Economy and Society II de José Porfiro – Specific

1 de abril de 2007

ESCREVER x ESCREVER

Filed under: Sem categoria — Porfiro @ 12:37 AM
A Arte de Escrever – Segundo Bárbara Tuchman
Autor:
Fernando Nogueira da Costa

Bárbara Tuchman é a historiadora de maior sucesso nos Estados Unidos, duas vezes agraciada com o Prêmio Pulitzer. Em seus textos e palestras, apresenta-nos lições sobre sua arte1. Vamos compilá-las, com propósito didático. Divulgar a arte de escrever é um dever do ofício de professor e orientador.

Escrever história de modo a encantar o leitor e a tornar um assunto tão cativante e emocionante para ele quanto para ela tem sido seu objetivo, desde o fracasso inicial com sua tese. Foi classificada como dotada de um “estilo medíocre”. Comentário dela sobre a tese: “tão bela – na intenção – e tão mal escrita”… o entusiasmo não tinha sido suficiente; era preciso saber também usar a língua. Visão, conhecimento e experiência não fazem um grande escritor, só com o domínio da língua que se tornará a voz dessas virtudes.

Antes de mais nada, a paixão pelo assunto é indispensável para se escrever bem. Mas não basta. Bárbara descobriu que se aprende a escrever, escrevendo. Descobriu que um elemento essencial para se escrever bem é um bom ouvido. Devemos ouvir o som de nossa prosa. Em sua opinião, as palavras curtas são sempre preferíveis às longas. Quanto menos sílabas, melhor! Os monossílabos… são os melhores de todos!

As palavras têm um poder autônomo, quase atemorizador, de produzir na mente do leitor uma imagem ou idéia que não estava na intenção do autor. O uso descuidado das palavras pode deixar uma falsa impressão que não se pretendia.

Para Bárbara, o problema está no fato de que a arte de escrever lhe interessa tanto quanto a arte da História. Ela vê a História como arte, não como ciência. Quando escreve, é seduzida pelo som das palavras e pela interação de som e sentido. As palavras constituem material sedutor e perigoso, a ser usado com cautela.

Pergunta-se: – “Sou, em primeiro lugar, escritora ou historiadora?” Ela mesmo responde: – “As duas funções não precisam estar, e de fato não devem estar, em guerra. A meta é a fusão. A longo prazo, o melhor escritor é o melhor historiador”.

A História é vista como literatura, em oposição à História como ciência. Sua exposição deve ser feita em todo o seu valor emocional e intelectual, a um amplo público, através da difícil arte da literatura. Note-se: “amplo público”! a ênfase deve sempre ser dada à escrita para o leitor comum, em contraposição à escrita apenas para os colegas eruditos. Quando escrevemos para um público amplo, temos de ser claros e interessantes. Esses são os critérios que determinam um bom texto.

O leitor é a pessoa que deve se ter sempre presente. Escrevamos nossos textos com um cartaz pregado acima de nossa mesa, perguntando: “Irá o leitor virar a página?”

O objetivo do autor é – ou deveria ser – manter a atenção do leitor. Querer que o leitor vire a página e continue a fazê-lo até o fim. Isso só acontece quando a narrativa avança com firmeza, e não quando entra num impasse, sobrecarregada de todos os detalhes descobertos na pesquisa, significativos ou não. Contra o texto tipo “rol de roupa”, o lema: “a exclusão de tudo que é redundante e de nada do que é significativo”!

O leitor é a outra metade essencial do autor. Entre eles há uma ligação indissolúvel. São necessários dois para cumprir a função da palavra escrita. Os escritos não nascem, não têm vida independente, enquanto não são lidos. Logo, primeiro é preciso prender o leitor.

Bárbara é, em primeiro lugar, uma escritora, cujo assunto é a história, e cujo objetivo é a comunicação. Tem sempre presente o leitor como um ouvinte cuja atenção deve ser mantida, para que não se vá embora.

Quem escreve tem várias obrigações com o leitor, se quiser conservá-lo. A primeira é destilar. Deve fazer o trabalho preliminar para o leitor: reunir as informações, dar-lhes sentido, selecionar o essencial, rejeitar o irrelevante – sobretudo rejeitar o irrelevante – e colocar o restante de modo a formar uma narrativa dramática que se desenvolve de modo a capturá-lo. Oferecer uma massa de fatos não digeridos é inútil para o leitor. Constitui simples preguiça do autor ou pedantismo para mostrar o quanto leu.

O produto final é resultado daquilo que se escolheu para incluir, bem como daquilo que preferiu deixar de lado. Colocar tudo, simplesmente, é fácil – e seguro – e resulta numa dessas obras de 900 páginas, nas quais o autor abdicou e deixou a leitor todo o trabalho.

Para eliminar o desnecessário, é preciso coragem e também mais trabalho. Pascal terminou uma carta de 4 páginas a um amigo dizendo: “desculpe-me tê-lo cansado com uma carta tão longa, mas não tinha tempo para escrever-lhe uma carta breve”.

O leigo em geral subestima a escrita e se impressiona demais com a pesquisa, como se essa fosse a parte difícil. Não é. Escrever, como um processo criativo, é muito mais difícil e leva duas vezes mais tempo.

O mais importante na pesquisa é saber quando parar. Devemos parar antes de ter acabado. Sem isso, nunca paramos e nunca acabamos.

Como copiar é um trabalho e um aborrecimento, o uso de cartões – quanto menores, melhor –, para anotações, força-nos a extrair o que é rigorosamente relevante, a destilar desde o começo. A seleção é que determina o produto final. Por isso, é melhor usar apenas material das fontes primárias. As fontes secundárias são úteis, mas perniciosas. Use-as como guias no início de um projeto. Mas não acabe simplesmente reescrevendo o livro de algum outro autor. Além disso, os fatos apresentados por uma fonte secundária já sofreram uma seleção prévia, de modo que, ao usá-los, perdemos a oportunidade de fazer nossa própria seleção.

A tarefa de reescrever o que já é conhecido não encerra atrativos para Bárbara. Não sente estímulo para escrever a menos que esteja aprendendo alguma coisa nova e contando ao leitor algo de novo, no conteúdo ou na forma.

A arte de escrever – a prova do artista – é resistir à atração de desvios fascinantes e apegar-se ao seu assunto. São necessárias, simplesmente, coragem e confiança para fazer escolhas e, acima de tudo, para deixar certas coisas de lado. O melhor quadro é aquele que mostra as partes da verdade que melhor produzem o efeito do todo.

Outro princípio, sugerido por Bárbara: não discutir as evidências, as fontes, as teorias, em frente ao leitor. Os processos de raciocínio do autor não cabem numa narrativa. Devemos resolver nossas dúvidas, examinar as provas conflitantes, determinar os motivos atrás das cortinas e discutir nossas fontes nas notas de referências, e não no texto. Entre outras coisas, isso mantém o autor invisível, e quanto menos a sua presença for sentida, maior é a sensação de proximidade que o leitor tem com os acontecimentos.

Não esqueçamos do aforismo: “ser academicista é acreditar que acúmulo é aprofundamento e que chatice é precisão”.

Ler, como escrever, é o maior dom com que o homem se dotou, por meio do qual podemos realizar viagens ilimitadas. Ler possui uma sedução interminável. Escrever, pelo contrário, é um trabalho pesado. É preciso sentar-se numa cadeira, pensar e transformar o pensamento em frases legíveis, atraentes, interessantes, que tenham sentido e que façam o leitor prosseguir. É trabalhoso, lento, por vezes penoso, por vezes uma agonia. Significa reorganizar, rever, acrescentar, cortar, reescrever. Mas provoca uma animação, quase um êxtase, um momento no Olimpo! Em suma, é um ato de criação!

O que o profissional artista tem é uma “visão extra” e uma “visão interior”, acrescida da capacidade de expressá-las.

Tal como a Bárbara vê, o processo criativo tem três partes. Primeira, a visão extra com a qual o artista percebe uma verdade e a transmite pela sugestão. Segunda, o meio de expressão: a língua para os escritores, a tinta, para os pintores, o barro ou a pedra para os escultores, o som expresso em notas musicais para os compositores. Terceira, plano ou estrutura.

A estrutura é, principalmente, um problema de seleção, uma tarefa angustiante, porque há sempre mais material do que se pode usar. Não se pode colocar tudo; o resultado seria uma massa informe. O trabalho consiste em encontrar uma linha narrativa sem se afastar dos fatos essenciais, ou sem deixar de fora qualquer fato essencial, e sem deformar o material para que sirva às nossas conveniências.

Quando se trata de linguagem, nada mais satisfatório do que escrever uma boa frase. É um prazer realizar, quando se pode, uma prosa clara e corrente, simples e ao mesmo tempo cheia de surpresas. Isso não acontece por acaso. Exige habilidade, trabalho árduo, um bom ouvido e prática constante. As metas, como já disse, são a clareza, o interesse e o prazer estético. Sobre a primeira, é importantíssima a arte de tornar o sentido claro!

A comunicação é, afinal de contas, o objetivo para o qual a linguagem foi inventada. Para ela, há um critério tríplice: a convicção do autor de que tem alguma coisa a dizer; que vale a pena ser dita, e que pode dizê-la melhor do que ninguém. Dizer não para poucos, mas para muitos. Juntamente com a compulsão de escrever, deve estar o desejo de ser lido. Nenhuma página se torna viva, a menos que o escritor veja, do outro lado de sua mesa, o leitor, e busque, constantemente, a palavra ou a frase que levará a ele a imagem desejada e despertará a emoção que deseja criar nele. Sem a consciência de um leitor vivo, o que o autor escreve morrerá em sua página.

De todos os instrumentos, a crença na grandeza de seu tema é o mais estimulante. É assim que o autor deve considerar seu assunto. Isso faz com que nenhum leitor possa deixar seu texto de lado. O entusiasmo, que não é exatamente a mesma coisa, tem um efeito não menos estimulante.

Por que escrever? Para cada escritor há uma razão diferente2. Busque a sua.

Fernando Nogueira da Costa, Professor Associado do IE-UNICAMP, 49. Coordenador da Área de Economia da FAPESP. Autor dos livros “Economia em 10 Lições” e “Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista”. Email:fercos@eco.unicamp.br.

1 – TUCHMAN, Bárbara W.. A Prática da História. Rio de Janeiro, José Olympio, 1991 (original de 1989).

2 – BRITO, José Domingos de (org.). Por que escrevo? São Paulo, Escrituras, 1999.

 
 
Escrever, Humildade, Técnica

Clarice Lispector

Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de… de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.


Texto extraído do livro "
A Descoberta do Mundo", Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1999.

Clarice Lispector: tudo sobre a autora e sua obra em "Biografias".

O que passou está aqui!

Certo dia ouvi dizer, em uma aula de Introdução à Filosofia que houve um certo escritor grego que escrevia cerca de 500 linhas por dia. Ao final da vida, havia escrito cerca de 700 livros. Bem, quanto à qualidade de seus escritos, não ponho a mão no fogo mas, certamente, foi esta uma idéia interessante!

  

Agora o Escrever Por Escrever está em novo endereço: http://escreverporescrever.blogspot.com 

Segunda-feira, 13/6/2005
Como escrever bem – parte 1

Marcelo Maroldi

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+ 14 Comentário(s)

Escrever bem não é uma das tarefas mais simples dessa vida, isso é fato, mas, de modo geral, escrever corretamente é algo acessível a todas as pessoas praticamente. Deixando de lado os fatores sociais e econômicos, escrever, pelo menos de maneira adequada, depende de uma série de fatores, que, normalmente, podem ser conseguidos individualmente, sem dependência de mestres ou incentivos de qualquer natureza. Evidentemente, a habilidade de combinar palavras, aliada a capacidade de inventar (ou narrar) histórias e descrever cenários interessantes são bastante pessoais, porém, podem ser desenvolvidas e treinadas. Felizmente, ninguém está fadado a escrever mal toda a vida…

Não pretendo fazer nenhuma espécie de manual de boa escrita ou de como se tornar um escritor, até mesmo porque não saberia como fazê-lo. Para isso, basta procurar na web que há inúmeros textos desse tipo, estilo manual de redação para vestibulandos (aliás, geralmente péssimos, pois, quase sempre não parecem considerar fatores fundamentais). Desejo, entretanto, explicar a minha visão de como evoluir no assunto e de como criarei meu filho para que aos 18 anos ele não precise ler manuais de como escrever bem para fazer a redação do vestibular, se ele quiser prestar, a propósito.

Antes de entrar nas Maroldicas, convém inicialmente oficializarmos a separação entre os tipos de escrita, afinal, escrever para um blog não é similar a escrever para o New York Times, assim como escrever para o saudoso Notícias Populares não é como escrever um livro. Pretendo abordar todos esses tipos de escrita, se possível, estendendo-o até as colunas futuras, se o editor desse Digestivo não me der o bilhete azul antes.

Como escrever bem, parte 1 – Antes de começar a escrever…

Nenhum humano nasce escrevendo, parece. Logo, deve existir algo que ocorre entre a saída do útero materno e o recebimento do Pulitzer. Bem, eu não sei o que é esse algo, mas posso chutar. Evidentemente, há casos extremos em que percebemos nitidamente que o escritor é um gênio, o que significa que o cérebro dele foi concebido para fazer aquilo – escrever – melhor do que as demais atividades (e, portanto, melhor que as demais pessoas). Esse tipo de escritor não me interessa pois é assunto da ciência, ele não é um cara qualquer. Interessa-me sim o escritor comum que escreve bem e que é igual a mim, e que deve ter sido “treinado” para isso. De modo geral – e já até demorei demais para falar isso – essas pessoas lêem muito. Diariamente. Incessantemente, às vezes. Na minha opinião, qualquer tipo de leitura treina o cérebro. Portanto, se você não se importar em treiná-lo apenas com vocabulário e linguagem web, leia apenas blogs. Se você não se importar em treiná-lo em frases triviais com apenas 3 ou 4 palavras, leia gibi. Mas, se você quiser um pouco de tudo isso, leia de tudo, mas privilegie as pessoas que escrevam bem, pois elas podem te ensinar mais sobre como escrever do que os que escrevem não adequadamente.

Está bem, está bem, eu disse o óbvio agora. Mas, então, porque as pessoas não fazem isso? Um dia conheci um rapaz que fazia jornalismo e tinha como ídolo literário nosso best-seller Paulo Coelho. Percebi que tinha algo errado, mas fiquei quieto, desconfiado, até receber um e-mail dele, contendo mais erros em 10 linhas do que todos os erros que Olavo Bilac escreveu na sua obra toda. Conversamos umas vezes depois… Ele ouvia os nomes e obras consagrados como se ouvisse pela primeira vez o grito de guerra da equipe iraquiana de hóquei sobre o gelo. Um dia, comentei: se você quer escrever bem, não pode ler mal…

O modo como se lê também é importante. Eu sei, ler é ler, certo? Errado. Não são todas as pessoas que lêem da mesma maneira… Ler como lazer não é como ler para aprender. Infelizmente. Seria muito mais fácil se cada vez que eu lesse um texto assimilasse tudo o que está nele, mesmo se naquele dia lia apenas para me distrair, enquanto o bebê confecciona uma sinfonia doce e meu time corria na TV ligada. Esse dia não devo ter prestado muita atenção porque até precisei voltar umas páginas atrás, depois, somente para descobrir o que tinha acontecido nelas… E, se eu quisesse ter aprendido mais, deveria ter analisado o texto, as frases, aprendido com as construções, o modo como ele descrevia a arma usada no crime, os adjetivos desconhecidos que ele atribuía ao assassino. E não fiz nada disso, só li. Eu me distraí, é verdade, mas foi só isso. Eu não tive uma aula de literatura na sala da minha casa naquele dia, ainda que o autor tivesse me mostrado exatamente como ele escrevia…

Bem, meu moleque já sabe que terá que ler, o que ler, quanto ler e até como ler. Agora é só esperar pelo sucesso, não? Não. Ele vai ter que escrever, escrever, escrever. Quando, aos 7, ele me trouxer uma poesia própria (que a mãe dele vai guardar, acredito), não vai ser tão boa quanto aquela que ele escrever aos 10. Nem a dos 15. Se ele parar para analisar, verá que tudo parece ser uma evolução na arte da escrita. Ele poderá ler todos os livros da biblioteca do rei Salomão, mas, se jamais escrever algo, minha editora terá que recusar seu primeiro conto, que estará fraco e imaturo. Daí, quando ele estiver revoltado comigo e ameaçar sair de casa, terei que explicar que o segundo geralmente sai melhor que o primeiro e assim por diante. É treino, meu filho. Você já aprendeu a ler, já o fez suficientemente, agora treine escrever suas próprias histórias e seus próprios personagens… Ele irá até me agradecer, anos depois dessa última aula, pois ele mesmo verá que o texto passa a fluir mais tranqüilamente quando já se escreveu dezenas deles pela vida. Você passa a arriscar mais, repete construções que lhe agradaram, insere vocabulário novo, sabe o que interessa ao leitor, sabe, enfim, escrever.

(Continua…)

Trainspotting – Irvine Welsh

Comecei a ler Trainspotting (Irvine Welsh, Editora Rocco, 2004) com alguma desconfiança, motivada, principalmente, pela descrição da contra-capa e algumas notas que havia lido anteriormente. Tinha ouvido falar do autor e da versão cinematográfica da obra, mas praticamente desconhecia o livro. Sentei para ler com a nítida impressão de que não me agradaria e terminei lamentando por ter apenas 350 páginas… Eu queria mais…

Não pode se dizer que temos uma história principal no livro. São dezenas de pequenas historinhas que montam o ambiente do livro, todas elas, sem exceção, com acontecimentos sobre a vida de um grupo de amigos(?) escoceses, a grande maioria dependentes químicos, alguns com passagens pela policia por roubo, alguns briguentos, muito sexo e, por isso tudo, muita lamúria e depressão, e um grupo de vidas perdidas…

Pode parecer um tema fácil e comum, mas, o livro não o é (nem fácil e nem comum). A começar pela linguagem, que acompanha os personagens, trazendo para o livro o modo particular de cada um falar, mas, diferente do que já vi, o autor não “força a barra” para parecer um deles (aliás, o autor sim é um deles, um ex-viciado). Cada personagem conta a sua vida. Embutidos nesses comentários, temos grandes reflexões sociais muito bem escondidas pelo autor nas palavras e atitudes dos “marginais”. Racismo, luta de classes e o que mais você quiser encontrar. A leitura pode, para alguns, parecer muito dura (porém, ela não vai parecer, ela realmente é). Alguns relatos são de nos fazer parar para respirar… aquele conjunto de palavras fortes, “sujas”, conduzindo o leitor para a montagem da cena às vezes assusta. E muito. Talvez por isso o livro cause tanto impacto em que o lê… Vale a pena.

Para ir além


Marcelo Maroldi
São Carlos, 13/6/2005

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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
13/6/2005
10h50min
160.39.240.184
Seu texto me recorda de uma reportagem do NYT, onde um professor comenta que as aulas de redação na escola e na universidade estão cada vez mais focadas no conteúdo do que está sendo escrito, ao invés da técnica de como escrever em bom português, como construir frases e parágrafos e o famoso diálogo com o leitor. Lembro da minha própria experiência com aulas de redação, quando sabia exatamente o que escrever para agradar a professora, e como já não gostava da aula, fiz isso e deixei de aperfeiçoar a técnica de escrever. Vim a fazer isso mais tarde, sozinho, e acho que hoje escrevo o suficiente para me expressar com clareza. A quantidade de pessoas que não escrevem com clareza em engenharia, que superficialmente não tem nada a ver com escrever, é muito grande. Por causa de textos mal escritos vários erros desnecessários são cometidos nos projetos, levando a atrasos de meses. Uma vez quando comentei com alguns de meus colegas que todo engenheiro deveria saber escrever minimamente bem, muitos retrucaram que "isso era coisa de quem não entende de engenharia". Lendo livros e artigos de vários cientistas e engenheiros famosos descobri que não só escrevem bem, como sabem da importância de se escrever bem… Só como uma observação, descobri também que o mesmo vale para quem escreve programas de computador. É bem parecido com escrever bem em português, a pessoa tem que aprimorar a técnica, ler "textos" de outras pessoas que escrevem bem, e se esforçar… E hoje em dia, muitos programas são mal escritos, e telas azuis, bugs, e outros desastres passam desapercebidos porque ninguém entende o que o cidadão fez no programa. Tudo porque as pessoas preferem ignorar técnica e estilo, e acham que sempre se trata de conteúdo… Quem escreve bem, é capaz de convencer um cidadão de quase qualquer coisa.
13/6/2005
13h21min
200.164.50.147
Válido um artigo sobre como escrever bem – porque, como outras atividades que todo mundo pensa que sabe, é subestimada. Se as pessoas soubessem realmente escrever, como seria possível haver tantos maus escritores? (Subescritores, eu diria). Aguardo a segunda parte.
28/6/2005
15h16min
200.216.216.196
gostei do artigo e me mostrou como eu escrevo mal, mas para melhorar tenho que treinar apenas, e ler mais entre outras coisas, mas eu ouvi falar que quem gosta de computador tem uma pequena afinidade com a escrita (principalmente os hackers), mas pulando isso, agora vejo como eu tenho que melhorar, o que atualmente caras tipo eu (16 anos no 3ºano) não estão se importando com ser o melhor ou mesmo estar entre eles, o que parece estar levando ao retardo o desenvolvimento do país, se o simples fato de quer aprender algo (no caso, escrever melhor) e tentar ser o melhor, seria do suficiente para os estudante de hoje levarem o país ao topo.
4/7/2005
02h05min
200.227.194.171
Quase sempre considero que escrevo mal. Seu texto, delicioso, reforçou minha auto-avaliação. Benevolente, penso que hoje escrevo menos mal que ontem. Resta então resistir ao prazer da leitura como forma de lazer, e passar à rigidez do estudo, da análise, da desconstrução dos textos. Que alento. Trabalho, sem dúvida, mas recompensas futuras acenam. Obrigada. Vou agora ler (meticulosamente) a segunda parte de seu texto…
10/7/2005
17h28min
200.150.19.146
Quando eu estava no colegial, prestes a fazer o vestibular, eu escrevia mais ou menos bem, tirava boas notas e conseguia alguns elegios da professora… Tudo era lindo… Fiz vestibular, fui muito bem em redação, mas fato é que, depois que eu entrei na faculdade, eu fiquei mais burra… Não escrevo mais como antes, aliás, tenho até muita dificuldade para escrever. E por que isso ocorreu? Porque eu não tenho mais incentivo algum. Vez ou outra faço resenhas de textos chatos e monótonos e extremamente técnicos. Escrevo muito menos do que escrevia quando tinha que fazer pelo menos três redações por semana no colegial. Por isso, nessas férias, comecei a ler mais, mesmo que seja só revistas de arquitetura (que, aliás, dizem respeito ao meu curso) e voltei a comprar jornais. E eu juro que vou escrever mais e vou ler mais ainda, muito obrigada pelo seu texto, pois eu pude ver que eu não sou um caso perdido…
4/4/2006
14h25min
200.216.119.18
eu tenho muita facilidade em escrever, mas eu preciso de um incentivo, quando eu estou apaixonado, fica mais fácil, quando eu não estou, eu fico bêbado, é quase a mesma coisa, a gente fica besta, rindo à toa, e tudo pra gente é maravilhoso, experimenta…
16/7/2006
19h54min
201.19.87.115
Sinto uma vontade imensa de escrever, falta-me coragem e determinação. Convenci-me de que devo seguir os conselhos do autor…
31/7/2006
11h15min
201.24.41.236
Sou jovem e me considero um escritor razoável. Talvez seja os três anos que eu tenho de participação em fóruns espalhados pela internet. Talvez pelo meu interesse em leitura. O fato é que só escreve bem aquele que ler bem. Isso eu aprendi na vida; dezesseis anos de vida, e eu posando de intelectual. Oh, céus. x)
17/8/2006
20h26min
200.206.220.208
Aprecio uma boa leitura e, decorrente disto, vem uma boa escrita. Com certeza tem fundamento seu comentário, e que possa servir de estímulo para mais os jovens.
25/12/2006
18h09min
200.195.127.76
Parabéns, Marcelo, por tudo que você escreve. Tenho 64 anos e quero começar a escrever. Estou me espelhando em você. Um abraço.
3/1/2007
14h42min
201.35.134.65
Pois… Escrevo mal pra chuchu, porque para seres humanos eu escrevo pessimamente. Pior é que leio bem e escrevo mal. Aprender a escrever é uma arte, não é para qualquer um, não! Existem pessoas inteligentíssimas que não conseguem escrever uma linha, outras, porém, mesmo com uma vida vazia, fazem sucesso com seus escritos. Então, querido Marcelo, como você me explica estes acontecimentos?? Parabéns pelo seu texto. Ah! Não existe uma formula mágica que ensina você a ter ótimos textos?? Brincadeirinha.
19/1/2007
19h24min
200.233.180.203
Como queria poder escrever bem. Ando tentando escrever, tirar algo da mente, construir coisas novas, mas pelo mundo em que vivemos, pelo estilo de vida que temos que levar, correria, problemas, às vezes fica difícil parar para pensar, para ler, ando tentando buscar novas leituras. Já fui um leitor assíduo, mas parece que minha mente quer ser rápida, ler tudo de uma vez sem analisar, sem parar para entender, para viajar no tema. Queria ter tempo.
28/2/2007
21h13min
189.6.11.197
Querido Marcelo, achei interessante e relevante o seu texto. O trauma que passamos na escola nos deixa com seqüelas, muitas vezes sem volta. A forma como as crianças e adolescentes aprendem a pensar e a escrever precisa ser revista. Grandes leitores com certeza têm maiores chances de escrever bem. Isso deveria começar desde pequeno, assim todos tomariam gosto pela leitura e conseqüentemente escreveriam melhor. Gosto e aprecio bons livros e um dos meus sonhos, espero poder realizar em breve, é lançar o meu primeiro livro. Nos últimos meses aprendi a apreciar diversos tipos de contos. Comecei a praticar e já tenho alguns contos escritos. O engraçado é que tomei gosto pela coisa e minha mente não pára mais de criar . Quero aprimorar a cada dia e escrever, além de contos, outras histórias. Daqui pra frente não vou parar mais. Só aprendemos a escrever se praticamos. Um grande abraço. Eliane
29/3/2007
08h57min
200.217.163.55
É sempre bom compartilhar idéias novas com outras pessoas, aumentando assim os conhecimentos básicos e úteis.

1 Comentário »

  1.    escrever    e   um   resultado , tem  que  escrever   pra    que   foi   designado   o   texto  , as   palavras   tem   poder   de    construir   e   de   destruir ,  em   meio   aos    acervos  muintos   escritores  com    projeções  divercificada  e   isso   que   caracterisa   a   nessecidade  de   se   transmitir  por   mas    sinpres    que   seja  um    enunciado  faça-o  de    forma   explicita e   concisa  .quanto   a  pergunta  escrever    e   para   quem    ler , todos   nos    temos    gostos   diferrenciados e a   escrita  sastifas   nossos  desejos   e   anseios   de   acordo   com    a   variedade   de   leitores  e assuntos  escrever   não   e   arte   e  tão   pouco   uma    ciemcia  e  uma   disciplina    natural  que   frui    com   a   pratica    vc   estuda ,   ler e  escreve  .suplindo   a   nessecidade   de   organisar   suas   ideias  de    acordo    com   o   acumulo   de   informações  com   o   passar   do  tenpo cria-se  as   comcrusões ,  e   como    diz  o   filosofo   que   era   considerado  o   cara   mas   sabio da   humanidade (  quanto   mas   conheço   mas   percebo    que   sou   burro.)

    Comentário por relações humanas — 1 de abril de 2007 @ 12:20 PM


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