Economy and Society II de José Porfiro – Specific

18 de abril de 2007

UNIVERSIDADE ABERTA II – Instiuições Privadas Adotam Proposta

Filed under: Sem categoria — Porfiro @ 6:35 PM
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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1206200808.htm
Pesquisa e ensino: indissociáveis?

ROGERIO MENEGHINI


É certo que ensino e pesquisa se reforçam mutuamente em cursos de graduação? Há uma crença de que a resposta seja "sim"


É CERTO que ensino e pesquisa se reforçam mutuamente em cursos de graduação? A crença de que sim gerou a aceitação a priori de que instituições de ensino superior (IES) sem pesquisa são fadadas a produzir egressos de qualidade inferior.
Alexander Astin, proeminente autoridade em ensino superior, concluiu com dados empíricos que estudar numa IES fortemente orientada à pesquisa aumenta a insatisfação dos estudantes e impacta negativamente na sua captação cognitiva. E que estudar numa IES fortemente orientada para o desenvolvimento do estudante traz um efeito oposto.
Professor de universidade dedicado intensamente à pesquisa, fiquei chocado com essa conclusão. Porém, refletindo mais, concluí que, procurando fascinar os alunos com as áreas de trabalho sobre as quais lecionava, provavelmente atingia um alvo menor, talvez futuros pós-graduandos, já abertos para absorver minha preleção. Os demais poderiam ficar enlevados, mas não necessariamente mais instruídos. Talvez aí resida a explicação para os achados de Astin.
O Brasil possui cerca de 4,7 milhões de estudantes registrados em cursos de ensino superior (2006). O percentual corresponde a muito menos do que em países desenvolvidos e a 70% da Coréia (sempre a agoniante comparação). Vê-se que o ensino superior se faz presente nos indicadores desfavoráveis de educação e é um obstáculo imenso ao progresso contemporâneo, baseado em formação intelectual e ciência.
O MEC gasta cerca de 70% de seu orçamento em cem IES, que matriculam cerca de 600 mil alunos. As 2.200 IES privadas atendem 3,2 milhões de alunos! Por outro lado, o gasto federal corresponde a 1,2% do Orçamento da nação. Há condições realistas de preencher o espaço ocupado por IES privadas com mais IES públicas sem quebrar a estrutura orçamentária?
Para isso, seria necessário aumentar muito o orçamento do MEC. E quanto à infra-estrutura montada por IES privadas, iniciadas há quatro décadas com estímulos dos governos federais?
Muito se tem discutido sobre a má qualidade de ensino pelas IES privadas. Além de debater as razões óbvias, o importante é reexaminar conceitos. Embora contemos com um processo de avaliação das IES que se aprimora e com um mercado de trabalho mais interessado na proveniência dos egressos, ainda prescindimos de leis e regulamentações. A seguir, algumas muito importantes a serem reconsideradas pelas autoridades federais.
1- Não mais exigir um percentual de professores em tempo integral. Porém, exigir que um professor dedique metade do tempo em sala de aula e a outra metade na instituição para atender os alunos, corrigir provas, preparar exercícios e acessar os novos progressos em sua área.
Isso significa um esforço para o desenvolvimento do estudante, na direção da orientação de Astin. Certamente não interessa um professor de 40 horas gastando-as todas em sala de aula. Também importante é não mais permitir professores pagos por hora.
Esses são pontos sobre os quais não deve haver tolerância.
2- Permitir que alunos em doutoramento atuem como professores. Em pequena escala, essa experiência vem sendo feita no Brasil. Em muitos bons "colleges" americanos, utiliza-se esse processo com sucesso. É comum esses estudantes-professores dedicarem dez ou 20 horas semanais ao ensino. Essa é uma fase em que a atividade didática é exercida entusiasticamente. E, seguramente, é melhor do que um doutor perfazendo 40 horas semanais em sala de aula.
3- Esquecer a aritmética de exigir um terço de doutores e cinco cursos de pós-graduação para uma universidade. Na verdade, um único curso de pós-graduação de qualidade pode distinguir uma universidade privada.
As agências de fomento deveriam desempenhar um papel importante, a exemplo do que fez a Fapesp com o programa Jovem Pesquisador. De 1996 a 2008, a fundação financiou 128 projetos de pesquisa e bolsas em universidades paulistas privadas, envolvendo R$ 30,2 milhões e estimulando a pós-graduação em mais de 20 delas.
No recredenciamento das IES privadas a ser realizado, o MEC deve atuar firmemente, descredenciando aquelas que contribuem para a descaracterização do ensino superior.
Deve também, com o governo federal, estabelecer um plano com metas de dez anos para, aos poucos, ocupar um espaço maior do que os minguados 13% atuais de vagas das IES. Essa meta de médio prazo deve prever um aumento paulatino, mas significativo, do percentual do MEC no orçamento nacional.


ROGERIO MENEGHINI é coordenador científico do programa SciELO de revistas científicas brasileiras, professor titular aposentado do Instituto de Química da USP e membro da Academia Brasileira de Ciências. Foi presidente da primeira Comissão de Avaliação da USP, de 1993 a 1997.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

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Fórum promovido pela Unicamp no próximo dia 28  debate gargalos, desafios e demandas do setor

A Coordenadoria Geral da Universidade (CGU) promove, no dia 28 de setembro, o Fórum “Desafios Contemporâneos do Ensino Superior”, no qual especialistas do Brasil e do Exterior debaterão gargalos, novas demandas e desafios do setor, entre outros temas (confira a programação na página 7). O Jornal da Unicamp ouviu três dos participantes do evento: o físico Luiz Davidovich, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); o psicólogo Timothy Martin Mulholland, reitor da Universidade de Brasília (UnB); e o historiador Edgar de Decca, pró-reitor de Graduação da Unicamp. Nesta e nas próximas duas páginas, os docentes antecipam algumas das questões que serão discutidas.
 
 

Desafios da expansão da Educação Superior Pública – 15:35

18.04.2007

O Estado de Minas, 01/04/07

Ronaldo Tadêu Pena *

Como reitor da UFMG, estou plenamente identificado com os propósitos do Ministério da Educação (MEC) de expandir significativamente o acesso à educação superior pública no Brasil, por meio de iniciativas que promovam também a inclusão social. Já determinei que a Universidade inicie estudos, objetivando a formulação de propostas — em consonância com políticas já delineadas pelo Ministro da Educação e expressas, sobretudo, na minuta de Decreto Presidencial — que, após apreciação da nossa comunidade universitária, possam ser apresentadas ao MEC.

Contudo, a mídia tem dedicado, nas últimas semanas, atenção a uma proposta de remodelação do ensino superior brasileiro, conhecida como “Universidade Nova”, apresentada pelo reitor da Universidade Federal da Bahia. Ela prevê que a formação de ensino superior no país se organize a partir de cursos genéricos, de menor duração, cuja conclusão seria obrigatória para o acesso aos cursos profissionais.

A despeito de trazer à baila algumas discussões importantes, e de conter sugestões interessantes, o projeto da “Universidade Nova” suscita questionamentos mais pelos equívocos que parece conter e pelas ameaças que, no nosso entendimento, podem trazer para a formação universitária em nosso país, com impacto negativo em nosso desenvolvimento econômico e social. São essas as questões que pretendo tratar neste artigo.
A admissão aos cursos superiores é feita, hoje, a partir da escolha prévia – e, certamente, precoce – da carreira profissional. Tendo em vista uma escala de valoração social das profissões, essa escolha prévia permite o ingresso no ensino superior de parcelas expressivas de jovens de famílias pobres. Selecionar alunos para a universidade por grandes áreas do conhecimento, qualquer que seja o exame utilizado, resultará que, em uma instituição como a UFMG, por exemplo, serão selecionados quase exclusivamente estudantes oriundos de classes mais abastadas.

Tenha o nome que tiver, o acesso ao ensino superior dependerá de processo seletivo, pois não há vagas, especialmente no sistema público, para absorver toda a demanda. Mesmo que a UFMG dobre ou triplique seu número atual de vagas oferecida — cerca de 4.500 — chegando, por exemplo, a 12 mil, ainda assim, estará muito longe de atender os quase 70 mil candidatos que, anualmente, demandam ingresso em nossos cursos. Portanto, a cogitação do fim de exame seletivo para acesso à universidade, a médio prazo, pelo menos, não tem qualquer fundamento.

O projeto “Universidade Nova”, pelas formulações relativas ao ciclo básico por grande área de conhecimento poderá, certamente, alongar a formação superior. O curso de medicina, por exemplo, cuja duração atual é de seis anos, se defrontará com problemas para ser concluído no mesmo tempo, no modelo da “Universidade Nova”. Isso representaria um considerável aumento de custos para o país e para as famílias, além de contribuir para frustrar, parcialmente, o desejo de todos de acesso ao ensino superior.

Uma outra incongruência do modelo “Universidade Nova” é que não poderá haver promoção automática dos bacharelados genéricos para os cursos profissionais, pois o número de vagas nestes últimos será bem menor que o de concluintes dos primeiros. Ou seja, será inevitável um segundo vestibular, mais seletivo e concorrido que o atual, dentro da universidade. Além disso, esse modelo muito provavelmente acarretará a diminuição do número de profissionais formados, bem como poderá implicar no seu ingresso mais tardio no mercado de trabalho, sem qualquer ganho efetivo na formação para o exercício profissional.

No mundo inteiro, o ensino superior é ministrado em instituições universitárias — cujo objetivo precípuo é tanto a formação de estudantes quanto a produção de conhecimento, ou seja, a realização de pesquisas — e em instituições não-universitárias, que são organizadas visando exclusivamente ministrar o ensino. Ambos os tipos são essenciais para um país. As universidades, pelas pesquisas que realizam e pela natureza de formação que possibilitam, estão intimamente relacionadas ao desenvolvimento econômico e social de cada país. O modelo da “Universidade Nova” poderá diminuir a capacidade de realização de pesquisas das universidades. Como a proposta parece se ancorar na idéia de ser implantada apenas no sistema federal, haverá um forte desequilíbrio regional, beneficiando alguns poucos Estados que têm expressivo parque universitário estadual, mas poucas vagas em instituições federais.

São essas as razões, entre outras que poderemos tratar em futuras oportunidades, que me levam a não acolher um projeto que apresenta tantas fragilidades como as aqui mencionadas e que pode comprometer, de forma tão decisiva, o futuro da Universidade Pública Brasileira.

* Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

 

 

Instituições privadas adotam nova proposta pedagógica (Folha São Paulo, 04set2007)

Frases

Na Europa: Declaração de Bolonha vê ensino superior como estratégico

"Aluno deve poder montar seu currículo"
Novo formato: Graduação dupla ou com pós são opções (Folha São Paulo, 04set2007)

Novo formato

Instituições privadas adotam nova proposta pedagógica

Anhembi Morumbi e administração na FGV têm conteúdo interdisciplinar

FERNANDA CALGARO
DA REPORTAGEM LOCAL

Ciclos básicos, conteúdo interdisciplinar e alunos de cursos diferentes na mesma classe fazem parte da proposta pedagógica de universidades como USP Leste, UFABC (Universidade Federal do ABC) e o campus da Baixada Santista da Unifesp, que já foram concebidas dessa maneira.
Outras instituições, como a Anhembi Morumbi e a Escola de Administração da Fundação Getulio Vargas, em SP, seguem a tendência e fazem mudanças na sua estrutura pedagógica.
Na Anhembi Morumbi, a divisão do conteúdo será por blocos interdisciplinares, comuns a vários cursos. As carreiras foram agrupadas em escolas, como a de comunicação (que reunirá cinema, jornalismo, produção editorial, publicidade e propaganda e rádio e tv) ou a de negócios (administração e marketing, entre outros).
O setor de saúde terá as maiores mudanças: dos 11 novos cursos para o próximo semestre, cinco são dessa área, como o de medicina. Os laboratórios passarão de 12 para 25, incluindo sete de simulação, em que bonecos dotados de softwares servirão para os alunos treinarem antes de lidar com pacientes de verdade.
A reestruturação deve estar implantada no ano que vem. Para os alunos com dependências em algumas disciplinas, haverá um período de transição no modelo antigo.
"Nosso objetivo é formar profissionais para o mercado de trabalho para daqui a 15, 20 anos, que é quando o recém-formado hoje irá alcançar o seu auge e ainda assim continuará em alta por causa da sua formação mais completa", explica Elizabeth Guedes, pró-reitora acadêmica da universidade.

Ciclos
Com a reformulação do curso de administração da Fundação Getulio Vargas, que teve início neste semestre, o estudante passará por três ciclos de aprendizado, além de conteúdo interdisciplinar. No primeiro deles, irá desenvolver sua capacidade reflexiva, crítica e de comunicação. Na segunda fase, serão trabalhadas as técnicas da administração e, na terceira, a preparação para o mercado.
"A imersão em administração será desde o início, mas não focada somente no conhecimento técnico. O aluno deve estar atento a problemáticas da realidade e saber se relacionar com pessoas e trabalhar em grupo", explica a coordenadora do curso, Marta Ferreira Santos Farah. "Visamos uma formação global do profissional."

Frases

"Treinar em laboratórios com simuladores será importante"
EDUARDO, 24
aluno de enfermagem

"Saber trabalhar em equipe fará a diferença no mercado de trabalho"
ANA PAULA, 17
aluna de fisioterapia

NA EUROPA: DECLARAÇÃO DE BOLONHA VÊ ENSINO SUPERIOR COMO ESTRATÉGICO
Em 1999, ministros da Educação de 29 países europeus assinaram a Declaração de Bolonha, que prevê a criação do Espaço Europeu Superior -uma região em que os estudantes terão livre mobilidade no seu curso, currículos unificados e ciclos básicos. O objetivo do documento, mais tarde assinado por outros 11 países, é fortalecer o bloco e aumentar a competitividade por meio da educação superior.

"Aluno deve poder montar seu currículo"

DA REPORTAGEM LOCAL

A universidade brasileira deve buscar novas maneiras de pensar o seu modo de ensinar, na opinião de Fernando José de Almeida, professor do programa de pós-graduação de educação em currículo, da PUC-SP.
"A idéia de que o aluno construa o seu próprio currículo com a ajuda de um tutor faz parte da proposta da Declaração de Bolonha. E acho que é isso que a universidade brasileira terá de fazer para acompanhar o que acontece na atualidade."
Ao mesmo tempo em que ressalta a importância da interdisciplinariedade, ele afirma que a universidade não pode escapar do seu caráter disciplinar. "Há cursos que podem ser ensinados com um ciclo básico, mas que, em algum momento, terão de ter matérias específicas."
No campus Baixada Santista da Unifesp, não há disciplinas, mas eixos e módulos temáticos. "Isso proporciona que o profissional conheça o que faz o outro", diz Nildo Alves Batista, diretor acadêmico.
Na USP Leste, o ciclo básico dura um ano e as classes são formadas por alunos de até cinco cursos diferentes. "O currículo é conectado à realidade e os estudantes fazem projetos na comunidade", afirma Ulisses Araújo, vice-coordenador do ciclo básico.
Na UFABC, todos os vestibulandos ingressam no mesmo curso, o de bacharelado em ciência e tecnologia, que dura três anos. "Depois, o aluno pode escolher que rumo irá dar a sua formação", explica Adelaide Faljoni-Alário, vice-reitora. (FC)

NOVO FORMATO

Graduação dupla ou com pós são opções

Pode-se aumentar carga horária e incrementar currículo

DA REPORTAGEM LOCAL

As opções de titulação recebida pelos alunos foram ampliadas por algumas universidades, que passaram a oferecer graduações duplas ou com mestrado e a possibilidade de obter um diploma estrangeiro.
Na Universidade Anhembi Morumbi, por exemplo, o aluno poderá fazer uma graduação combinada a partir do ano que vem. O estudante irá assistir às aulas de sua graduação e complementar com uma determinada carga horária que lhe permitirá, ao se formar, sair com dois diplomas de graduação.
Há ainda a opção de fazer uma graduação e complementar com uma carga horária menor e sair com uma certificação, além do diploma de graduação.
O curso de administração da FGV-SP, por sua vez, integrou a graduação ao mestrado. A obtenção dos dois títulos vai estender em um ano a duração do curso, que passará de quatro para cinco anos.
Para Danilo José de Deus Armellini, 19, aluno do primeiro semestre de administração da FGV, a idéia de já sair da faculdade com mestrado lhe atrai. "Iria para o mercado de trabalho com um passo a frente."
A Faap firmou convênio com a Escuela de Administración de Empresas, com sede em Barcelona. "O acordo prevê um ano de estudos na Espanha e o aluno sairá com dois diplomas", afirma Henrique Vailati Neto, diretor da faculdade de administração da Faap.
O diploma de faculdade no exterior precisa ser reconhecida aqui por uma universidade pública, se o formado quiser prestar concurso público, segundo Ronaldo Mota, secretário da Educação Superior. "Se não for esse o caso, pode ser até bom para o mercado ter também um diploma de fora." (FC)

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