Economy and Society II de José Porfiro – Specific

16 de março de 2007

CHINA – LEI PROPRIEDADE + Matéria de Jornais

Filed under: Política Econômica — Porfiro @ 10:19 AM

 Financial Times – 09jan2008 – Rússia e China mostram a face não liberal do capitalismo

The New York Times – 05jan2008

Nas fábricas chinesas, dedos perdidos e baixos salários  [In Chinese Factories, Lost Fingers and Low Pay – January 5, 2008]

 

TRADE AND WAGES, RECONSIDERED

 

Economics focus

Krugman’s conundrum

Apr 17th 2008
From The Economist print edition

The elusive link between trade and wage inequality

 

Paul Krugman on trade and wages

Here is his new paper, but start first with this Mark Thoma summary, and two graphs from Brad DeLong.  The main point is that some U.S. imports may be more labor-intensive and less skill-intensive than previous classifications had indicated.  Here is one key paragraph (p.20):

But what are we to make of NAICS 334, Computer and Electronic Products? In U.S. data it ranks as the most skill-intensive of industries, yet it is also an industry in which more than three-quarters of imports come from developing countries, especially China.

If these sectors count as "importing labor," we can find that trade is creating more downward pressures on U.S. wages than we had thought. 

I don’t think Krugman is quite right to claim: "the apparent sophistication of imports from developing countries is in large part a statistical illusion."  I would sooner say that China and some other Asian countries are specializing in new (and sophisticated) techniques of cooperation, made possible by long-term historical investments in human capital and social norms.  At least in certain sectors, they are combining complementary labor inputs, with complementary capital inputs, more effectively than before; it’s hard to explain that change in the impoverished vocabulary of the substitution-obsessed Heckscher-Ohlin model.  The skill is in the combination not in the people themselves.  "Capital-intensive" vs. "labor-intensive" or "skilled" vs. "unskilled" are not simple either/or questions.   

 

The New York Times – 01jan2008

China se transforma na chaminé do mundo – parte 1
China se transforma na chaminé do mundo – parte 2
China se transforma na chaminé do mundo – parte 3

The New York Times  – 08dez2007

Caminhões movimentam a economia da China a um custo sufocante – parte 4
Caminhões movimentam a economia da China a um custo sufocante – parte 3
Caminhões movimentam a economia da China a um custo sufocante – parte 2
Caminhões movimentam a economia da China a um custo sufocante – parte 1

Le Monde 15dez2007

China permanece inflexível em relação à revalorização do yuan

A PetroChina, braço-armado do governo chinês no setor energético (05dez2007)

A Índia e o Japão querem consolidar o seu comércio para fazer frente à China (07nov2007)

16dez2007

Crescimento sufocante: na indústria de frutos do mar da China, água suja e peixes perigosos

24dez2007

Revisionismo e história: porque a pobre China parece ser mais rica do que é

16/10/2007 – El Pais


Comunistas chineses se agarram ao poder
Corrupção ameaça a sobrevivência do Partido Comunista Chinês
China procura o sucessor de Hu Jintao

Na nova China, novas antiguidades (Estadão, 29-04-2006 + dois artigos)

Em grande mudança, EUA imporão tarifas sobre a China (NYT, 31-03-2007)

Neste bravo mundo novo, o crescimento exagerado da Chíndia (FT, 21-03-07)

Eduardo Matarazzo Suplicy: A China depois de amanhã (fsp, 11-03-2007) Na parte do pac há mais sobre china.

Estados Unidos são diplomáticos quando discutem o poderio militar da China – Hearst Newspapers – 12mar2007

Does Communism Work After All? (Der Spiegel) – muito comentado, February 27, 2007

"The Chinese Miracle Will End Soon" (Der Spiegel)

China’s Poison for the Planet (Der Spiegel)

Cheap, Cheerful and Chinese? (Der Spiegel)

Fábrica de papel se transforma em campo de batalha comercial entre Estados Unidos e China (nyt, 02-03-07)

China tenta conter a degradação ambiental e busca desenvolvimento sustentável (El Pais, 06-03-07)

Berlin bureau Chief of Der Spiegel discusses economic impact of China (Der Spiegel)

Rafael Poch, em Pequim, Fantasias da China rica (La Vanguardia, 03-01-2007)

China responsabiliza o Ocidente pelo aquecimento global
 (NYT, 07-02-07)

Joint venture brasileira leva a briga têxtil para a China (Financial Times, 01-02-07) 

Estrada de ferro para o Tibete é apenas um entre muitos grandes projetos (Cox Newspapers)

Enquanto a China reconstrói a Estrada da Seda, vai modificando sua região oeste (Cox Newspapers)

Em Xangai, os podres ocultos do capitalismo vermelho (Le Monde, Mídia Global, 24-10-2006)

Consumidores estão matando o Estado do bem-estar social (Der Spiegel, 31-10-06)

Uma baixa causada pela globalização: a morte dos sindicatos (Der Spiegel, 28-10-06)

Artigo: Globalização reduz salário de trabalhador do Ocidente (FSP.05-11-05, será qe é diferente do de baixo?- Samuel Brittan, Financial Times)

Como a globalização reduz os salários do Ocidente (Der Espiegel, 17-10-06)

O caminho da China para a modernidade, espelhado em um rio em apuros (NYT, 19-11-2006)

Na ânsia de exportar, a China coloca os lucros acima da vida humana (Der Espiegel, 19-10-06)

Um argumento a favor da zona de livre comércio transatlântica (05-01-2007) – Gabor Steingart – texto…..

Por uma zona de livre comércio transatlântica (Der Espiegel, 21-10-06)

Classe média dos Estados Unidos é o primeiro grupo derrotado pela globalização (Der Spiegel, 25-10-06)

Uma nação-estado é capaz de salvar o mundo? (Der Spiegel, 27-12-2005 – três artigos)

Camponês é acionista em vila chinesa Folha de são Paulo, 19-03-07

Huaxi, a mais rica comunidade rural da China, fatura US$ 5 bilhões ao ano com fábricas em regime de cooperativa

Secretário-geral do PC local diz que região avançou porque não seguiu a Revolução Cultural nem formou comunas maoístas

CLÁUDIA TREVISAN
EM HUAXI

Sun Haiyen faz parte da legião de 700 milhões de chineses que as estatísticas oficiais classificam como camponeses, mas vive em uma casa de estilo europeu de 600 metros quadrados equipada com enormes televisões de tela plana nos quartos, três banheiras de hidromassagem e decoração que abusa de dourados e brocados.
Há 15 anos, Sun trocou sua cidade natal por Huaxi, a mais rica vila rural da China, que o governo elegeu como modelo a ser seguido no restante do país.
Hoje, ele integra a elite de 1.500 moradores que vivem em bairros inspirados nos subúrbios norte-americanos e que possuem renda per capita de US$ 10 mil, quase seis vezes a média da China.
Apesar de ser chamada de "vila rural", Huaxi deve sua riqueza a um conglomerado de 60 fábricas, criadas principalmente nas duas últimas décadas. Reunidas em um parque industrial, elas dão à paisagem local um tom que em nada lembra a bucólica vida no campo. As fábricas empregam 25 mil pessoas e, segundo os dirigentes locais, faturaram no ano passado US$ 5 bilhões.
A vila é a mais rica da China, mas não é a única na qual proliferam as fábricas. Há milhares de outras como Huaxi e, juntas, elas respondem por uma parcela expressiva da produção industrial, das exportações e do emprego no país.
Chamadas de Empresas de Cantão e de Povoado (TVEs, na sigla em inglês), essas fábricas não são nem estatais nem privadas e têm um sistema de propriedade que lembra o das cooperativas -em Huaxi, os camponeses são acionistas das companhias e recebem dividendos anuais.
Em 2004, as TVEs empregavam 133 milhões de pessoas, o equivalente a 18% da força de trabalho da época.
Como as outras vilas que se dedicam à produção industrial, Huaxi se desenvolveu de maneira mais acelerada depois do início do processo de reforma e abertura, no fim dos anos 70. Localizada a cerca de 200 quilômetros de Xangai, a vila se dedica à fabricação de papel, tecidos sintéticos, metalurgia e siderurgia -a produção de aço é de 900 mil toneladas/ano.
Todos os moradores de Huaxi trabalham nas empresas, mas a maior parte da mão-de-obra é composta por migrantes rurais, que moram em alojamentos e ganham pouco mais de US$ 100 por mês.
Em seu processo de expansão, Huaxi absorveu outras 20 vilas rurais e hoje tem uma população de 50 mil pessoas, a maioria das quais com um padrão de vida bastante inferior ao dos 1.500 morados da chamada "pequena Huaxi".
O cacique político local é Wu Rengbao, 80, venerado como herói e apontado como responsável pela prosperidade dos camponeses. Secretário-geral do Partido Comunista em Huaxi desde os anos 50, há quatro anos ele transferiu o posto ao filho mais novo, Wu Xieen.
O culto à personalidade de Wu Rengbao é evidente. Fotos de diferentes fases de sua vida ilustram as paredes do museu que conta a trajetória de Huaxi -o turismo é outra fonte de renda da vila, que recebe 2 milhões de visitantes por ano (ver texto na página ao lado). Todos se referem a ele com reverência e suas atividades oficiais são registradas pelo departamento de propaganda de Huaxi.

Salto hetedoxo
"O nosso maior desejo é o povo enriquecer e levar uma vida cada vez melhor", disse Wu Rengbao à Folha. Segundo ele, Huaxi prosperou por ter evitado os dois erros históricos do Partido Comunista da China: o Grande Salto Adiante (1958-1960), que matou 30 milhões de pessoas de fome, e a Revolução Cultural (1966-1976).
Wu afirma que Huaxi não se organizou como uma comuna durante o Grande Salto Adiante, contrariando a orientação oficial. E, enquanto qualquer vestígio de capitalismo era combatido na Revolução Cultural, a vila criava uma fábricas clandestina de parafusos.
Quando Deng Xiaoping propôs a adoção de leis de mercado, em 1978, Huaxi saiu na frente, diz Wu. No ano passado, a vila começou a treinar 50 mil dirigentes de outras localidades com o objetivo de melhorar suas habilidades de liderança.
Na avaliação de Wu, uma das vantagens do modelo de Huaxi é a mescla entre coletividade e individualismo. "Se as empresas fossem estatais, não haveria competitividade e os empregados ficariam preguiçosos." No sistema de propriedade coletiva, os camponeses são ao mesmo tempo empregados e acionistas, observa.
Apesar de formalmente aposentado, Wu continua a ser a autoridade máxima em Huaxi e fala da vila como seu próprio negócio. "Sou conservador", diz, em referência à origem do capital que viabilizou os investimentos nas fábricas. Segundo ele, os recursos vieram dos próprios camponeses e não de empréstimos bancários.
A expansão do capital foi impulsionada por um sistema que obriga os camponeses a reinvestirem 80% de tudo o que ganham a título de salários, bônus e dividendos.
Wu afirma que os habitantes de Huaxi possuem tudo o que um homem pode desejar: dinheiro, carro, casa, filho e respeito -a vila distribuiu 800 carros para os moradores nos últimos dois anos e as novas casas foram concluídas em 2005.
O elogio da riqueza é acompanhado de juras de fidelidade ao Partido Comunista, refletidas no hino de Huaxi, composto por Wu Rengbao: "O céu de Huaxi é o céu do Partido Comunista; a terra de Huaxi é a terra do socialismo".

Huaxi é misto de "Show de Truman" e templo do kitsch

Vila chinesa recebe 2 milhões de turistas por ano, que visitam réplicas de edifícios ocidentais e estátuas de líderes comunistas

Ponto alto é montanha com recriações do Arco do Triunfo de Paris, a entrada da Cidade Proibida em Pequim e a Casa Branca

Cláudia Trevisan/Folha Imagem

Na rica Huaxi, reprodução de ícones arquitetônicos; à direita, réplica do Arco do Triunfo

EM HUAXI

A vila de Huaxi provoca no visitante ocidental a sensação de entrar em uma mescla de "Show de Truman", com seus subúrbios perfeitos, e uma versão oriental de realismo fantástico, materializado na reprodução de monumentos célebres e na praça que reúne estátuas dos heróis da Revolução Comunista e de personagens religiosos, como Buda e Cristo.
A cada ano, Huaxi recebe a visita de 2 milhões de pessoas, atraídas pela fama de prosperidade do local e atrações construídas para o desenvolvimento da indústria do turismo.
O ponto alto é a montanha que fica ao norte, que reúne construções que reproduzem o Arco do Triunfo de Paris, a entrada da Cidade Proibida, em Pequim, a Casa Branca com uma Estátua da Liberdade no topo e duas outras construções que, segundo o guia, são cópia de edifícios de Roma e Viena. Outra montanha exibe uma recriação da Muralha da China, com 10 quilômetros .
A "pequena Huaxi", onde mora a elite local, parece um rico subúrbio de cidade americana, mas entre as casas está uma reprodução do teatro de Sidney, na Austrália.
A praça central é cercada por edifícios em forma de pagode, que abrigam escritórios, um centro de convenções, um hotel e um teatro, onde se apresenta o grupo artístico local -dirigido por Wu Rengbao, o líder máximo de Huaxi.
No centro da praça está um sino de 145 toneladas -o maior do mundo, diz o guia. Para fazer soar o sino, os turistas têm de pagar o equivalente a US$ 12.
Em um dos lados da praça estão estátuas brancas e enormes de cinco fundadores da China comunista, com Mao Tsé-tung ao centro, todas com lenços vermelhos amarrados no pescoço. Heróis da revolução ocupam outros dois lados, enquanto estátuas de figuras religiosas se espalham nos arredores, incluindo imagens de Buda e um Cristo de braços abertos.
Visitada freqüentemente por autoridades, incluindo o presidente Hu Jintao, Huaxi tem oito casas de luxo para hóspedes "VIPs". Cada uma com três andares, elevador e banheiros enormes equipados com banheiras de hidromassagem.
A decoração é em estilo clássico europeu com toques chineses -as portas, por exemplo, são vermelhas e douradas. Os não "VIPs" podem se hospedar nas casas, desde que paguem diária equivalente a US$ 1.200. (CLÁUDIA TREVISAN)

16/03/2007 – 09h36

China aprova sua primeira lei sobre propriedade privada

Por Joelle Garrus

PEQUIM, 16 mar (AFP) – Depois de anos de debates e controvérsias, a China finalmente aprovou sua primeira lei sobre propriedade privada, com exceção da terra, que continua sendo domínio do Estado.

Durante os debates sobre o tema, vários dirigentes explicaram que a nova lei é "compatível com o sistema socialista".

"O sistema de propriedade socialista do modo chinês está determinado pelo sistema econômico socialista de base e é, por essência, diferente do sistema de propriedade capitalista", declarou na semana passada Wang Zhaoguo, vice-presidente do Comitê Permanente da ANP.

A lei, adotada pelo Parlamento do Povo que encerrou sua longa sessão anual nesta sexta-feira, visa a proteger a propriedade coletiva, pública e privada, apesar de os meios de comunicação estatais continuarem colocando o bem público no coração do sistema econômico.

Apresentada pela primeira vez em 2002 ao comitê permanente da Assembléia Nacional Popular (ANP, Parlamento), depois de anos de preparação, passou por sete leituras antes de ser submetida a votação e aprovada por 2.299 votos a favor e 52 contra.

A votação da lei de propriedade privada acontece três anos depois de uma primeira votação histórica do Parlamento, que garantiu a proteção da propriedade privada na Constituição.

O texto, com 247 artigos, que deve entrar em vigor no dia 1º de outubro, estipula principalmente que "a propriedade do Estado, coletiva, individual (…) está protegida por lei e ninguém pode questioná-la", destacou a agência Nova China.

Um pequeno setor do Partido Comunista rejeitou o projeto por considerá-lo muito capitalista ao consagrar os direitos individuais. Outros opositores argumentavam que permitirá a alguns, principalmente os funcionários corruptos, proteger os bens dos quais se apoderaram.

Seus partidários, no entanto, destacam a necessidade de esclarecer os direitos de propriedade em um Estado que continua sendo comunista, apesar de, na prática, as reformas econômicas, lançadas em 1978, terem acabado há tempos com a coletivização maoísta.

Os analistas enfatizaram que a lei também era inevitável e indispensável para o desenvolvimento do país.

"É necessário que a propriedade legal esteja bem protegida para que as pessoas tenham vontade de criar mais riqueza e que a China continue com seu desenvolvimento econômico", comentou Jiang Ping, ex-presidente da Universidade de Ciências Políticas e Direitos da China.

"Uma lei sobre propriedade privada é a marca de uma sociedade civilizada. Não podíamos nos abster disso", estimou, por sua vez, Yan Jinrong, professor da Universidade de Pequim.

Mas a lei não soluciona um problema crucial da China moderna: a ausência dos direitos dos camponeses sobre as terras que exploram, que são propriedade da coletividade, e das quais, às vezes, são espoliados.

No entanto, para tentar protegê-los um pouco mais das desapropriações, a lei reafirma que os projetos de construção das terras cultiváveis estão "estritamente restringidos".

Lei fiscal
O Parlamento chinês também adotou uma lei de harmonização fiscal que acaba com os privilégios fiscais das empresas estrangeiras em relação às companhias nacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008.

A lei, que prevê um imposto único de 25%, foi adotada por quase 98% dos delegados da Assembléia Nacional Popular (ANP, Parlamento), ou seja, 2.826 votos a favor, 37 contra e 22 abstenções, informou a agência oficial de notícias Nova China.

As empresas estrangeiras pagam em média 15% de imposto, contra um índice teórico de 33% das empresas chinesas.

A lei fixa um período transitório de cinco anos para as empresas de capital estrangeiro e prevê a manutenção de uma taxa preferencial de 15% para o setor de alta tecnologia.

Segundo os cálculos preliminares do Ministério das Finanças, a passagem de uma taxa de 15% para 25% para as empresas com capital estrangeiro representa uma arrecadação suplementar de 43 bilhões de iuanes (US$ 5,6 bilhões).

 
 
16/03/2007 – 08h17
China aprova histórica lei sobre propriedade privada

Rui Boavida, da Agência Lusa

Pequim, 16 Mar (Lusa) – O Congresso do Povo (Parlamento chinês) aprovou nesta sexta-feira uma histórica lei que garante igual proteção às propriedades públicas e privadas por parte do governo central da China, e anunciou ainda uma lei que acaba com benefícios concedidos às empresas estrangeiras no país.

A aprovação da nova lei de propriedade privada demorou menos de um minuto, com 2.799 legisladores votando a favor, 52 contra, 37 abstenções e um voto nulo. A rapidez da votação não fez com que fosse esquecido, no entanto, o fato de que a lei de propriedade privada foi alvo de um dos maiores debates da história do Partido Comunista Chinês, com um pequeno e influente grupo de membros da legenda contestando possíveis alterações jurídicas.

Alguns consideram a lei aprovada nesta sexta uma ameaça ao papel principal do Estado na economia e na sociedade, em um país ainda formalmente socialista.

Os setores mais ortodoxos do PC opõem-se também à lei por considerarem que esta abre as portas a um processo de privatização sem limites de bens do Estado, aumentando o fosso entre os mais ricos e mais pobres.

Os mais radicais também defendem que a lei vai permitir aos funcionários estatais corruptos manter a posse de bens adquiridos de forma ilegal.

Durante a sessão do ano passado do Congresso do Povo, mais três mil ex-ministros, militares superiores na reserva e líderes regionais firmaram uma carta aberta de oposição à lei da propriedade privada, que sempre foi um dos temas mais polarizadores entre as alas liberal e ortodoxa do Partido Comunista.

A força da oposição e a posição ambígua de lideranças chinesas quanto à idéia de propriedade privada no país fizeram com que o projeto de lei, muito revisto, tivesse passado por discussões legislativas por mais de 14 anos, com nada menos que sete leituras no Congresso do Povo.

Este número não possui precedentes em uma Casa que tem um papel sobretudo cerimonial e que nunca rejeitou qualquer projeto de lei, orçamento ou documento que o governo tivesse submetido à aprovação dos legisladores.

A lei de propriedade privada, de 247 artigos e 40 páginas, deverá entrar em vigor em 1º de outubro de 2007, e estipula que "a propriedade do Estado e da coletividade, do indivíduo e de outros proprietários, é protegida por lei", e que "nenhuma unidade ou indivíduo pode infringir este direito".

Ineditismo

Esta é a primeira vez que a China estipula a mesma proteção entre propriedades estatais e privadas, em um projeto aprovado na reunião de encerramento da sessão plenária anual do Congresso do Povo, que teve início em 5 de março.

A lei reconhece assim a importância cada vez maior do setor privado chinês, desde as reformas econômicas realizadas no final da década de 1970. A iniciativa privada já representa cerca de 65% do Produto Interno Bruto (PIB) e cerca de 70% das receitas fiscais do Estado.

A lei de propriedade privada evidencia também uma cisão rara dentro do Partido Comunista, único no poder, e reconhece a força das classes médias urbanas.

A nova legislação tem como um dos objetivos principais proteger os direitos dos proprietários de casas nas cidades, onde a taxa de respeito à propriedade privada é superior a 80%. Até agora, investimentos no setor imobiliário eram realizados sob regras pouco claras quanto à proteção da propriedade.

Agricultores

Ao regulamentar também provisões específicas quanto à expropriação de terra e posteriores compensações, a nova legislação poderá ser usada para defender os interesses dos agricultores, a classe social mais pobre da China, dando a eles ferramentas legais para salvaguardarem seus direitos.

Em um dos mais difundidos esquemas de corrupção no país, as autoridades locais obrigam freqüentemente os agricultores a cederem suas terras com baixas remunerações, para depois as venderem por preços muito mais elevados visando a um processo de desenvolvimento de infra-estruturas, parques industriais e projetos imobiliários.

Novo regime fiscal

A segunda lei aprovada no plenário do Congresso do Povo, a nova lei fiscal, aumenta de 15% para 25% os impostos sobre rendimentos de empresas estrangeiras, enquanto reduz de 33% para 25% a carga fiscal sobre as chinesas.

O novo regime fiscal entrará em vigor em 1º de janeiro de 2008, mas será aplicado de forma gradual em cinco anos, segundo o Ministério chinês das Finanças.

 

16/03/2007 – 01h14
China vota fim de privilégios fiscais para empresas estrangeiras

PEQUIM, 16 mar (AFP) – O Parlamento chinês adotou nesta sexta-feira uma lei de harmonização fiscal que acaba com os privilégios fiscais das empresas estrangeiras em relação às companhias nacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008.

A lei, que prevê um imposto único de 25%, foi adotada por quase 98% dos delegados da Assembléia Nacional Popular (ANP, Parlamento), ou seja, 2.826 votos a favor, 37 contra e 22 abstenções, informou a agência oficial de notícias Nova China.

As empresas estrangeiras pagam em média 15% de imposto, contra um índice teórico de 33% das empresas chinesas.

A lei fixa um período transitório de cinco anos para as empresas de capital estrangeiro e prevê a manutenção de uma taxa preferencial de 15% para o setor de alta tecnologia.

Segundo os cálculos preliminares do Ministério das Finanças, a passagem de uma taxa de 15% para 25% para as empresas com capital estrangeiro representa uma arrecadação suplementar de 43 bilhões de iuanes (5,6 bilhões de dólares).

Já a queda na arrecadação dos impostos contra as empresas chinesas deve ser da ordem de 130 bilhões de iuanes.

A padronização foi apresentada pelo governo como uma medida para uma "competição justa" entre as empresas, e estava prevista no processo de adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Política
Reformas sem rupturas (Veja, revista)

Em 1º de outubro de 1949, Mao Tsé-tung apareceu vitorioso na praça da Paz Celestial para decretar a vitória de sua revolução comunista: "O povo chinês enfim se levantou". A criação da República Popular da China encerrava mais de um século de conflitos internos e invasões por forças estrangeiras, decretando o nascimento do que Mao chamava de "uma nova China". Mais de 50 anos depois, a peça central da terceira geração de líderes, o presidente Jiang Zemin, discursava no congresso do Partido Comunista da China, entregando à quarta geração de comandantes do país mais populoso do mundo o poder e um desafio: sustentar o espantoso crescimento conquistado desde a abertura da economia e, ao mesmo tempo, manter vivos os princípios defendidos pelo camarada Mao em seu discurso de meio século antes.

No congresso da transição de poder, realizado em novembro de 2002, Jiang anunciou que o partido passaria a aceitar ricos capitalistas em suas fileiras, mas rejeitou qualquer mudança no sistema político do país, como a adoção de uma democracia pluripartidária. Diante de 2.114 delegados do partido reunidos no Grande Salão do Povo, o presidente discursou por 90 minutos, divulgando um documento de 98 páginas com as novas diretrizes políticas do país.

Sem democracia – A aproximação com os capitalistas foi justificada por Jiang pela necessidade de adaptar a China aos novos tempos. "Nós devemos avançar, ou ficaremos para trás", defendeu. "Precisamos admitir no partido elementos das altas camadas que aceitam o programa do partido. Desta forma, nós poderemos aumentar a influência e a força de nosso partido entre a sociedade civil."

As metas estabelecidas por Jiang incluíam novas reformas no mercado de trabalho e nas políticas econômicas do país, além do crescimento da economia em até quatro vezes até 2020. O líder chinês ressaltou que, apesar da adoção de doutrinas capitalistas, o país "jamais deve copiar os modelos políticos do Ocidente", descartando qualquer mudança em direção à democracia ampla e irrestrita.

No mesmo encontro, o vice-presidente do Partido Comunista, Hu Jintao, então com 59 anos, foi eleito o futuro líder. Pela primeira vez desde a criação do partido, em 1949, a transição de poder foi pacífica e ordeira, conduzida pelo atual presidente e aceita pelos delegados durante a cerimônia de encerramento de seu congresso. Se depender de Jiang, contudo, a histórica reforma nos cargos do governo não deverá afetar o poder do Partido Comunista – pelo contrário, pois ele deseja fortalecer ainda mais o sistema de governo do país. "Precisamos reforçar a liderança do partido e consolidar e melhorar o sistema", alertou aos delegados.

Os dilemas da transição – As preocupações de Jiang eram justificadas. A transição política na China foi lançada num momento em que os líderes do país enfrentavam desafios inéditos – e as perguntas mais importantes só serão respondidas dentro de anos ou mesmo décadas. O atual sistema político pode se sustentar em paz e prosperidade por mais meio século? Como mantê-lo vivo num tempo em que os raros regimes comunistas que ainda vigoram no mundo estão aos farrapos? E mais: que papel o país deve cumprir numa comunidade internacional cada vez mais envolvida em choques de interesse?

De acordo com os analistas políticos do próprio Oriente, a China não escapará destas perguntas no decorrer da primeira metade do século XXI. Desde que Deng Xiaoping lançou as reformas econômicas há mais de duas décadas, o PIB chinês se expandiu num ritmo assombroso, mas junto com o dinheiro veio o crescente abismo social entre ricos e pobres – algo que jamais fora visto pelas atuais gerações de chineses. Com as previsões de que o crescimento continuará em níveis altíssimos, a tendência para as próximas décadas é, curiosamente, de inquietação política crescente.

"A China hoje está dividida entre ricos e pobres", observou o analista político Wang Chan, no aniversário de 50 anos da revolução. "As pessoas que passam para a oposição são os doentes, os velhos, os desempregados, os derrotados. No futuro, isso se agravará." Se o Partido Comunista da China, com seus novos líderes da quarta geração e sua lealdade à velha cartilha de 1949, não oferecer caminhos para quem saiu perdendo no novo jogo econômico, cada vez mais gente buscará alternativas fora dos palácios da Praça da Paz Celestial.

Economia
O novo gigante do mercado (Veja, revista)

A rapidez do crescimento econômico da China impressiona. Nos últimos 25 anos, depois da abertura econômica, 400 milhões de chineses passaram para o lado bom da linha de pobreza e se tornaram consumidores de produtos modernos. No mesmo período, o PIB da China aumentou 5 vezes e as exportações saltaram de 20 bilhões para mais de 300 bilhões de dólares em 2002. E a tendência é crescer mais. Só nos primeiros noves meses de 2003, o país já registrou um aumento de 32,3% nas exportações e a economia acumulou um crescimento de 9% – um percentual invejável para qualquer nação do mundo.

O país mais populoso do planeta também é o campeão no recebimento de investimentos externos. Em 2003, conseguiu atrair 52,7 bilhões de dólares e desbancou os Estados Unidos no ranking mundial de países que mais receberam investimentos diretos do exterior. Um dos setores mais prestigiados é o automobilístico. Em outubro, a Ford americana anunciou um reforço de 1 bilhão de dólares em seus investimentos no país para os próximos anos.

Apesar do acelerado crescimento econômico, o maior desafio dos chineses é a desigualdade social. Dois terços dos chineses vivem em áreas rurais muito pobres e a renda per capita é compatível com as piores do terceiro mundo. Nos centros urbanos da China, o salário varia de 30 a 80 dólares mensais e a renda per capita é de 760 dólares anuais. No campo, onde vivem 900 milhões de chineses, ganha-se menos de 250 dólares por ano.

Abertura econômica – O país começou a se preparar para a abertura econômica em 1978, quando o então líder Deng Xiaoping trocou os dogmas de Karl Marx pelos de Adam Smith e deu uma guinada que incluiu a abertura de zonas comerciais nas províncias costeiras, aumento de investimentos estrangeiros e liberalização do comércio e do mercado agrícola, tendo como ingredientes fartos subsídios, mão-de-obra barata e repressão brutal à oposição. Foi quando sob o bordão “Enriquecer é glorioso”, o então país de Mao começou a experimentar os desafios e prazeres da livre iniciativa na economia.

O princípio básico do comunismo, a propriedade estatal, começou a cair por terra em 1997, quando o Congresso chinês anunciou um gigantesco programa de privatização. Dois anos depois, os chineses comemoraram cinqüenta anos de comunismo ao mesmo tempo em que realizava uma manobra histórica: depois de treze anos de negociações, fecharam um acordo para a esperada abertura de sua economia à globalização. Foi quando em menos de uma década o país se tornou a sétima economia do mundo com perspectiva de vir a ser a segunda em breve.

Em 2001, a China oficializou sua entrada no mundo globalizado ao ingressar de forma definitiva na Organização Mundial do Comércio (OMC). Com um fabuloso mercado potencial de mais de 1 bilhão de consumidores, o gigante oriental representava um dos mais tentadores e difíceis mercados internacionais, mas enfim abria as suas portas para o mundo.

Com a economia globalizada, a China precisa atualmente criar 80 milhões de empregos e, ao mesmo tempo, assimilar o golpe que deverá arrasar setores inteiros defasados em relação à concorrência externa, como a indústria automobilística. Já as indústrias têxtil, de calçados e de brinquedos, que já nadam de braçadas, deverão aumentar as exportações em 200%.

A mão-de-obra barata é o grande chamariz para a entrada de capital externo. Na maioria das regiões da China, o salário, por exemplo, na linha de montagem é de menos de 2 reais por hora. Um operário brasileiro ganha quatro vezes mais. Um mexicano, seis vezes. Um americano não pega no batente por menos de um salário vinte vezes maior. Nessas condições, montar bases para exportar é um ótimo negócio. A China já responde por metade da produção mundial de máquinas fotográficas. Três em cada dez aparelhos de ar condicionado e de TV produzidos são feitos lá. Mais de 25% das máquinas de lavar e 20% das geladeiras no mundo levam o selo "Made in China."

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