que o orçamento ainda tinha excedentes…
Para determinadas autoridades, e não das menos importantes, é sempre mais urgente reduzir os impostos do que os déficits orçamentários. O vice-presidente Richard Cheney, por exemplo, que pretende realizar grandes reformas de política interna a partir de agora, está convencido disso: “Os déficits, como demonstrou Ronald Reagan, não têm importância alguma.” 16

(Trad. Regina Salgado Campos)
* Professor associado da Fletcher School of Law and Diplomacy (Medford, Massachusetts), autor de The Financial War on Terror, I.B. Tauris, Londres, 2005.

1 – Barry Eichengreen, Globalizing Capital: A History of the International Monetary System, Princeton University Press 1996, p. 136.
2 – Isso não o impediu, alias, de ser o primeiro presidente dos Estados Unidos desde Herbert Hoover em 1932 a se recandidatar, embora, durante seu primeiro mandato, o saldo de criação de empregos tenha sido negativo.
3 – Se o projeto der certo, os trabalhadores poderão destinar uma parte do desconto operado em seus salários à formação de um capital privado destinado a sua própria aposentadoria. Sem receitas, o Estado fará empréstimos para pagar as aposentadorias dos beneficiários atuais (fala-se na cifra de 754 bilhões de dólares em dez anos).
4 – Larry Elliott, “US risks a downhill dollar disaster”, The Guardian, Londres, 22 de novembro de 2004.
5 – Mark Tran, “Move to euro hits US finances”, The Guardian, 24 de janeiro de 2005.
6 – Wilhelm F. Duisenberg, “The first lustrum of the ECB”, discurso pronunciado durante o International Frankfurt Banking Evening, Francfort, 16 de junho de 2003 : http://www.ecb.int
7 – David E. Sanger, “U.S. Faces More Tensions Abroad as Dollar Slides”, The New York Times, New York, 25 de janeiro de 2005.
8 – William Pesek, Jr., “Dollar skeptics in Asia have prominent company”, International Herald Tribune, New York, 3 de fevereiro de 2005.
9 – Ler o dossiê que Le Monde diplomatique dedicou à China, em setembro de 2004.
10 – Ver, por exemplo de Eric Le Boucher, “La très grande alliance entre les Etats-Unis et la Chine contre le reste du monde”, Le Monde, 25 de janeiro de 2004; Pierre-Antoine Delhommais, “L’’équilibre de la terreur monétaire’”, Le Monde, 5 de janeiro de 2005.
11 – O dólar que passara de 4,15 francos no primeiro trimestre de 1980 para 9,96 francos no primeiro trimestre de 1985, não valia mais do que 7,21 francos no primeiro trimestre de 1986 e 6,13 francos no primeiro trimestre de 1987. Em relação ao marco alemão, os valores respectivos foram 1,77 marcos, 3,26 marcos, depois 2,35 marcos et 1,84 marcos. Cf. para o valor do dólar em relação a 18 moedas, trimestre por trimestre, de 1972 a 2002, Jean-Marcel Jeanneney e Georges Pujals (org.), Les économies de l’Europe occidentale et leur environnement international de 1972 à nos jours, Fayard, 2005.
12 – Ron Suskind, The Price of Loyalty: George W. Bush, the White House, and the Education of Paul O’Neill, Simon and Schuster, New York, 2004.
13 – Paul Krugman, “The Greenspan Succession”, The New York Times, 25 de janeiro de 2005.
14 – Elizabeth Becker, “Trade Deficit At New High, Reinforcing Risk to Dollar”, The New York Times, 13 de janeiro de 2003.
15 – Programas orçamentários são apresentados separadamente ao Congresso no decorrer do ano. O último pedia 81 bilhões de dólares, não contabilizados no orçamento, para financiar a presença norte-americana no Iraque e no Afeganistão.
16 – Ron Suskind, op. cit.

 
Sobre o papel do dólar no sistema monetário internacional
Acontecimentos em anos recentes, como o nascimento e a consolidação da moeda da comunidade européia, o euro, e as recentes desvalorizações do dólar no mercado mundial de moedas somada a enorme e crescente dívida externa líquida dos Estados Unidos, têm novamente levantado questionamentos sobre a capacidade do dólar em continuar desempenhando o papel de moeda de reserva internacional.

O autor Robert Gilpin chega a afirmar que “A ‘hegemonia do dólar’ nitidamente chegou ao fim, e daqui para a frente a moeda americana terá de dividir a cena com o euro e o iene”[1]. A popular tese dos anos 1980, o hard landing do dólar [2] começa a ganhar adeptos novamente.

De fato, o mercado financeiro mundial está inerentemente sujeito a turbulências e especulações contra qualquer moeda soberana, inclusive o dólar. Porém, como tentarei demonstrar brevemente, há, no mínimo, um forte exagero nas análises que apontam para uma suposta crise do dólar e sua provável substituição por outra moeda de reserva internacional.

Relembrando a história

Até a década de 1960, os países centrais sustentavam, com certo rigor, controles sobre os fluxos de capitais. Esse rigor devia-se ao consenso em torno da adoção de taxas de câmbio fixas como melhor forma de alcançar a estabilidade na nova ordem internacional estabelecida nos acordos firmados em julho de 1944 na reunião de Bretton Woods.

Nesse sentido, os Estados Unidos, de posse de 70% das reservas em ouro, logo o único país capitalista com recursos para fazer avançar a nova ordem internacional, surge como potência capitalista dominante e inconteste. Por isso, o dólar foi transformado em moeda-chave, cabendo seu emissor seguir duas regras básicas em relação à ordem monetária internacional que instituía o então denominado padrão dólar-ouro: 1. O dólar deveria ser conversível em ouro (US$ 35 por onça de ouro) e; 2. A conversão seria a uma taxa fixa entre o ouro e o dólar.

Não obstante, as regras de conversão foram rompidas em 1971 de forma unilateral pelo próprio Estados Unidos. Além disso, na tentativa de recuperar a competitividade de sua economia, o dólar foi desvalorizado incentivando outros países a fazerem o mesmo. Desde então, as moedas fiduciárias não possuem lastro metálico, regras de câmbio ou qualquer regulação internacional importante. O sistema financeiro internacional passou a conviver com taxas de câmbio flutuantes determinadas em parte pelo mercado e em parte pela intervenção das autoridades monetárias.

Nesse cenário, os países centrais, pioneiramente os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, iniciaram um processo gradual de liberalização da conta capital com a progressiva restrição dos controles que haviam sido criados no período pós-2ª guerra. Durante a década de 1980, a liberdade para os fluxos de capitais tornou-se um consenso entre as principais nações capitalistas e repetidamente aconselhada aos países da periferia, cujos governos também acabaram por se “convencer” dos supostos benefícios da abertura da conta de capitais. Esse processo que, a partir dos anos 1980, se convencionou chamar de “globalização financeira”, como já indicava a professora Maria da Conceição Tavares [3] vem sendo operada em função da diplomacia do dólar. O fato é que os Estados Unidos vêm utilizando com êxito o dólar como recurso de poder internacional, não apenas na área econômica, mas de forma muito evidente na área política e militar.

Por que o dólar?

A questão é que as relações de comércio, financeiras e de investimento não podem ser realizadas sem uma moeda padrão que seja aceita internacionalmente. Atualmente, cabe ao dólar fazer o papel de meio de pagamento internacional, de unidade de conta dos contratos e preços internacionais e, conseqüentemente, desempenhar o papel de moeda de reserva internacional [4]. O dólar se impôs no pós-guerra por ser a moeda da nação capitalista mais poderosa do planeta, e com fim da Guerra Fria, a única superpotência mundial [5]. Não se trata de uma imposição natural dos mercados, mas sim de uma política estratégica articulada pelo Estados Unidos, maior interessado em perpetuar essa situação.

O mito do enfraquecimento do dólar

Um dos argumentos utilizados para afirmar uma suposta decadência do dólar está nos recorrentes déficits no balanço de pagamentos dos Estados Unidos. O argumento seria questionável no período do padrão dólar-ouro, uma vez que os pagamentos internacionais eram feitos em dólar, e não em ouro.

É verdade que havia o risco de uma fuga para o ouro à medida que o valor do dólar passasse a ser questionado. Isso realmente ocorreu no final dos anos 1960 e início dos 1970, momento em que os Estados Unidos tiveram que lidar com superávits cada vez menores na sua balança comercial. O déficit na balança comercial em abril de 1971 e a intensa especulação contra o dólar nesse momento foram a oportunidade para o governo estadunidense se livrar do “incômodo” de ter sua moeda atrelada ao ouro e tornar o dólar inconversível.

Com a quebra unilateral do acordo de Bretton Woods, os Estados Unidos, de forma politicamente articulada, retirou de cena o principal concorrente do dólar, o ouro [6]. Deste modo, não sendo o dólar conversível, não há qualquer razão para supor que o déficit no balanço de pagamentos estadunidense é um problema, pela simples razão deste déficit poder ser financiado através de ativos em sua própria moeda.

Além do mais, como bem coloca o economista Franklin Serrano [7], na ausência de conversibilidade do dólar (vale sempre ressaltar!), as autoridades monetárias norte-americanas podem, através da manipulação das taxas de juros, valorizar ou desvalorizar o dólar sempre que acharem necessário e de acordo com seus interesses imediatos ou de longo prazo. Foi assim com a valorização do dólar em 1979 quando o FED (banco central dos Estados Unidos) elevou a taxa de juros para um nível inédito, e com a coordenada desvalorização do dólar frente ao marco alemão e ao iene no acordo do Plaza em 1985, como forma de melhorar a competitividade da sua indústria [8].

O choque dos juros trouxe de volta a supremacia incontestável estadunidense sobre o sistema monetário-internacional que vinha sendo questionada durante a década de 1970 [9]. Não encontra aderência à realidade, portanto, o argumento de que as recentes desvalorizações do dólar colocam em cheque sua função de moeda-chave, uma vez isso não é mais um problema para os Estados Unidos. Uma das lutas que a diplomacia chinesa vem travando é justamente para não valorizar o yuan frente ao dólar. A pequena valorização de 2,1% do yuan na quinta-feira (21/07) não muda muita coisa, e a pressão deverá continuar.

Há, reconhecidamente, uma forte pressão das autoridades estadunidenses pela valorização das moedas dos países asiáticos recorrentemente acusados de concorrência desleal com o argumento de manterem uma taxa de câmbio desvalorizada artificialmente. Portanto, neste momento, a desvalorização do dólar vai ao encontro dos interesses dos Estados Unidos, e não o contrário!

Além das razões inequívocas da perda de competitividade da indústria chinesa e da queda do crescimento econômico que uma desvalorização do dólar acarretaria, ainda há um outro problema, por sinal pouco lembrado, que refere-se as perdas patrimoniais para a China, já que é detentora de enorme quantidade de ativos em dólar, caso tal política monetária for colocada em prática. Essa situação é a mesma para outros países que também detém quantidade considerável de ativos em dólar, como, por exemplo, o Japão.

De fato, com o fim do sistema de Bretton Woods e a adoção das taxas de câmbio flutuantes, todas as moedas estão sujeitas a valorizações e desvalorizações. Isso porque, o padrão monetário atual não requer que a moeda-chave do sistema tenha que manter seu poder de compra ao longo do tempo, mas sim a capacidade de reprodução do capital financeiro em escala global. É o dólar que vem cumprindo esse papel e, desde então, em caso de crise, os agentes não possuem escolha para onde correr senão o próprio dólar. Nesse sentido, todas as outras nações devem se ajustar às flutuações do dólar, pois não há como implementar uma política monetária independente das decisões do FED.

Enfim, disso não se deduz que o dólar sempre será a moeda-chave no sistema monetário internacional. Porém, até quando essa brutal assimetria nas relações internacionais perdurará é uma incógnita. Pelo menos considero que seja possível afirmar que não há qualquer sinal de que o dólar venha a ser substituído num futuro próximo.

Notas

1. GILPIN, Robert. O desafio do capitalismo global. Record, 2004. p.177.

2. Cf. BELLUZZO, Luís Gonzaga. Desequilíbrios globais: correção ou “fuga para frente”. Política econômica em foco, nº4, suplemento 1, Unicamp, mai/out. 2004. 9 de dezembro de 2004

3. TAVARES, Maria da Conceição. Poder e dinheiro: uma economia política da globalização. Vozes, 1997, pp.27-54.

4. Para mais detalhes cf. BRUNHOFF, Suzzanne. A hora do mercado: crítica do liberalismo. Trad. Álvaro Lorencini. São Paulo: Unesp. pp-132-139.

5. Era a libra que cumpria esse papel no século XIX quando a Inglaterra era a nação mais poderosa.

6. Cf. PARBONI, Riccardo. The dollar and its rivals, Ed. Verso, London, 1982

7. Cf. SERRANO, Franklin. “Do ouro imóvel ao dólar flexível”. Economia e Sociedade, Campinas, v.11, n.2, pp.237-253, jul./dez.2002.

8. O acordo do Plaza reuniu os cinco países capitalistas mais ricos do mundo. Nesse acordo ficou definido o aumento das taxas de juros da Alemanha e do Japão como forma de valorizar suas moedas. Segundo Belluzzo, a valorização do yen teve reflexos extremamente negativos para a economia japonesa. BELLUZZO, Luís Gonzaga. “Elementos sobre a crise econômica dos Estados Unidos”, nº163, Princípios, São Paulo, nov./dez. 2001/ jan.2002.

9. A decisão de elevar os juros foi anunciada pelo presidente do FED, Paul Volcker, e significou uma expressiva mudança na condução da política monetária do FED que vinha até então mantendo os juros num nível relativamente baixo. Como se sabe, essa decisão gerou uma recessão mundial que culminou com a crise da dívida externa latino-americana em 1982.

*Marcelo P. Fernandes é presidente do Comitê Municipal do PCdoB/Nilópolis e doutorando em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

 
O PODER FINANCEIRO DOS ESTADOS UNIDOS NO PADRÃO MONETÁRIO DÓLAR-FLEXÍVEL

Nome: Maurício Metri
Filiação institucional: Doutorando no Instituto de Economia da U.F.R.J.
Endereço: Rua Pompeu Loureiro, 44/102 – Copacabana – Rio de Janeiro/RJ – CEP: 22061-000
Telefone/fax: (21) 2255-6956
Endereço eletrônico: mmetri@terra.com.br

1 – Resumo
O propósito desse artigo é investigar a inserção dos Estados Unidos no atual sistema monetário internacional, o padrão dólar-flexível, o qual vem permitindo a esse país desfrutar de uma enorme capacidade de endividamento externo e público sem contrapartidas de qualquer natureza sobre a condução de sua política econômica.
2 – Abstract
The propose of this article is to study the way that north-American economic is inserted in the current international monetary system, which allows this country to get huge public and external deficits, without interfering in your own economic policy.

 

Folha deSão Paulo, 22 jan 2006. ARTIGOS

País em desenvolvimento deve abandonar moeda
Peter Parks – 22.jul.05/France Presse

Visitantes em exposição de cédulas de yuan em Pequim, na China; moedas de países em desenvolvimento são mais sensíveis a crises

BENN STEIL
ESPECIAL PARA O "FINANCIAL TIMES’

De todas as objeções que costumam ser levantadas contra a globalização -incluindo os danos que supostamente causa a igualdade de rendas, direitos dos trabalhadores, democracia e ambiente-, nenhuma é tão convincente quanto o caos que crises cambiais periodicamente causam nos países em desenvolvimento.
Economistas defensores da globalização, como Martin Wolf, do "Financial Times", e meu colega Jagdish Bhagwati, reconhecem que os fluxos de capital são seu calcanhar-de-aquiles. Wolf argumentou que, até agora, os ganhos gerados pela integração dos mercados emergentes aos mercados mundiais de capital "foram questionáveis, e os custos das crises, enormes". Bhagwati criticou a "liberalização financeira apressada e imprudente". Eu gostaria de dizer que eles estão errados, pois qualquer justificativa para controles de capital parece ser admissão de derrota diante dos sempre equivocados inimigos da globalização.
Ainda assim, é importante reconhecer que aquilo que vemos como globalização não é a mesma coisa que o liberalismo econômico clássico aplicado em escala mundial, e que a globalização moderna pode apresentar problemas mesmo que o liberalismo que lhe serve de arcabouço não tenha falhas. A melhor prova pode ser obtida no estudo de uma era muito anterior de globalização, entre o final da década de 1870 e 1914. Não só o mundo era, então, comparativamente bastante integrado, em indicadores comerciais, mas diversos dos indicadores financeiros também apontam para uma melhor integração. A paridade de poder aquisitivo e a equalização das taxas reais de juros se sustentavam internacionalmente em grau que não se vira até lá, e que não voltou a se repetir nas décadas posteriores. Os déficits e superávits médios, como porcentagem dos PIBs, eram duas vezes maiores do que os atuais. E alguns estudos demonstraram que os fluxos de capital faziam um trabalho mais eficiente ao equiparar o capital disponível às necessidades de investimento, no período.
Talvez o mais surpreendente seja o fato de que os fluxos de capital de curto prazo na realidade desempenhavam importante papel de estabilização: os déficits comerciais podiam ser financiados confiavelmente por influxos de curto prazo, estimulados por uma alta modesta nas taxas de juros de curto prazo. Além disso, embora crises financeiras ocorressem, a recuperação tendia a ser consideravelmente mais rápida.
O sistema monetário que evoluiu durante a globalização do final do século 19 e começo do século 20 era muito diferente do atual. Conhecido como "padrão-ouro", ele operava pelo uso voluntário de reservas de ouro pelos países como lastro para suas moedas nacionais, a uma taxa de câmbio fixa. O Banco da Inglaterra desempenhava papel essencial, já que o mundo confiava em sua dedicação a essa conversibilidade, o que dava aos investidores confiança para transferir fundos. Além disso, os países que enfrentavam crises financeiras em geral passavam por entradas, e não saídas, aceleradas de ouro. À medida que os preços dos ativos internos caíam, após uma crise, a expectativa de que as taxas de câmbio e os preços dos ativos retornassem aos níveis anteriores à crise devido ao compromisso dos governos para com o padrão-ouro estimulava as importações do metal.
O "sistema" monetário internacional criado depois de 1971 abarca cerca de 200 moedas, que circulam na forma de promissórias não passíveis de resgate. Durante a era da globalização com padrão-ouro, os preços das commodities se alinhavam no panorama internacional de maneira mais ou menos tão eficiente quanto se alinhavam entre as diferentes regiões de um mesmo país. Hoje, nos acostumamos a tal ponto a um mundo de moedas nacionais que passamos a considerar normal não o alinhamento internacional de preços de commodities, mas sim o movimento de toda a estrutura de preços de um país, para baixo e para cima, para ajustar a toda a estrutura de preços de um segundo país. Assim, uma queda no preço mundial de uma commodity como o café, em dólares, tende a não produzir a diversificação e o abandono das formas ineficientes de produção, gerando em lugar disso uma inflação que afeta toda a economia, e desvalorizações de câmbio nos países em que os exportadores de café tenham influência política. O banco central distorce todos os demais preços da economia para impedir a adaptação do país à queda nos preços mundiais do café. Essa é a raiz do desenvolvimento estagnado de muitos países mais pobres.

Estabilidade
O exemplo clássico dos motivos que justificam a livre flutuação cambial de uma moeda se baseia nos efeitos estabilizadores do uso da taxa de câmbio para proteger os juros internos contra movimentos nas taxas de juros estrangeiras, e a capacidade de reduzir taxas de juros para enfrentar recessões. Mas os indícios apontam para o oposto: sob regimes de câmbio livres, as taxas de juros dos países em desenvolvimento se tornam mais sensíveis às internacionais, e cresce a probabilidade de que tenham de subir em vez de cair, numa recessão, para impedir fuga de capitais.
Crises cambiais se tornaram agora uma séria preocupação, especialmente para países com regimes de câmbio fixo ou de âncora cambial. Nas duas décadas passadas, diversas crises afligiram países da América Latina e da Ásia, bem como nações nas fronteiras européias, especialmente Rússia e Turquia. O problema emergiu quando esses países tentaram aproveitar as oportunidades de um mercado internacional de capitais dominado pelo dólar. Para os países em desenvolvimento, isso acarreta risco fatal: os credores precipitam crises quando temem desvalorizações e moratórias das dívidas denominadas em dólares.
Em resumo, os países em desenvolvimento não vêem benefícios econômicos reais quando adotam uma política monetária independente. Suas taxas de juros na prática ficam atreladas às americanas, e suas importações de capital em dólares os expõem a crises cambiais que seriam evitadas pelo uso de um lastro em ouro como o que sustentava a globalização do século 19 e tornava impossível política econômica independente.

Conversão
Hoje, a melhor opção para os países em desenvolvimento cujo objetivo é uma integração segura à globalização seria substituir suas moedas por dinheiro aceito internacionalmente: dólar ou euro. O país com melhor desempenho econômico na América Latina em 2004 foi o politicamente volátil Equador, que cresceu 6,6% com inflação de 2,7%, a menor em 30 anos. O Equador dolarizou sua economia em 2000. Se a União Européia fosse sábia, mudaria radicalmente sua política quanto à ampliação da zona do euro e ofereceria assistência à Turquia e outros países para que adotassem a moeda de imediato.
Os inimigos da globalização se sentirão ultrajados diante de tamanho golpe contra a "soberania monetária". Mas esse conceito é um dos mais prejudiciais dentre os fetiches relacionados à soberania que surgiram no século 20. Moedas de prata espanholas e mexicanas circularam livremente nos EUA até o final do século 19. Papas medievais chegavam a condenar soberanos por adulterarem conteúdo de metal em suas moedas, e essa continua a ser a fatal solução dos países para cada dor de dente econômica que os aflige.
Basta estudar o caso da Argentina, que voltou a gerar inflação de dois dígitos, para constatar as reações adversas à globalização que emergem das ruínas depois de experiências fracassadas com moedas nacionais que ninguém deseja manter em seus portfólios. A era dourada da globalização do século 19 nos ensinou que os fluxos de capital não precisam ser o calcanhar-de-aquiles de sua atual reencarnação. A chave é reconstruir a globalização com base em moedas que as pessoas desejem usar sem que a isso sejam obrigadas.

——————————————————————————–
Benn Steil é diretor de economia internacional no Conselho de Relações Internacionais e co-autor de "Financial Statecraft: The Role of Financial Markets in American Foreign Policy" [Estadismo financeiro: o papel dos mercados financeiros na política externa americana].

 
 

É improvável que a hegemonia do dólar seja minada pelas forças do mercado no curto prazo

Derradeiros dias do dólar?

Onno Wijnholds
19/05/2009 
 

O dólar continuará importante para muitos países para denominar títulos negociados internacionalmente

Zhou Xiaochuan, presidente do Banco do Povo da China, sugeriu recentemente substituir o dólar pelos Direitos Especiais de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma vez que a moeda de reserva dominante traria maior estabilidade ao sistema financeiro global. A ideia de reformar o sistema através da introdução de uma moeda de reserva supranacional é, também, aparentemente apoiada pela Rússia e outros mercados emergentes. Além disso, um comitê consultor presidido pelo prêmio Nobel Joseph Stiglitz tem defendido uma nova moeda de reserva global, possivelmente baseada no DES.

Transformar o padrão dólar num sistema baseado no SDE seria uma importante ruptura com uma política que durou mais de 60 anos. O DES foi introduzido 40 anos atrás para suplementar o que à época foi considerado um nível inadequado de reservas globais e foi subsequentemente sancionado na emenda aos "Articles of Agreement" [estatutos] do FMI como principal ativo de reserva futuro.

O mundo, porém, logo ficou inundado de dólares. Portanto, em vez de se tornar o principal ativo de reserva do sistema global, a proporção de DES nas reservas globais encolheu para uma fração mínima, transformando o DES no equivalente monetário do esperanto.

Apesar de o euro, criado em 1999, ter se revelado um concorrente mais sério para o dólar, sua parcela nas reservas internacionais totais provavelmente ficou abaixo de 30%, na comparação com 65% para o dólar (essas participações são em parte estimativas, já que a China, maior país detentor de reservas do mundo, não informa a composição monetária das suas posições).

Existem duas formas nas quais o papel do dólar no sistema internacional pode ser reduzido. Uma delas é a erosão gradual, determinada pelo mercado, do dólar como moeda de reserva, em prol do euro. Apesar de o papel internacional do euro – especialmente seu uso nos mercados financeiros – ter aumentado desde sua introdução, porém, é difícil imaginar que supere o dólar como moeda de reserva dominante num futuro próximo.

Tal desfecho só seria possível se duas condições fossem satisfeitas: primeira, o Reino Unido ingressa na zona do euro e, segunda, os Estados Unidos cometem erros graves, abaladores da confiança. Esta última condição já pode ter sido parcialmente atendida, mas as políticas dos EUA projetadas para estabilizar o sistema financeiro do país deverão ajudar a evitar uma deterioração de grandes proporções do dólar. Além disso, o Banco Central Europeu tem reiterado que não estimula nem desestimula o papel internacional do euro.

Com a improbabilidade de a hegemonia do dólar ser seriamente minada pelas forças do mercado, pelo menos no curto e médio prazo, a única forma de provocar uma redução substancial no seu papel de moeda de reserva ocorrerá via acordo internacional. A proposta chinesa se insere nesta categoria.

Uma forma de tornar o DES a principal moeda de reserva em prazo relativamente curto seria criando e distribuindo uma quantidade enorme de novos DES aos membros do FMI. Apesar de os líderes do G-20 terem decidido apoiar uma alocação de US$ 250 bilhões em DES, a medida aumentará a participação dos DES no total de reservas internacionais a não mais de 4%. Para tornar o DES o principal ativo de reserva pela via da distribuição, seria preciso criar cerca de US$ 3 trilhões em DES, uma proposição irreal.

Existe uma forma mais realista, porém, para aumentar a importância do DES. Nos idos de 1980, o FMI esteve perto de adotar uma chamada Conta de Substituição de DES. A ideia foi permitir a países cujas posições oficiais em dólares fossem maiores do que lhes agradava a possibilidade de converter dólares em DES. A conversão aconteceria fora do mercado e, assim, não exerceria pressão para baixo sobre o dólar. Países membros receberiam um ativo mais estável que o dólar, já que a moeda estaria baseada num cesto de moedas, proporcionando, assim, melhor proteção contra perdas.

O plano desmoronou quando alguns importantes cotistas do FMI não aceitaram os acordos de divisão do ônus que seriam necessários no caso de perdas decorrentes de oscilações cambiais. Os EUA também perderam interesse no plano à medida que o dólar se fortalecia.

Quais são as probabilidades de se adotar um plano deste tipo atualmente? Os EUA estariam preparados para aderir a uma reforma do sistema monetário internacional que reduzisse o papel do dólar?

Até recentemente, eu teria considerado isto improvável. A mudança da situação internacional e a possibilidade de um surto de grave fragilidade do dólar, porém, poderiam convencer os EUA a aderir a um plano de conversão que aliviasse a pressão excessiva exercida sobre o dólar. Além disso, excetuando-se possíveis considerações políticas, detentores de dólares de grande porte considerariam uma conta substituta atraente, como uma forma de proteção contra intensas oscilações no valor do dólar. Como lidar com possíveis perdas sofridas pela conta de substituição? Isto pode ser resolvido alocando parte do vasto estoque de ouro do FMI.

Mesmo se uma conta de substituição do DES for instituída, é improvável que a parcela do dólar nas reservas internacionais caia a um nível insignificante. O dólar continuará importante para muitos países como um veículo para intervenção em mercados cambiais, bem como para emissão de faturas e para denominar títulos financeiros negociados internacionalmente.

É possível imaginar um sistema no qual as reservas internacionais seriam mantidas em partes praticamente iguais de dólares, euros (presumindo um aumento gradual adicional na sua participação) e DES. Apesar de atualmente existirem outras prioridades, seria proveitoso para o FMI reavaliar uma conta de substituição de DES e planos semelhantes. Caso contrário, o debate acontecerá em outro lugar.

Onno de Beaufort Wijnholds foi diretor executivo do Fundo Monetário Internacional e atuou como representante permanente do Banco Central Europeu nos EUA. © Project Syndicate/Europe´s World, 2009. www.project-syndicate.org

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: