Economy and Society II de José Porfiro – Specific

15 de abril de 2007

DESIGUALDADES – BRASIL- PNAD

Filed under: Política Econômica — Porfiro @ 10:48 AM
 
 
VINICIUS TORRES FREIRE – fOLHA DE SÃO PAULO, 15-04-2007

Como o país reproduz a injustiça


Balanço da década 95-05 mostra a deterioração do emprego e falácias na análise da queda da desigualdade


É DEVASTADOR o relatório sobre trabalho e renda do Boletim Políticas Sociais do Ipea, edição especial, que analisa a década do real, 1995-2005.
O trabalho, embora técnico, apresenta uma das raras críticas sérias ao caráter cada vez mais conservador e acomodatício das políticas públicas sociais e das interpretações comuns de como o país reproduz a injustiça.
O estudo foi divulgado nesta semana, com outras pesquisas desse excelente serviço público que é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Mas o espírito do tempo fez com que mais uma vez a atenção maior do público recaísse sobre avaliações limitadas do problema social, centradas na relação entre desigualdade de renda e assistência social. Significativamente, trabalho ruim e desemprego, tidos como "danos colaterais", resíduos intratáveis de contextos e políticas econômicos, merecem consideração marginal.
Tome-se a redução da desigualdade de renda neste início de século. Pesquisas indicam que essa pequena involução da injustiça deveu-se na maior parte à queda na diferença de salários. Estudos sugerem que a interiorização da indústria, devida à abertura econômica dos 90, e o agronegócio, em parte menor, devem estar na causa dessa mudança.
Mas a qualidade do trabalho e a oferta de emprego não melhoraram na década, além de ter ocorrido uma reafirmação do clichê politicamente incorreto que é o sistema econômico brasileiro: negros, mulheres, jovens periféricos e gente sem instrução seguem mais à margem.
A participação do trabalho na renda nacional caiu de 52% em 1990 para 40% em 2003. A renda média real dos empregados caiu 11,4% entre 1995 e 2005. O índice (Gini) de desigualdade dos rendimentos do trabalho caiu 8%. Mas isso se deveu a uma piora nas condições do trabalho dos "mais privilegiados": "…a principal conseqüência do quadro macroeconômico dos últimos dez anos para o mercado de trabalho foi a degradação do núcleo de trabalhadores com melhor inserção produtiva, tradicionalmente composto por assalariados urbanos do sexo masculino, adultos e brancos", diz o estudo.
Embora o grau de formalização do trabalho continue a melhorar, na margem, a década do real foi perdida para a qualidade do emprego: a taxa de formalização de 2005 era a mesma da de 1995: 44%.
O número médio de anos de estudo do trabalhador passou de 5,7 para 6,9. Mas essa "…força de trabalho mais qualificada está sendo mais mal remunerada". O desemprego saiu da casa dos 6% para 9%-10%.
Nos grupos sociais mais atingidos pela falta de trabalho (jovens, gente de escolaridade intermediária e das metrópoles), há menos proteção social e formalização do trabalho.
As políticas públicas concentraram-se no reparo marginal de danos e reduz-se o "potencial macroeconômico" de criação de trabalho de qualidade "…à medida que o pleno emprego deixa de fazer parte do horizonte de decisões políticas fundamentais da sociedade…".
Trata-se do horrível resultado da década da reforma imperfeita e do conservadorismo crescente, da "responsabilidade social", de terceirização e onguismo em políticas públicas e da difusão da idéia de que política econômica não é política social.

 

O RETRATO DO BRASIL EM 2008 – reportagem grande

Desigualdade cai; renda e emprego avançam

Pnad, o mais abrangente retrato do país, revela ganhos com expansão econômica entre setembro de 2007 e setembro de 2008

No período, a taxa de desocupação caiu de 8,2% para 7,2%, menor patamar desde 1996, mas número de adultos analfabetos cresce

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

O retrato do Brasil antes da crise, revelado ontem pelo IBGE em sua Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), mostra um país que seguia seu processo de melhoria da renda, diminuição da desigualdade e da pobreza e crescimento do emprego formal.

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: