Economy and Society II de José Porfiro – Specific

14 de março de 2007

NOBEL II, DA I para II – Teoria dos Jogos

Filed under: Teoria — Porfiro @ 11:34 PM
http://www.bbc.co.uk/portuguese/economia/s…conomiaro.shtml
Atualizado às: 10 de outubro, 2005 – 15h29 GMT (12h29 Brasília)

Uso da ‘Teoria dos jogos’ rende Nobel de Economia

Schelling e Aumann se destacaram com a teoria dos jogos
O americano Thomas Schelling e o israelense Robert Aumann foram declarados nesta segunda-feira os ganhadores do Prêmio Nobel da Economia deste ano.
Os dois são especialistas no uso da chamada teoria dos jogos e vão dividir o prêmio equivalente a US$ 1,3 milhão (R$ 2,9 milhões) oferecido pelo Banco Central da Suécia.

Schelling, de 84 anos, que é professor emérito de economia política da Universidade de Harvard e também leciona na Universidade de Maryland, ganhou projeção pelo uso da teoria dos jogos para explicar tomadas de decisões em conflitos internacionais, como em uma eventual guerra nuclear.

Aumann, de 75 anos, nasceu na Alemanha, mas se mudou para os Estados Unidos em 1938 e tem cidadania israelense e americana. Ele leciona na Universidade Hebraica de Jerusalém e desenvolveu trabalhos na área de negociação, cooperação e resolução de conflitos.

Produtor e usuário

Aumann disse que considerou sua escolha “uma surpresa total” e que espera que seu trabalho possa ser utilizado na resolução de conflitos.

“Acho que a teoria dos jogos dá origem a idéias que são importantes na hora de abordar e solucionar problemas em geral”, disse Aumann.

Por sua vez, Schelling disse que o comitê do Nobel “nos relacionou porque ele (Aumann) elabora a teoria dos jogos, e eu sou alguém que a usa”.

A teoria dos jogos foi desenvolvida pelo matemático húngaro John von Neumann nas décadas de 1940 e 1950 como uma ferramenta para entender o processo de tomada de decisões no mundo real.

Ela utiliza como modelos teóricos situações nas quais várias partes participam de uma negociação, às vezes com acesso desigual a recursos e a informações.

A idéia se desenvolveu em uma teoria matemática sobre estratégias que ajudaria a explicar quando decisões de cooperação com rivais se mostram uma alternativa mais vantajosa.

Em 1994, John Nash, John Harsanyi e Reinhard Selten já haviam ganhado o Nobel de Economia por seus trabalhos nesta área.

Cooperação

A Academia Real de Ciências da Suécia, que concede o Nobel de Economia, disse no comunicado em que anunciou os prêmios que os dois economistas ajudaram a ampliar a compreensão dos processos de cooperação e conflito por meio de análises que usam a teoria dos jogos em problemas do mundo real.

Schelling foi um dos primeiros a utilizar esta teoria no campo das relações internacionais, analisando a corrida nuclear em seu clássico livro The Strategy of Conflict (“A Estratégia do Conflito”).

Ele usou a teoria dos jogos para argumentar que, em uma guerra nuclear, a capacidade de retaliar um ataque é mais importante que a de resistir a um ataque, e que a incerteza de que a retaliação de fato vai acontecer tem mais importância do que a garantia de um contra-ataque.

Tais idéias forneceram o fundamento teórico para a política de contenção mútua entre as superpotências nucleares durante a Guerra Fria e “se mostraram de grande relevância para a resolução de conflitos e os esforços para evitar guerras”, disse o Comitê do Nobel.

Aumann, por sua vez, se concentrou em um aspecto diferente da teoria dos jogos, procurando determinar se a cooperação aumenta caso os jogos sejam repetidos de forma contínua.

Ele teoriza que a cooperação é menos provável quando há vários participantes em um “jogo”, quando as interações não são freqüentes, quando o prazo é curto ou quando as ações dos outros participantes não podem ser observadas com clareza.

“Descobertas relacionadas a essas ações ajudam a explicar conflitos econômicos como as guerras de preços e disputas comerciais, assim como por que algumas comunidades são mais bem-sucedidas do que outras na gestão de recursos comuns”, disse o Comitê do Nobel.

 

 

http://www.vermelho.org.br/diario/2005/1011/1011_nobel.asp
11 de outubro de 2005

Academia
Nobel de Economia vai para clássicos da teoria dos jogos

O economista norte-americano Thomas Schelling e o matemático israelense-americano Robert Aumann foram agraciados ontem (10) com o Prêmio Nobel de Economia por suas aplicações da teoria dos jogos à análise de estratégias em situações de conflitos e às vantagens da cooperação em relação ao confronto em relações de longo prazo. Eles são considerados autores clássicos da teoria dos jogos, que elaboraram, segundo eles, tanto com contribuições formais quanto com aplicações a campos concretos das ciências econômicas e sociais.
Schelling, de 84 anos e professor emérito das universidades de Maryland e Harvard, é autor do livro intitulado The strategy of conflict (A estratégia do conflito), publicado em 1960. Nessa obra, Schelling analisa a corrida armamentista durante a Guerra Fria e demonstra que há situações nas quais a capacidade de exercer represálias é mais eficaz para intimidar o adversário do que a possibilidade de resistir a um ataque.

Centro da obra
Além disso, Schelling disse que uma ameaça imprecisa é mais eficaz, e mais crível, do que uma ameaça concreta, e ampliou suas conclusões a outros campos, como as estratégias competitivas de empresas. Também partindo da análise da Guerra Fria, Schelling disse que, através de concessões de curto prazo, podem ser obtidas vantagens de longo prazo, por exemplo, criando um clima de confiança que permita passar do conflito à cooperação.
Este último aspecto do livro de Schelling foi formalizado mais recentemente pelo economista alemão Reinhard Selten, que ganhou o Prêmio Nobel em 1994. A questão da cooperação está no centro da obra do outro premiado. Aumann, cidadão norte-americano e israelense nascido em 1930 em Frankfurt, na Alemanha, foi um pioneiro na análise dos "jogos de repetição infinita" para explicar em que condições torna-se frutífera a cooperação de grupos, pessoas ou países.
A análise de Aumann, segundo ele mesmo, ajuda a explicar por que, quando os atores só conseguem levar em conta o curto prazo, originam-se conflitos, como as guerras de preços e comerciais. Enquanto Schelling se caracteriza por introduzir idéias originais nas análises econômicas com mínimos instrumentos matemáticos, Aumann usa a matemática para desenvolver hipóteses e dar-lhes uma formulação precisa.

Análise de impacto
Aumann observou que a cooperação costuma ser "uma solução de equilíbrio" em jogos repetitivos de longo prazo entre grupos ou pessoas que, no curto prazo, têm fortes conflitos de interesses. Um exemplo, segundo ele, se encontra na cooperação entre empresas que concorrem por um determinado mercado, mas que estão interessadas na manutenção de um alto nível de preços no longo prazo.
Outra "contribuição" de Aumann à teoria dos jogos, mencionada pela Academia de Ciências Sueca na justificação dos prêmios, é a inclusão da análise do impacto, sobre os diversos aspectos dos jogos, do conhecimento que cada uma das partes tem. Isso inclui o conhecimento do que a outra parte sabe, ou não sabe. Trata-se de um aspecto que pode ser decisivo para tomar decisões. Aumann propõe, por exemplo, que os grupos se tornarão mais dispostos a cooperarem entre si, quanto mais vezes forem forçados a enfrentarem uma mesma situação.

Perfis diferentes
Numa área de pesca, por exemplo, cada barco terá o ímpeto de, no curto prazo, obter o máximo de peixes possível, em detrimento de seus concorrentes. Mas, se a quantidade de peixes for limitada e a área for a única fonte de sobrevivência dos pescadores, a tendência de longo prazo será o surgimento de padrões de colaboração e racionalização da pesca. Nos primórdios da teoria dos jogos, a análise costumava ser simplificada com a premissa de que cada uma das partes sabia tudo acerca do jogo.
Segundo a Academia, apesar de Aumann e Schelling possuírem perfis diferentes como acadêmicos, seus estudos têm em comum não apenas o fato de eles terem ampliado as possibilidades da teoria dos jogos, mas também de terem conseguido criar, por meio delas, uma ponte entre a economia e outras ciências sociais e de comportamento. O prêmio, chamado oficialmente Prêmio do Banco da Suécia em memória de Alfred Nobel, será entregue junto com os demais reconhecimentos em 19 de dezembro, aniversário da morte de seu fundador.

Com agências internacionais

 

 

Thomas Schelling

Para ler Jon Elster: limites e possibilidades da explicação por mecanismos nas ciências sociais
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci…582003000200007

To read Jon Elster: limits and possibilities of explanation by mechanisms in the social sciences

Pour lire Jon Elster: limites et possibilités de l’explication par des mécanismes dans les sciences sociales

José Luiz de Amorim Ratton Júnior; Jorge Ventura de Morais

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ABSTRACT

The article aims to investigate and discuss not only the innovations but also the limitations, tensions, and gaps in Jon Elster’s methodological concepts, characterized by a type of intentional-causal explanation whose premise is methodological individualism and which chooses the search for explanatory mechanisms as the fundamental analytical strategy. The Norwegian author’s theoretical trajectory is reconstructed and articulated with his ”methodology of explanation”. Next, this ”methodology of explanation” is submitted to analysis by raising and discussing some objections to this approach, as well as answers to such questions that can be found in Elster’s work.

Key words: Jon Elster; explanation; mechanisms

As ciências sociais e a explicação por mecanismos: um novo enfoque metodológico?
Jorge Ventura de Morais, UFPE, e José Luiz Ratton, UFPE
http://www.anpocs.org.br/encontro/1999/99gt19.htm

 

http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/3972
ESPECIAIS – PRÊMIO NOBEL 2005: ECONOMIA

Maior alcance para a teoria dos jogos
Premiados desenvolveram conceitos que aproximaram a economia das outras ciências sociais

Dois pesquisadores dividirão o Nobel de Economia deste ano, por importantes contribuições para a teoria dos jogos. Os premiados são o norte-americano Thomas C. Schelling e Robert J. Aumann, nascido na Alemanha e naturalizado norte-americano e israelense. Eles desenvolveram novos conceitos e ferramentas analíticas que permitiram ampliar o alcance da teoria dos jogos e contribuíram para diminuir a distância entre a economia e outras ciências sociais.
As contribuições de ambos ajudaram a entender questões ligadas a situações de conflito e cooperação em situações que podem ser interpretadas à luz da teoria dos jogos. Surgida nos anos 1940, essa teoria investiga a forma como indivíduos interagem e tomam decisões. Embora seu nome remeta a um universo lúdico, os “jogos” em questão são na verdade uma representação abstrata de situações nada infantis que envolvem diferentes agentes com interesses conflitantes. A teoria dos jogos recorre a modelos matemáticos para descrever a interação entre esses atores e tem sido muito útil na economia e em outras ciências sociais aplicadas.
A paternidade da teoria dos jogos é atribuída ao matemático húngaro John von Neumann (1903-1957) e ao economista austríaco Oskar Morgenstern (1902-1976) – ambos naturalizados norte-americanos. Em 1944, eles publicaram o livro Teoria dos jogos e comportamento econômico, considerado o marco inicial desse campo. Outro matemático que deu contribuições fundamentais para essa teoria foi o norte-americano John Nash, agraciado com o Nobel em 1994, que ele dividiu com outros dois pensadores. Desde então, essa teoria se estabeleceu como um campo de pesquisas, tanto que ganhou um periódico acadêmico próprio, fundado em 1972 por Morgenstern.
Os laureados deste ano contribuíram para o desenvolvimento da teoria dos jogos nas décadas passadas e para o estabelecimento de seu papel central na teoria econômica. Nos anos 1960, Thomas Schelling começou a aplicar métodos da teoria dos jogos para questões ligadas à corrida armamentista que marcou os anos da Guerra Fria. Essas ferramentas teóricas ajudaram-no a definir os fatores que poderiam influenciar as decisões tomadas pelos países envolvidos, e são úteis na definição de estratégias para a resolução de conflitos. Seus resultados foram publicados no livro A estratégia do conflito, de 1960, que logo se tornou um clássico.
Schelling trabalhou também com questões que envolviam a cooperação de indivíduos em situações sem conflitos de interesse. Ele investigou ainda a forma como o comportamento de diferentes indivíduos se confronta na esfera social – tema de Micromotivos e macrocomportamento, de 1978. Nessas obra, o economista desenvolveu um modelo que explica a emergência da segregação (de natureza racial ou sexual, por exemplo) a partir dos comportamentos individuais.
Já Robert Aumann se interessou pelos chamados jogos repetidos – em que os participantes interagem reiteradas vezes ao longo de um extenso período de tempo. Ele mostrou que a cooperação pacífica é freqüentemente uma solução de equilíbrio em jogos desse gênero, mesmo entre participantes com interesses divergentes. Ao lado de Michael Maschler, estabeleceu a teoria dos jogos repetidos com informações assimétricas, nos quais um dos participantes tem mais informações do que os outros sobre alguns aspectos do jogo – como a força militar de um país, por exemplo. Essa teoria se tornou uma referência para questões de cooperação nas ciências sociais.
O matemático propôs ainda uma solução para um problema importante na teoria econômica, que envolve a modelagem de uma economia de competição perfeita. “Aumann observou que um modelo com um número finito de participantes não é adequado para uma economia desse tipo”, explica a matemática Marilda Sotomayor, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP). Ele propôs então um modelo com um contínuo de participantes, mais próxima da situação real, onde existe um número grande mas finito de agentes envolvidos. “A introdução desse ‘contínuo’ permitiu uma análise precisa e rigorosa de situações onde o tratamento por métodos finitos seria muito mais difícil ou mesmo impossível”, avalia a matemática.
Aumann já esteve no Brasil a convite de Sotomayor, onde ofereceu um curso de jogos cooperativos.
"Ele é bastante comunicativo e carismático, gosta de praticar esportes e é muito religioso", conta ela. "Trata-se sem dúvida de um dos maiores pensadores de todos os aspectos da racionalidade na tomada de decisões. Ele tem promovido uma visão unificada do domínio do comportamento racional, que abrange áreas como economia, ciência política, biologia, psicologia, matemática, filosofia, ciência da computação, direito e estatística."

Confira todos os ganhadores do Nobel 2005
http://cienciahoje.uol.com.br/3918

Bernardo Esteves
Ciência Hoje On-line
10/10/05

Robert J. Aumann nasceu em 1930, em Frankfurt, na Alemanha, e tem nacionalidade norte-americana e israelense. Após graduar-se em matemática pelo City College of New York, obteve mestrado (1952) e doutorado (1955) na mesma área, pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).Em seguida, mudou-se para Israel, onde tornou-se professor da Universidade Hebraica de Jerusalém – cargo que ainda exerce. Já foi também professor visitante das universidades Yale e Princeton, nos EUA, e de Tel Aviv, em Israel, entre outras.

Thomas C. Schelling nasceu em 1921 em Oakland (EUA). Graduou-se em 1944 pela Universidade da Califórnia em Berkeley e doutorou-se em economia em 1951 pela Universidade Harvard. Trabalhou na implementação do Plano Marshall em Paris e Copenhague e atuou como assessor da Casa Branca nos anos 1950. Após lecionar na Universidade Yale, vinculou-se à Universidade Harvard. É atualmente professor emérito desta instituição e da Universidade de Maryland.

 

 

 

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