Economy and Society II de José Porfiro – Specific

14 de março de 2007

MICROCRÉDITO

Filed under: Política Econômica — Porfiro @ 11:26 PM
 
29/04/2008
Muhammad Yunus: "O sistema é cego para toda consideração que não seja o lucro"

Neste momento em que o mundo está às voltas com a crise do sistema bancário e com motins da fome, o Prêmio Nobel da Paz em 2006 aponta os limites e as falhas do capitalismo, e preconiza a implantação de um modelo de empresa social que não excluiria mais da vida econômica a maior parte da humanidade

Frédéric Joignot

Ela chamava-se Sufiya Begum. No início dos anos 1980, ela vivia numa casa de terra, no campo, em Bangladesh. Ela fabricava bonitos banquinhos de bambu. O seu marido, um trabalhador diarista, ganhava o equivalente a alguns centavos de euros por dia. Sufiya Begum, que não tinha nenhum dinheiro guardado, vendia todos os seus banquinhos para um mesmo comerciante, que os adquiria em troca de US$ 0,25 a peça e de um pouco de bambu – este era o preço que eles haviam combinado. Um dia, Muhammad Yunus aparece para falar com ela, espantado com o fato de ela ganhar tão pouco. Nesta época, após concluir estudos de economia nos Estados Unidos, o professor Yunus está dominado pela dúvida. Em 1974-1975, Bangladesh foi assolado por uma terrível onde de fome, e, segundo ele mesmo relata, ele achava "cada vez mais difícil ensinar elegantes teorias econômicas sobre o funcionamento supostamente perfeito dos mercados livres, enquanto a morte arrasava [seu] país". Ele decide agir, movido pela determinação de debelar a pobreza na região de Jobra. Ele não entende por que ela é endêmica. Ao conversar com Sufiya Begum, ele se dá conta do que está acontecendo. "Esta mulher estava sendo estrangulada pelo seu credor. Ele a estava condenando a uma espécie de escravidão. Ela lhe dava toda a sua coleção de banquinhos por US$ 0,25 a peça, apenas por que ela não podia comprar o bambu. Ela carecia de um crédito. Então, eu resolvi investigar por minha conta. Descobri que, no total, 42 aldeões dependiam dos credores. Todos eles poderiam viver da sua atividade, se eles pudessem contar com um pequeno investimento. Tudo o que esses 42 trabalhadores precisavam era de US$ 27, no total. Eu tinha esta quantia no meu bolso?" As idéias que motivaram a fundação do Banco Grameen e do micro crédito nasceram desses encontros.

Atualmente, depois de 25 anos de existência, o Grameen Bank e as instituições de microcrédito que existem pelo mundo afora já ajudaram 150 milhões de pessoas a se desvencilharem da pobreza. O professor Yunus obteve, com o Grameen Bank, o prêmio Nobel da Paz em 2006. Já faz vários anos, ele passou a desenvolver paralelamente uma nova iniciativa: a "empresa social". Trata-se de deslanchar atividades econômicas rentáveis, mas cujo objetivo é de proporcionar um benefício social para os excluídos do mundo econômico. Foi assim que ele fundou, em Bangladesh, junto com Franck Riboud, o CEO da Danone, a sociedade Grameen Danone Foods que vende para os habitantes de Bogra iogurtes frescos a preço reduzido, que eles gostariam de comercializar em breve dentro de copinhos comestíveis – e vitaminados. A iniciativa permite lutar contra a desnutrição e as carências alimentares, além de oferecer empregos locais. Se a experiência funcionar, ela será estendida ao país inteiro. "A implantação de pequenas empresas sociais desta natureza poderia generalizar-se", explica o professor Yunus. "Ela abre um novo tipo de mercado, atento para a pobreza e para as necessidades reais, que talvez venha a modificar os nossos fundamentos econômicos".

A reportagem do "Le Monde" entrevistou Muhammad Yunus em Paris, no momento em que o sistema mundial do crédito está enfrentando uma crise histórica e que vários bancos desmoronaram. O medo da recessão está tomando conta dos Estados Unidos, enquanto dezenas de milhares de americanos inadimplentes se vêem empurrados para o olho da rua pelos organismos credores. O que pensa disso o fundador do Grameen Bank, um estabelecimento no qual as taxas de reembolso dos empréstimos são superiores a 95%?
cont……………………………………………………………………….

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Microfinance’s Success Sets Off a Debate in Mexico
 
 
05/04/2008
Sucesso causa problemas para microfinanciadores mexicanos
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2008/04/05/ult574u8358.jhtm
Elisabeth Malkin
Em Villa de Vazquez, no México

Carlos Danel e Carlos Labarthe transformaram uma organização sem fins lucrativos que emprestava dinheiro aos pobres do México em um dos bancos mais rentáveis do país.

Mas em vez de provocar a admiração dos colegas no mundo do microfinanciamento – assim denominado por causa dos empréstimos diminutos que concede -, os co-executivos do Compartamos estão sendo chamados de "penhoristas" e "agiotas".

Eles estão no centro de uma questão acalorada: o microfinanciamento deve transformar-se em um grande negócio?

De um lado estão os microfinanciadores tradicionais, como o economista Muhammad Yunus, fundador da mais famosa instituição de microfinanciamento, o Grameen Bank, e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006. Do outro estão os "Dois Carlos", como são conhecidos neste universo restrito que deu a eles o impulso inicial quando eram apenas idealistas.

 
 
 
A Challenge to the Orthodoxy Concerning Microfinance and Poverty R e d u c t i o n

Ana Marr
Abstract: As a response to many partial and simplistic theoretical and empirical studies, this paper presents a more comprehensive analytical framework to assess the success of microfinance in achieving its dual objectives of financial sustainability and poverty reduction. By giving center stage to the study of group dynamics and using principles of imperfect information and social psychology, the paper argues that microfinance not only has failed to solve the original problems of information asymmetries between borrowers and lenders but also, in its pursuit of financial sustainability, is destroying the very foundations of these schemes by disrupting the social fabric of communities, creating more poverty, and excluding the poorest and most vulnerable from any given group.

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Development Issues

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