Economy and Society II de José Porfiro – Specific

19 de abril de 2007

HIPERTEXTO

Filed under: Sem categoria — Porfiro @ 11:37 AM

Discurso Jornalístico Online  – Francilaine Munhoz de Moraes

 

A CRIAÇÃO E OS PRINCÍPIOS DO HIPERTEXTO

http://www.oboulo.com/search.php?S=CG&T=&L=&start=0&id=19505#document9

 

Resumo

Este artigo relaciona os seis princípios básicos do Hipertexto definidos por Pierre Lévy (1993), com algumas questões centrais do ato criativo, vislumbrando uma ‘analogia’ hipertextual para estas questões. Segundo Lévy, o Hipertexto deve atender aos seguintes princípios: Metamorfose; Heterogeneidade; Multiplicidade de Encaixe das Escalas; Exterioridade; Topologia e Mobilidade dos Centros.

Alguns aspectos significativos acerca da criação e do ato criativo são abordados aqui para que se possa definir parâmetros de comparação com as teorias hipertextuais. As sensações, as analogias, as mediações, a conformação e a representação, estados da criação, mantêm uma relação íntima com estas teorias. A criação é fruto de um ato imaginativo, um ato de pensamento. Torna-se assim pela ação que a objetiva. A construção criativa é derivada de algo ou de sensações existentes, um referente e algo interior. É uma representação sígnica a qual damos um significado, seja ele existente ou novo, dependendo das relações e analogias efetuadas. A cada nova analogia, criamos significados e relações possíveis como uma rede que segue caminhos irregulares, conforma-se a cada instante, onde os nós desta rede são os próprios produtos dessas relações.

 

1. A criação e o ato criativo

Por criação entende-se todo o potencial e toda a capacidade de um indivíduo produzir algo. Criar é basicamente, formar é poder dar forma a algo novo em qualquer que seja o campo de atuação. Esse “novo” estabelece-se como uma nova coerência algo não visto por uma determinada realidade ou situação. O ato criador considera as potencialidades de sentir, perceber, compreender, relacionar, significar, ordenar e configurar. O potencial criativo é um fenômeno de ordem geral enquanto o processo se configura como algo específico. Guilford (1971) distingue entre potencial criativo e pensamento criativo, sendo que o primeiro representaria um conjunto de habilidades e outros traços que contribuem para o pensamento criativo o qual se distingue pela inovação e originalidade.

A criatividade é um fenômeno da mente, nela se localiza e nela também se realiza. Entende-se que a mente não é algo acabado ou finito, ela vai se formando no exercício de si mesma, num desenvolvimento dinâmico em que o indivíduo ao transformar o seu entorno, o mundo físico, o contexto cultural e o mundo psíquico se altera, se transforma, num exercício constante de desenvolvimento e sobrevivência. Nas transformações por ele efetuadas o indivíduo se percebe, essa percepção de si próprio torna-se consciente, este é um dos aspectos que distingue a criatividade humana e a própria espécie, a consciência de seus atos, suas relações e devidas conseqüências. Portanto a criação é um ato de pensamento é um pensar produtivamente como afirma Luria (1994), mesmo não sendo uma ação totalmente consciente e conseqüente na maioria das vezes, torna-se assim, pela ação que a objetiva, uma ação definida, resolvendo situações imediatas, mas também antevendo, mentalmente, situações por vir. Nesse sentido podemos afirmar que o ato criativo é também intencional, muito mais que um ato proposital, pois pressupõe a existência de uma força interior, volitiva, determinada a uma, e por uma finalidade, antes mesmo de existir uma situação concreta para a qual a ação seja solicitada. Sendo um ato mental a criação é uma ação envolvida pela imaginação, assim imaginar seria um pensar específico sobre um fazer concreto, isto é, voltado para a materialidade[1] de um fazer. Não podemos entender portanto o concreto como algo  limitado enquanto possibilidade, menos criativo ou até não-criativo. O pensar produtivo se torna imaginativo e criativo através da concretização de uma matéria. Desvinculado de uma matéria a ser transformada, a única referência do imaginar se centraria no próprio indivíduo, num estado constante de analogias e possibilidades, sem as mediações necessárias para sua concretização.

 

1. O hipertexto

Texto interativo e fractal o Hipertexto seria um acesso não seqüencial ao conteúdo de um documento. Considerando aqui a noção de ‘texto’ como conjunto e totalidade de valores e representações variadas onde o significado deste ‘texto’ pode estar ancorado. O leitor tem a liberdade de percorrer caminhos associativos ao longo do documento, seguindo relações predefinidas ou criadas por ele próprio, nele estão incluídos texto, foto, áudio e vídeo. O Hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões que se transformam em redes ao mergulharmos em seu interior, possibilitando uma dimensão incalculável de caminhos e possibilidades. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser Hipertextos, Lévy (1993).

Vannevar Bush ao conceber o Memex[2], formulou as bases para o surgimento do Hipertexto. Nele, através de uma "indexação associativa" criar-se-ia e manter-se-ia links entre itens, para que se tornasse fácil localizar e correlacionar, no labirinto de dados, informações "momentaneamente importantes". O Memex, embora baseado na tecnologia de microfichas da década de 40, antecipou a idéia de um dispositivo conectado à Internet, capaz de armazenar vasta quantidade de dados e com links para acesso a todas as informações relacionadas a um assunto. Poderia conter milhões de materiais informativos e de consulta instantânea, configurando o que hoje chamamos de hipertextual.

O Hipertexto de acordo com Lévy (1993)  deverá atender aos seguintes princípios:

§  Metamorfose;

§  Heterogeneidade;

§  Multiplicidade de Encaixe das Escalas;

§  Exterioridade;

§  Topologia e

§  Mobilidade dos Centros.Princípio de Automação.

 

1.1. Princípio de metamorfose

“A rede hipertextual está em constante construção e renegociação. Ela pode permanecer estável durante um certo tempo, mas esta  estabilidade é em si mesma, fruto de um trabalho. Sua extensão, sua com­posição e seu desenho estão permanentemente em jogo para os atores envolvidos, sejam eles humanos, palavras, imagens, traços de imagens ou de contexto, objetos técnicos, componentes destes objetos, etc.”

Lévy sustenta que “a rede hipertextual está em constante construção e renegociação”. Essa transformação constante encontra uma relação íntima com a criatividade, pois é própria do seu caráter. A criatividade assume diversas conformações e processos em cada indivíduo e em cada matéria. Cada matéria pode ser transformada em múltiplas maneiras, encerram em si múltiplas possibilidades de questionamentos, o indivíduo age e a transforma assim como é transformado por ela. Não só a ação do indivíduo é condicionada pelo meio social como também a produção do indivíduo tem de estar em consonância com as necessidades e aspirações sociotécnicas. Esse ir e vir modifica o contexto, a matéria e o próprio ser, proporcionam uma constante negociação e construção do fazer e do aprender numa tensão psíquica necessária para a realização de qualquer tarefa. Ostrower (1989) sustenta que a criatividade implica em uma força crescente e variável que se reabastece nos próprios processos através dos quais se realiza. Um permanente jogo entre todos os elementos envolvidos, internos e externos. A energia provocada por essa tensão representa um potencial energético presente nos impulsos instintivos, primitivos tais como energias sexuais e agressivas. Essas são forças transformadoras que determinam o comportamento, na maior parte das vezes inconstante e variável do ato criativo, configurando essa metamorfose transformadora proposta por Lévy.

 

1.2. Princípio de heterogeneidade

Os nós e as conexões de uma rede hipertextual são heterogêne­os. Na memória serão encontrados imagens, sons, palavras, diversas sensações, modelos, etc., e as conexões serão lógicas, afetivas, etc. Na comunicação, as mensagens serão multimídias, multimodais, analógicas, digitais, etc. O processo sociotécnico colocará em jogo pessoas, grupos, artefatos, forças naturais de todos os tamanhos, com todos os tipos de associações que pudermos imaginar entre estes elementos.

Neste princípio fica claro uma questão vital para  a criação que são as analogias ou as inúmeras relações possíveis entre os elementos necessários a produção. Espontâneas e diversificadas no seu conteúdo e conformação, as analogias e associações sobrevêm a nossa mente num ritmo tal que mal temos controle consciente sobre as mesmas. Apesar de espontâneo o seu surgimento, há uma certa coerência na sua essência, ou seja, a estrutura conforma-se na sua irregularidade de forma particular e subjetiva. Por mais inesperadas que possam ser elas condizem com nosso padrão de comportamento e nossa trajetória cultural e criativa. As analogias nos levam a um mundo de fantasias formado por palavras, sons, imagens, movimentos, cheiros e toda uma gama de sensações, conceitos e representações, um universo experimental de um pensar e agir em hipóteses e conjeturas, possibilidades de vir a ser, sempre provável. Esse mundo fantástico gerado pelas analogias é povoado de expectativas, aspirações, desejos variados, medos e toda gama de sentimentos provocados por uma tensão ou angústia motivada por uma necessidade de resolução de alguma situação problema.

Uma das questões pesquisadas pela gestalt com Wertheimer (1959) diz respeito ao pensamento produtivo implicando que alguns aspectos deste poderiam ser configurados como sendo pensamento criativo. Um problema a ser resolvido por uma atitude criativa existe quando tensões não-resolvidas, tensões estas que resultam da interação de fatores perceptuais e da memória. O pensamento produtivo, portanto implicaria em novas combinações de experiências adquiridas, sustentando, porém, os gestaltistas, que essas experiências passadas não garantem que as analogias e combinações se dêem de forma apropriada, em termos de resolução absoluta.

 

1.3. Princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas

O hipertexto se organiza em um modo “fractal”, ou seja, qualquer nó ou conexão, quando analisado, pode revelar-se como sendo composto por toda uma rede, e assim por diante, indefinidamente, ao longo da escala dos graus de precisão. Em algumas circunstâncias críticas, há efeitos que podem propagar-se de uma escala a outra: a interpretação de uma vírgula em um texto (elemento de uma microrrede de documentos), caso se trate de um tratado internacional, pode repercutir na vida de milhões de pessoas (na escala da macrorrede social).

Cada informação acessada na mente nos remete a um universo de significados a ela relacionada. Mergulhamos nesta rede de relações proporcionadas pelos estímulos provocados pela necessidade de criação. Cada informação armazenada não está desvinculada, solta no universo imaginário da mente, a ela liga-se um conjunto de outras informações que se agrupam na medida em que os conceitos vão se formando. Cada informação seja ela palavra, letra, som, imagem, sensações de qualquer ordem e todo seu conjunto de significados unem-se a vários outros conjuntos e grupos, formando nós que se relacionam em conjunto ou isoladamente com cada elemento de outros possíveis grupos. Um elemento modificado em um grupo pode interferir conseqüentemente em todo o conjunto. Isso se configura no momento em que um estímulo proporciona uma variedade de soluções, muitas se diferenciando diametralmente. As gerações de alternativas e relações são configuradas através de um conjunto de informações que por conseqüência acionam um conjunto de outras, tecendo uma rede particular definida pelo conceito advindo destas. Porém na medida em que alteramos este conceito, esse estímulo inicial, todas as alternativas a ele relacionadas se transformam, cores letras, palavras imagens dentro de cada detalhe há a possibilidade de alterações em vários níveis e escalas, de acordo com as possibilidades de analogias e relações futuras.

 

1.4. Princípio de exterioridade

A rede não possui unidade orgânica, nem motor interno. Seu crescimento e sua diminuição, sua composição e sua recomposição permanente dependem de um exterior indeterminado: adição de novos elementos, conexões com outras redes, excitação de elementos terminais (captadores), etc. Por exemplo, para a rede semântica de uma pessoa escutando um discurso, a dinâmica dos estados de ativação resulta de uma fonte externa de palavras e imagens. Na constituição da rede sociotécnica intervêm o tempo todo elementos novos que não lhe pertenciam no instante anterior: elétrons, micróbios, raios X, macromoléculas, etc.

A dependência de fatores externos é um aspecto determinante no ato criativo, ele configura o caráter e a pertinência do produto criado. Fatores culturais a cada instante colaboram na definição do processo, na quantidade de analogias e no seu comportamento, os avanços tecnológicos, independentes de eles proporcionarem facilidades de representação, contribuem no processo perceptivo ampliando as possibilidades e qualidade do impulso recebido. A cada instante um maior número de detalhes são absorvidos e agrupam-se formando novas redes semânticas, ampliando as existentes, e principalmente as possibilidades de novos arranjos. A fotografia em alta velocidade, por exemplo, foi um avanço tecnológico revolucionário para a ciência, pois permitiu para nós, pela primeira vez, examinarmos complicados fenômenos temporais fora do tempo real, mas no seu próprio e ideal tempo, em confortáveis e metódicas análises retrospectivas dos vestígios que eles haviam criado nesses complicados eventos. Esse avanço tecnológico proporcionou um enorme aumento do poder cognitivo. O próprio advento da linguagem foi um impulso exatamente análogo para nós, uma tecnologia que criou uma classe inteiramente nova de objetos para contemplação, substitutos simbólicos e semânticos incorporados que podem ser revistos em qualquer ordem ou situação. Os valores culturais vigentes constituem o clima mental para o ato criativo, proporcionam as referencias, discriminam as propostas, pois embora os objetivos possam ser de caráter subjetivo, neles se elaboram possibilidades culturais objetivas.

 

1.5. Princípio de topologia

Nos hipertextos, tudo funciona por proximidade, por vizinhança. Neles, o curso dos acontecimentos é uma questão de topologia, de caminhos. Não há espaço universal homogêneo onde haja forças de ligação e separação, onde as mensagens poderiam circular livremente. Tudo que se desloca deve utilizar-se da rede hipertextual tal como ela se encontra, ou então será obrigado a modificá-la. A rede não está no espaço, ela é o espaço.

A conformação de um processo criativo é transformada a cada situação problema, em cada indivíduo e a cada instante. Formar importa em transformar, todo processo de elaboração e desenvolvimento abrange um processo dinâmico de transformação, em que a matéria, que orienta a ação criativa, é transformada pela mesma ação. Essa conformação deve ser compreendida como a estrutura de relações, como o modo porque as relações se ordenam e se configuram. Temos a forma de um objeto, mas temos também a de uma ação, de uma proposição de uma idéia ou de um fenômeno. Considerando a forma como estrutura e ordenação de um fazer, todo fazer abrange, portanto a forma em seu ‘como fazer’. Para nós, não existiria nada que não contenha uma ordenação e a forma das coisas correspondente, não podendo, portanto, deixar de corresponder ao conteúdo significativo das coisas. As coisas se articulam para nós a partir de relacionamentos configurados.

A espontaneidade com que um fato qualquer pode alterar o complexo todo determinado por uma configuração, pode por novas proximidades, constituir-se em limiar crítico de novas relações, pode introduzir novas proporções, novas ordenações, transformando a fase anterior em posterior. Configuram situações como se fossem momentos de um processo instantaneamente detido, mas que se assim se apresenta é porque nos detemos em observa-lo. Esse campo ambiental onde o ato criativo se alastra abrange um espaço não-temporal, ou seja, que não se limita num momento, exceto aquele determinado pela representação. De um campo conformado pelo sujeito transitamos para o campo conformado por grupos, agrupando através de comparações, relacionamentos de várias grandezas, procuramos o genérico antes do específico, comparamos, separamos, generalizamos.

Na obra de arte podemos reconhecer um padrão corrente segundo o qual se determina a dinâmica da obra, nas proporções no ritmo dos vários componentes, ao passo que numa conformação por grupos se configura a especificidade material da obra em termos de existência concreta e única. A obra de arte, pela linguagem, afirma em nós a dupla experiência: a do fenômeno do ser e a da ordem do ser.

 

1.6. Princípio de mobilidade dos centros

A rede não tem centro, ou melhor, possui permanentemente diversos centros que são como pontas luminosas perpetuamente móveis, saltando de um nó a outro, trazendo ao redor de si uma ramificação in­finita de pequenas raízes, de rizomas, finas linhas brancas esboçando por um instante um mapa qualquer com detalhes delicados, e depois correndo para desenhar mais à frente outras paisagens do sentido.

Criar é um ato inconstante, inquieto e cheio de tensões que o levam de um lado a outro, de uma analogia a outra transformando o processo em algo dinâmico e inquieto. Ao mesmo tempo em que estamos num processo de produção profícua de profundas e variáveis relações, com milhares de possibilidades aflorando a percepção e se lançando para fora de nossas mentes como água em uma torneira escancarada. Desses momentos de elevada tensão onde a criação nos parece infinita, passamos para momentos onde o processo é bloqueado, trava em nossos traumas, não flui, muito embora a energia esteja lá, pronta para ser liberada, não existe meio de canalizá-la. Nesse movimento de fluxo e refluxo de energia, e busca incessante de novas relações possíveis para saciar a angústia, mudamos a cada instante de eixos de interesse mudamos nossos os pontos de tensão proporcionando outras possibilidades, novos caminhos. Nesses momentos as tensões estão se equilibrando, porém é um equilíbrio dinâmico, que provoca movimento, deslocamento e abordagens diferentes.

O ato criativo é um perene desdobramento e uma perene reestruturação. Em cada momento de articulação e analogias a função criativa sedimenta-se em uma nova possibilidade e ao se discriminarem, concretizam-se, essas possibilidades, e virtualidades, talvez se tornem reais, tornando-se, excluem outras, que até então, hipoteticamente existiam. Uma possibilidade configurada exclui outras, pelo menos em tempo e nível semelhantes. E dessas possibilidades é que se faz o processo, ele se movimenta constantemente, assumindo a direção dessas possibilidades, mesmo que virtuais, derivando os centros de interesse e busca de relações a todo instante.

 

Conclusão

A imaginação e as analogias

A imaginação, segundo Delacroix é criadora, conseqüentemente poética, segundo a etimologia, simultaneamente analítica e sintética, a qual decompõe cada coisa em elementos que ela dispõe segundo regras cuja origem só pode ser encontrada no “profundo da alma”, a “necessidade interior” segundo Kandisnsky. A natureza se configurando como um livro codificado, proporciona à imaginação criadora descobrir nesse código uma composição original, analogias e metáforas, relações íntimas e secretas das coisas, as “correspondências”. As analogias e associações compõem a essência de nosso mundo imaginativo, são correspondências, conjeturas evocadas à base de semelhanças, ressonâncias e reminiscências íntimas em cada um de nós, com experiências anteriores e com um sentimento de vida. A construção criativa é, portanto fruto de algo existente, um referente, e algo interior, uma representação sígnica a qual damos um significado, seja ele existente ou novo dependendo das relações e analogias efetuadas. A cada nova analogia, criamos significados possíveis como uma rede onde os nós desta rede são os produtos dessas relações.

As analogias segundo Fialho (2001) apresentam-se quando a situação tratada não apresenta condições estritas de aplicação de um esquema, apenas condições próximas, não sendo uma simples particularização dele. As analogias utilizam-se de conhecimentos semelhantes para se aproximarem dos conhecimentos específicos, efetuando as devidas correções para que se proceda a compreensão. As relações propostas e criadas a partir destas analogias, formam uma rede de referentes e significados criando um número de conexões próprias de uma rede hipertextual. O processo de desenvolvimento do ato criativo passa necessariamente pelas analogias e relações, fundamentais para as mediações e representações, é no ato de construção ou reconstrução de conceitos que o pensamento criativo se estabelece e sedimenta, por outro lado temos as “Redes Hipertextuais de Significados” nas quais tanto o conhecimento como as representações estariam estruturadas segundo Lévy[3] (1993), essas redes, um verdadeiro conjunto de sensações, emoções armazenadas é que possibilitam o transito da energia criativa.

 

 

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[1] Como materialidade entende-se aqui como a matéria que está sendo formada, aquilo que está sendo transformado.

[2] Idealizado por Vannevar Bush em seu célebre artigo de 1945 “As we may think”. O Memex seria um dispositivo no qual um indivíduo armazena todos os seus livros, registros e comunicações, e que é mecanizado de forma que possa ser consultado com grande velocidade e flexibilidade, poderia armazenar centenas de anos de materiais, incluindo notas manuscritas, registros datilográficos e fotos.

[3]O hipertexto é talvez uma metáfora válida para todas as esferas da realidade em que significações estejam em jogo” (p.28)

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