Economy and Society II de José Porfiro – Specific

31 de maio de 2007

FELICIDADE

Filed under: Sem categoria — Porfiro @ 12:30 PM
 
24/08/2008
Porque os dinamarqueses são o povo mais feliz do mundo


Por Matt Mabe

Há três anos, se você perguntasse a uma pessoa na Dinamarca o segredo da felicidade, você provavelmente receberia de volta um olhar intrigado. A mesma questão hoje, todavia, seria provavelmente respondida por um riso conhecedor e uma entre várias explicações.

É preciso se acostumar com o fato de reconhecido como o povo mais feliz do mundo.

Desde 2006, A Dinamarca, um país homogêneo de 5 milhões de pessoas na tempestuosa costa norte da Europa, foi agraciada com o título de lugar mais feliz da terra por duas pesquisas diferentes.

As descobertas dos estudos invalidaram a percepção internacional de longa data de que a Dinamarca era um estranho e frio exportador de laticínios com uma grande taxa de suicídio, transformando o país em um modelo de harmonia social que está prosperando na era da globalização.

A nova e improvável reputação do país —e a significativa atenção da mídia que isso engendrou— pode ter proporcionado um efeito ainda mais profundo nos próprios dinamarqueses ao desencadear um debate nacional sobre como eles vivem suas vidas.

"Isso nos deu uma chance para refletir sobre como somos um país realmente equilibrado", diz Dorte Kiilerich, diretora administrativa do Visite a Dinamarca, a organização oficial de turismo do país.

No início de 2006, a Dinamarca era a mesma de tempos atrás: um país tranqüilo, estável, mais conhecido por ser o berço de Hans Christian Andersen, dos Jardins Tivoli, e cenário do Hamlet de Shakespeare, do que por ser um epicentro de felicidade.

O turismo estava em queda há uma década, e havia uma controvérsia internacional contra o país por causa de uma série de charges sobre o profeta Mohammed, publicadas por um jornal dinamarquês meses antes.

Rede de segurança social

Então em julho daquele ano, um pesquisador da Universidade de Leicester, na Inglaterra, divulgou um ranking dos países mais felizes do mundo depois de analisar dados de diversas fontes. O relatório concluía que os fatores econômicos relacionados com o sistema de saúde, padrões de vida e acesso à educação básica eram características determinantes da atitude geral dos países.

A Dinamarca, com seus sistema de saúde gratuito, um dos PIBs per capita mais altos do mundo, e escolas de qualidade, veio em primeiro lugar.

As notícias se espalharam rapidamente. Niels Martiny, estudante de antropologia social de 26 anos de idade na Universidade de Aarhus na segunda maior cidade da Dinamarca passou o ano passado no Peru fazendo pesquisa. Mesmo lá, as notícias sobre a pesquisa haviam chegado. "Eles estavam bastante surpresos", diz Martiny rindo. "Eles tinham uma idéia a respeito do povo nórdico ser muito reservado e sério."

Os estrangeiros não foram os únicos a coçar a cabeça com os resultados. Os dinamarqueses ficaram igualmente confusos. "Muitos amigos meus ficaram surpresos", diz Martiny, que considera a si mesmo bastante feliz com sua própria vida, mas achou que o estudo pode ter cometido alguns erros. Os dinamarqueses, diz ele, tendem a não expressar suas emoções como pessoas de outras culturas fazem.

Atingindo o equilíbrio correto

Mas os resultados não foram apenas sorte. No começo desse verão, o instituto de Pesquisa de Valores Mundiais, em Estocolmo, que usa uma metodologia bem diferente, também descobriu que os dinamarqueses são as pessoas mais contentes do mundo.

O estudo concluiu que os parâmetros mais seguros para medir o bem-estar de um país são a liberdade de escolha sobre como levar a vida, o encorajamento à igualdade de gêneros, e a tolerância às minorias. Novamente, em todos os aspectos, a Dinamarca levou o primeiro prêmio.

O que a Dinamarca tem que nós não conseguimos compreender?

Atingir o equilíbrio certo é provavelmente o que mais destaca o país, sugere Kiilerich, do Visite a Dinamarca. A felicidade na maior parte das sociedades nórdicas, que ficaram em boa colocação nas listas dos países mais felizes em ambos os estudos, é conseqüência de uma combinação inefável de força econômica e programas sociais.

O modelo da Dinamarca se baseia em impostos altos e numa agressiva redistribuição de riqueza —uma maldição para muitos americanos defensores do mercado-livre— que resulta numa ampla variedade de serviços sociais como a saúde, aposentadorias, e escolas públicas de qualidade.

E mesmo assim, o país conseguiu fazer com que esse modelo funcionasse sem impedir o crescimento econômico ou os incentivos para crescer. "A Dinamarca tem uma cabeça e um coração", diz Kiilerich.

As fortes redes de segurança social que sustentam os cidadãos dinamarqueses do nascimento até a morte também são abertas para os estrangeiros. Kate Vial, uma americana de 55 anos que morou e trabalhou na Dinamarca por mais de 30 anos, desistiu de várias oportunidades para voltar aos EUA ao longo dos anos, preferindo criar seus três filhos na Dinamarca.

Vial sabe que nunca será rica, mas disse que valoriza a família, a possibilidade de viajar, e a simples segurança econômica acima de tudo. "Eu basicamente escolhi um estilo de vida mais simples, em que eu posso ir a todo lugar de bicicleta e onde não tenho que ganhar muito dinheiro para sobreviver", diz.

Algumas pessoas atribuem a atitude que prevalece entre os dinamarqueses como algo menos tangível, chamado de hygge (pronuncia-se "ruga"). Os dinamarqueses dizem que é uma palavra difícil de traduzir —e de compreender— mas é descrita como um sentimento acolhedor, de convívio, que envolve fortes laços familiares.

"A essência disso é que você não precisa fazer nada além de entregar-se", diz Vial. "É uma combinação de relaxar, comer, beber, celebrar, passar tempo com a família."

Quaisquer que sejam os motivos para a felicidade aparente da Dinamarca, os dois estudos indicam claramente que o país deve estar fazendo algo certo. Força econômica e sistema de apoio social à parte, Kiilerich diz que há algo no sangue do país que os outros países escandinavos não têm. "Nossos vizinhos nos adoram por causa disso, mas eles simplesmente não conseguem entender", diz.

Tradução: Eloise De Vylder

 
02/05/2008 – Psicólogo social afirma que "coisas ruins não nos afetam tão profundamente quanto nós esperamos"

Claudia Dreifus – Do Science Times

Em Harvard, o psicólogo social Daniel Gilbert é conhecido como Professor Alegria. Isso porque esse pesquisador de 50 anos de idade comanda um laboratório que estuda a natureza da felicidade humana. Seu livro "Stumbling on Happiness" foi best seller do "New York Times" durante 23 semanas e conquistou o prêmio 2007 Royal Society Prize for Science Books.

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21/04/2008
O dinheiro não compra a felicidade. Bem, reconsiderando…

David Leonhardt

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a economia japonesa passou por um dois maiores "booms" que o mundo já viu. De 1950 a 1970, o rendimento per capita cresceu mais do que sete vezes. O Japão, em poucas décadas, transformou a si mesmo de um país despedaçado pela guerra em uma das nações mais ricas da terra.

Ainda assim, estranhamente, os cidadãos japoneses não pareceram nem um pouco mais satisfeitos com suas vidas. De acordo com uma pesquisa, a porcentagem de pessoas que deram a resposta mais positiva em relação à satisfação na vida de fato caiu desde o final dos anos 50 até o início dos anos 70. Eles estavam mais ricos mas, aparentemente, não estavam felizes.

Esse contraste se tornou o exemplo mais famoso de uma teoria conhecida como paradoxo de Easterlin. Em 1974, um economista da Universidade da Pensilvânia chamado Richard Easterlin publicou um estudo em que argumentava que o crescimento econômico não necessariamente levava a uma maior satisfação.
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PROSPECT MAGAZINE
13/03/2008
Felicidade se aprende na escola
Há pedidos para que felicidade seja ensinada nas escolas. Mas as tentativas de ensiná-la podem entrar em conflito com outras coisas que a escola deseja inculcar

Adam Phillips*

Se há uma coisa da qual estamos convencidos agora, é que somos criaturas em busca de prazer que querem minimizar a dor e a frustração em nossas vidas. Nós somos criaturas que, talvez diferente de qualquer outro animal, buscam a felicidade. Mas felizmente, e infelizmente, a outra coisa que sabemos é que o prazer, como a felicidade, não é tão simples como gostaríamos que fosse.

Discussões sobre o que torna uma vida boa, e se a virtude pode ser ensinada, são tão antigas quanto a investigação humana esclarecida. Mas a felicidade agora é uma coisa, e então precisamos ter alguma idéia do que a busca pela felicidade se trata; se a educação pode mudar uma pessoa (isto é, quão abertas as crianças estão às influências e de que forma); e o que a frase muito apreciada, "faça alguém feliz", pode significar.

 
Como a felicidade é subjetiva -que o que nos torna felizes é um tipo de chave para nosso senso de nós mesmos- nós não precisamos definir. Nós não precisamos dizer para as pessoas o que elas já sabem. Mas as crianças estão no processo de descobrir pela primeira vez o que as torna felizes. Para isto, como para tudo mais, elas dependem dos adultos que cuidam delas. E há uma experiência fundamental ligada ao prazer que todo pai e professor tem com suas crianças: você não pode dizer para uma criança que não está tendo prazer, apenas dizer que não deveria.

Pense em uma criança pequena beliscando alegremente sua irmã mais nova, ou urinando no tapete. As crianças freqüentemente têm prazer com coisas que os adultos não querem que tenham prazer. Assim, se acreditarmos que a educação deve tornar a criança feliz, o que queremos dizer é: a educação deve torná-las felizes de formas que nós adultos aprovemos. Nós somos os donos da definição aceitável de felicidade.

Se a pergunta original -a pergunta de Platão- foi "a virtude pode ser ensinada?", e ela se tornou "a felicidade pode ser ensinada?", nós poderíamos nos perguntar qual é a diferença, qual seria a diferença entre a escola tentar tornar as pessoas boas e tentar torná-las felizes? Uma das diferenças mais óbvias é que ser bom nem sempre torna as crianças (ou adultos) felizes. Mas se a educação deve torná-las felizes, que tipo de moralidade ela vai ensinar, tanto implícita quanto explicitamente, a serviço deste ideal?

A escola teria que dizer a coisa paradoxal: nossas regras são feitas para ser quebradas porque nós sabemos que, pelo menos para alguns de vocês, apenas a transgressão os fará se sentirem plenamente vivos, e que para alguns esta é a única felicidade autêntica. Ao promover a felicidade na escola, nós estaríamos promovendo a emoção em vez da segurança, pelo menos para alguns. Nós diríamos -e isto poderia ser uma coisa boa- não evite situações que possam fazer você se sentir culpado, mas aprenda a suportar a culpa. Não se trata da promoção da felicidade em si promover o risco; mas ela confronta os adultos com a questão perene de se, e em que situações, preferem a segurança à emoção, ou vice-versa, para as crianças.

A busca da felicidade pode potencialmente dar tanto para crianças quanto professores uma visão moral mais complexa. Como os professores não podem saber de antemão o que tornará uma criança feliz, eles serão incapazes de construir e impor uma moralidade que tornará ele ou ela feliz. Seria um bom começo para iniciar a formação de nossa moralidade a partir do entendimento do que torna as pessoas felizes, em vez de uma forma de antecipar esta descoberta para elas.

A escola pró-felicidade seria na melhor das hipóteses uma escola pró-improvisação moral. Isto colocaria um fardo pesado mas interessante sobre os professores. A felicidade pode ser boa como um ideal porque muda nossos pontos de vista sobre a moralidade; ela permitiria que as crianças na escola tivessem uma versão mais intrigante do que a moralidade pode envolver. Mas a felicidade como uma exigência moral -você tem que ser feliz e está fracassando se não for- é perniciosa.

Se a pressão para ser feliz é incapacitante -o que a criança sob pressão para ser feliz fará com sua infelicidade?- a oportunidade de ser feliz, ou de encontrar o que a torna feliz, só pode ser uma coisa boa. Mas aproveitar as oportunidades de felicidade pode ser algo moralmente complicado, e pode envolver uma certa infelicidade (pense na criança na escola preferindo um amigo em vez de outro, ou querendo estudar matérias que seus pais desaprovam).

Os promotores da felicidade, por exemplo, freqüentemente subestimam quanta inveja a felicidade provoca, e quanto isto é um problema para os invejosos e invejados; a felicidade como um ideal se encaixa muito facilmente na crença contemporânea de que uma boa vida é simplesmente uma vida invejável. Assim, me parece que uma coisa que a educação pode fazer é ajudar as crianças a encontrarem uma linguagem que possa fazer justiça aos prazeres e problemas que a felicidade envolve -e fornecer um ambiente no qual possam começar a ter uma idéia dos conflitos nos quais a felicidade pode envolvê-los. Se, como John Lennon disse, a vida é o que acontece enquanto você está fazendo outros planos, então a felicidade é igual -talvez na mesma medida.

*Adam Phillips é um psicanalista e escritor.

Tradução: George El Khouri Andolfato

 

Resumo Original.

Este trabalho teve por objetivo analisar a influência de possíveis determinantes empíricos na felicidade dos brasileiros. Os determinantes considerados foram estado civil, idade, escolaridade, sexo, região, religião, etnia, renda, posição relativa da renda, desemprego, probabilidade de desemprego para indivíduos empregados e probabilidade de emprego para indivíduos desempregados. Estes determinantes foram utilizados no modelo de probit ordenado para a estimação da felicidade. Para isso foram utilizados os dados disponibilizados pelo World Values Survey para os anos de 1991 e 1997. Os resultados obtidos mostram a variável renda como altamente significativa para a determinação da felicidade. Ela esteve presente nos resultados de quase todas as estimações realizadas. A variável posição relativa da renda, apesar de não ter sido significativa para explicar a felicidade apresentou uma relação positiva com a felicidade (quanto maior a renda de um indivíduo perante seus semelhantes, melhor tende a ser sua posição frente a eles, o que contribui positivamente para sua felicidade). O desemprego também se mostrou quase sempre presente. Essa variável se mostrou mais significativa na determinação da felicidade do que as variáveis que relacionam desemprego com probabilidade de emprego e emprego com probabilidade de desemprego. Casamento, em geral, é um importante determinante na felicidade dos brasileiros (o que confirma os dados encontrados em muitos outros países), comparativamente aos demais estados civis. As mulheres são menos felizes que os homens: apresentam uma relação negativa com a felicidade comparativamente aos homens. E por fim, as religiões católica e espírita (denominação deste trabalho para englobar religiões como candomblé, espiritismo e umbanda) possuem coeficiente negativo para a felicidade.

 
 
25/06/2007 – The NYT
Al Lewis
The Denver Post/The New York Times News Service

O dinheiro é capaz de comprar felicidade? Pode apostar que sim.

"Estudos revelam que as pessoas nos países ricos são, de maneira geral, mais felizes do que aquelas dos países pobres", afirma Ed Diener, psicólogo da Universidade de Illinois que passou a vida estudando o bem-estar humano.

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31/05/2007 – Prospect Magazine
Contra a infelicidade

Richard Layard*

O economista e escritor Paul Ormerod afirma que o governo não deveria se preocupar com a felicidade, já que isso somente levaria a um excesso de governo e intervenção desinformada. Mas o que o governo deveria tentar promover, senão a felicidade? Quando objetivos como liberdade, igualdade e prosperidade entram em conflito, por qual critério deveríamos mapear nosso curso, senão o da felicidade de nossos cidadãos?

Ormerod não apresenta alternativa. Ele quer apenas que o governo fique fora da felicidade e evite os perigos da falha de informação, mesmo que enquanto isso não estejamos ficando mais felizes.

Não faz sentido. É como procurar as chaves embaixo do poste de iluminação porque é mais fácil olhar lá. Em vez disso, deveríamos procurar o que queremos onde pode ser encontrado.

É claro que não é fácil medir a felicidade com precisão, assim como a liberdade ou muitas coisas que são importantes para nós. Mas, se elas importam, deveríamos tentar – e, ao sabermos mais, deveríamos usar cada vez mais essa informação para influenciar a política. Na verdade, temos medidas cada vez melhores da felicidade. As avaliações psicológicas e neurológicas convergem bem, aumentando nossa confiança no que as pessoas dizem sobre seus sentimentos. Se pudermos explicar o que elas sentem, teremos informação vital para informar a política.

Mas aqui tropeçamos com a principal objeção de Ormerod, que se baseia em uma simples incompreensão. Ele acredita que os "advogados da felicidade" raciocinam como se segue: a) a felicidade não aumentou em 40 anos, e b) a renda, mais os gastos em educação, saúde e lazer aumentaram. Portanto, c) renda, educação, saúde e lazer não afetam a felicidade.

É claro que não dizemos isso. Pelo contrário, estudamos de perto o efeito de todos os fatores conhecidos sobre a felicidade. Encontramos efeitos positivos da maior renda (pequenos, mas significativos), melhor saúde e maior lazer. Mas também mostramos os importantes efeitos negativos de ter maus relacionamentos (nas famílias, nos locais de trabalho e nas comunidades).

Com o tempo, enquanto a renda, a saúde e o lazer aumentaram, a qualidade desses relacionamentos deteriorou, e foi isso que impediu nossa felicidade de crescer.

Não são questões especulativas. São conclusões bem pesquisadas. A pesquisa da felicidade é hoje um grande campo de estudos. O principal conhecimento vem de microestudos de indivíduos, mais do que de macroestudos de médias de séries temporais, onde é difícil destrinchar o que causa o quê. Assim são as coisas na economia.

Por exemplo, como Ormerod sabe, quando queremos identificar os efeitos da política educacional sobre o Produto Interno Bruto, não tentamos relacionar os movimentos do PIB ano a ano às mudanças no sistema educacional. Se o fizéssemos, seríamos incapazes de detectar algum efeito, e concluiríamos erroneamente que ele não existe. Em vez disso, trabalhamos através de cada ligação na cadeia de causa e efeito, e só inferimos o efeito geral daquela seqüência de ligações.

O mesmo vale para a felicidade. A felicidade em geral depende do quanto se é feliz em cada área diferente da vida (família, trabalho, comunidade e assim por diante), e as políticas exercem seus efeitos em cada área relevante da vida. Com o passar do tempo, sabemos cada vez mais sobre as ligações em cada etapa da cadeia de causalidade.

Portanto, esse é um projeto voltado para o futuro. Nosso conhecimento se tornará cada vez mais preciso, como em qualquer área progressista da ciência. É claro que não devemos correr antes de saber andar: só deveríamos mudar as políticas para aumentar a felicidade se houver evidências robustas.

Mas deveríamos ser incansáveis em nossos esforços para melhorar as evidências. Devemos definir o que precisamos saber e garantir que o encontremos. Compreender as condições que levam à felicidade humana em toda a sua complexidade deveria ser a preocupação central da ciência social.

Esta é a abordagem oposta de dizer que sabemos muito pouco e, portanto, deveríamos desistir de tentar saber mais, como afirma Ormerod. Ele chega a sugerir que em geral devemos "desprezar a coleta central de informações sempre que for praticável". Melhor, presumivelmente, para o governo central atuar sem restrições.

Mas, se levarmos a sério a felicidade, implicará mais ou menos atividade do governo? É cedo demais para dizer. Certamente descobriremos mais sobre como a regulamentação cria frustração e descontentamento, e poderemos concluir que os benefícios objetivos que os burocratas reivindicam são muitas vezes superados pelos des-benefícios subjetivos.

No que diz respeito aos gastos do governo, certamente desejaremos dar mais prioridade à promoção de melhores estados mentais (menos depressão e ansiedade, menos alienação dos adolescentes, melhor criação dos filhos). Mas pode acontecer que alguns indicadores "objetivos" importem menos para a felicidade humana do que seus defensores alegam, e portanto mereçam menos gastos. Com o tempo, depois de algumas décadas, todas as políticas serão avaliadas em termos de seus efeitos sobre a felicidade, mais que sobre o Produto Interno Bruto.

Os governos têm-se interessado pela felicidade pelo menos desde o Iluminismo. Mas só recentemente começamos a medi-la e a explicá-la sistematicamente. As pessoas de boa vontade não deveriam exagerar o que já sabemos, mas tampouco deveriam minar uma tendência que será tão benéfica para a humanidade.

*Richard Layard é autor de "Happiness: Lessons from a New Science" [Felicidade: Lições de uma Nova Ciência]

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

 
02/03/2005
A felicidade está de volta
O aumento da renda média nas sociedades ocidentais não nos torna mais felizes, enquanto as sociedades cada vez mais individualistas e competitivas tornam alguns de nós decididamente infelizes

Por Richard Layard*
Em Londres

Os responsáveis pelas políticas públicas deveriam se inspirar mais uma vez no utilitarismo do filósofo inglês Jeremy Bentham (1748-1831), que permaneceu fora de moda por muitas décadas, mas que agora vem sendo reivindicado pela neurociência moderna.

Ao longo dos últimos 50 anos, nós, os ocidentais, fomos beneficiados por um crescimento econômico sem paralelo. Hoje, nós dispomos de casas, automóveis, férias e empregos melhores, e, sobretudo, de sistemas educacionais e de saúde mais aprimorados. Conforme reza a teoria econômica padrão, isso deveria ter tornado todos nós mais felizes.

Mas as pesquisas mostram que não é bem assim. Quando perguntam aos britânicos e aos americanos se eles se sentem felizes, eles respondem que não houve qualquer melhora neste campo nos últimos 50 anos.

Um número maior de pessoas sofre de depressão, enquanto a criminalidade –um outro indicador de insatisfação– está muito mais elevada.

Esses fatos representam verdadeiros desafios para muitas das prioridades que nós havíamos definido para nós mesmos, tanto como sociedades quanto como indivíduos. A verdade é que nós nos encontramos numa situação que o homem desconhecia anteriormente.

Quando as pessoas vivem no limite da sobrevivência, o progresso material de fato as torna mais felizes. As pessoas que vivem no mundo rico (ou seja, com uma renda anual acima de, digamos, US$ 20.000 –R$ 52.640– por pessoa) são mais felizes do que pessoas de países mais pobres, enquanto as pessoas que vivem em países pobres se tornam de fato mais felizes quando elas se tornam mais ricas.

Mas, quando o desconforto material está finalmente banido, a renda adicional torna-se muito menos importante do que os nossos relacionamentos uns com os outros: com a família, com os amigos e dentro da comunidade. O perigo vem de que nós sacrificamos em demasia os nossos relacionamentos ao perseguirmos uma renda maior.

O desejo de ser feliz é um aspecto central da nossa natureza. Além disso, seguindo os preceitos do o utilitarismo, um pensamento estabelecido pelo filósofo inglês Jeremy Bentham (1748-1831), eu quero uma sociedade na qual as pessoas sejam tão felizes quanto possível e na qual a felicidade de cada pessoa seja tão importante quanto à das outras.

Esta deveria ser a filosofia a ser seguida em nossa época, a principal referência de toda política pública e de toda ação individual. E, por fim, ela deveria substituir o intenso individualismo que foi incapaz de nos tornar mais felizes.

Contudo, o utilitarismo permaneceu fora de moda por muitas gerações, em parte por causa da crença segundo a qual a felicidade era demasiadamente insondável. Nos últimos anos, isso começou a mudar. A "ciência" da felicidade, que começou a se desenvolver nos Estados Unidos nos últimos 20 anos, defende a idéia segundo a qual a felicidade constitui uma dimensão objetiva da experiência (um dos pais desta idéia, Daniel Kahneman, recebeu o prêmio Nobel de economia em 2002).

A cada instante, nós nos sentimos bem ou mal, numa escala que se estende da miséria até o êxtase. Os nossos sentimentos de bem-estar ou mal-estar são afetados por muitos fatores, que vão desde o conforto físico até o nosso senso interior de significado. O que importa é a totalidade da nossa felicidade ao longo dos meses e dos anos, e não apenas os prazeres efêmeros. A nova ciência pode nos permitir medir essa quantidade de felicidade e explicar as suas características.

Para medir a felicidade, nós mesmos podemos perguntar a uma pessoa o quão feliz ela é, ou podemos perguntar aos seus amigos, ou ainda encarregar desta tarefa investigadores independentes. Em todos os casos, essa pesquisa resultará em conclusões similares.

A grande ruptura se deu no campo da neurociência. Richard Davidson, da Universidade do Wisconsin (EUA), identificou uma área, situada na parte esquerda do nosso cérebro, onde as sensações boas são experimentadas, e uma outra, situada no lado direito, onde as más sensações são experimentadas.

A atividade nessas áreas do cérebro altera-se drasticamente à medida que a pessoa tem experiências boas ou ruins. Aquelas que se descrevem a si mesmos como pessoas felizes são mais ativas do lado esquerdo do que as pessoas infelizes, e menos ativas do lado direito. Com isso, a antiga idéia behaviorista segundo a qual nós não podemos saber como outras pessoas se sentem, passa agora a ser atacada.

O desafio consiste em descobrir o que isso significa em termos de prioridades políticas em sociedades livres como as nossas. Se nós admitimos que os governos pudessem e deveriam ter por objetivo maximizar a felicidade, e não limitar-se simplesmente à renda, em que isso poderia afetar certas escolhas específicas no campo das políticas públicas?

Nós devemos começar estabelecendo os fatores-chave que afetam a felicidade de uma pessoa. A vida familiar e pessoal vem em primeiro lugar em todo estudo, enquanto a vida no trabalho e na comunidade ocupa uma posição importante. A saúde e a liberdade também são cruciais, e o dinheiro conta também, mas de uma maneira muito específica.

Dinheiro traz felicidade –até certo ponto

Eu começarei com o dinheiro –ou, mais especificamente, com a política de taxação da renda. Em qualquer sociedade, as pessoas mais ricas são mais felizes que as pessoas pobres. Ainda assim, à medida que um país ocidental se torna mais rico, a sua população, de maneira geral não se torna mais feliz.

A razão disso é que ao longo do tempo, os nossos padrões de vida e as nossas expectativas vão aumentando em função da nossa renda. Uma pesquisa do instituto Gallup perguntou aos americanos, ano após ano: "Qual é a menor quantidade de dinheiro de que uma família de quatro pessoas precisa para viver bem nesta comunidade?".

As quantias mencionadas aumentam proporcionalmente com a renda média. Uma vez que as pessoas vivem sempre comparando o que elas ganham com o que as outras possuem, ou com o que elas estão acostumadas a ter, eles só se sentirão mais confortáveis se a sua renda estiver relativamente acima da norma.

Esse processo pode ter efeitos contraproducentes. Se eu receber um incentivo que me permita trabalhar mais e ganhar mais, isso me tornará mais feliz. O mesmo acontece com outros membros da sociedade, que também se importam com o seu padrão relativo de vida.

Uma vez que a sociedade como um todo não pode elevar a sua posição em relação a si mesma, os esforços que os seus membros dedicam a esta finalidade poderiam ser considerados como sendo um desperdício –o equilíbrio entre lazer e trabalho tem sido alterado "de maneira não-eficiente" em favor do trabalho.

Para reforçar este ponto de vista, eu gostaria de situá-lo em termos de status, o qual pode derivar tanto do dinheiro que se ganha quanto do dinheiro que se gasta. As pessoas trabalham, ao menos em parte, para aumentarem o seu status. Mas o status é medido em função de um sistema de classificação: um, dois, três e assim por diante.

Então, se uma pessoa melhorar o seu status, outra pessoa estará o perdendo na mesma proporção. É um jogo de soma zero: sacrificar a vida privada com objetivo de aumentar o nível do seu status constitui um desperdício do ponto de vista da sociedade com um todo.

É por isso que essa competição implacável é tão destrutiva: nós perdemos uma parte considerável da vida em família e de paz de espírito ao perseguir uma coisa que, no seu conjunto, não pode ser alterada.

Ou, ao menos, é o que aconteceria conosco –se não precisássemos pagar impostos sobre a renda. Mas os tributos sobre o que se ganha desestimulam o trabalho. A maioria dos economistas vê na taxação um fator negativo, de desvantagem. Eles afirmam que quando alguém paga 100 libras esterlinas (cerca de R$ 505) em impostos, o impacto é maior do que parece –o tributo possui um "excesso de carga"– por causa da distorção que isso gera em tudo o que não está diretamente ligado ao trabalho.

Mas sem impostos, haveria uma distorção ineficiente em relação ao trabalho. Por isso, os impostos, até certo nível, podem ajudar a melhorar o equilíbrio entre o trabalho e a vida privada dos cidadãos, e, com isso, aumentar o senso geral de bem-estar numa sociedade. Eles funcionam como uma taxa sobre a poluição.

Quando eu ganho mais dinheiro e adoto um estilo de vida mais dispendioso, isso exerce uma pressão sobre os outros, que vão tentar se equiparar a mim –a minha ação faz subir o nível da norma e os torna menos satisfeitos com o que eles têm. Eu me torno igual ao dono daquela fábrica que expele fuligem sobre a lavanderia da vizinhança. E o remédio econômico clássico para questões ligadas à poluição é fazer com que o poluidor pague.

De vez em quando, as pessoas contestam este argumento. Elas alegam que esta maneira de ver as coisas faz o jogo dos invejosos ou ainda que ela vai contra o crescimento pessoal do indivíduo. É verdade que medidas como essas reduzem algumas formas de liberdade. Mas nós não podemos simplesmente descartar o caráter universal das comparações de status; o desejo de adquirir um status sempre maior é parte integrante dos nossos genes.

Pesquisas sobre o comportamento dos macacos mostram como isso funciona: quando um macaco macho é deslocado de um grupo no qual ele é o chefe para um outro grupo no qual o seu status é inferior, o seu cérebro experimenta uma queda brutal dos níveis de serotonina –o neurotransmissor mais claramente associado aos sentimentos de felicidade.

Portanto, se a competição humana por status se revela como uma deficiência –do ponto de vista da felicidade como um todo na sociedade– faz sentido reduzir ligeiramente essa liberdade, retirando pequenas quantidades dela por meio de uma política tributária.

Aqueles que querem acabar com os impostos deveriam explicar por que eles acham que nós deveríamos trabalhar mais e sacrificar a nossa vida em família e na comunidade em favor de uma competição por status cuja resultante acaba sempre sendo zero.

Eles podem argumentar que trabalhar duro é bom para os consumidores. Mas os trabalhadores são as mesmas pessoas que os consumidores. Não faz sentido matar nós mesmos no trabalho em proveito de nós mesmos como consumidores.

A isso, acrescenta-se uma outra consideração: quando nós trabalhamos mais e, com isso, aumentamos o nosso padrão de vida, nós apreciamos inicialmente o salto qualitativo que isso gera, mas logo nos acostumamos com ele.

Uma pesquisa demonstra que as pessoas não percebem adequadamente este processo de habituação, e que elas não se dão conta plenamente de que uma vez que elas experimentaram um estilo de vida superior, elas terão o sentimento de que é preciso continuar a aprimorá-lo. De fato, elas se tornarão viciadas nele. Mais uma vez, a receita econômica padrão para lidar com o vício do consumo é taxar essas despesas.

Estes são argumentos em favor da taxação não no sentido de obter dinheiro com ela, e sim com o objetivo de restringir a atividade que é poluidora e causa dependência, e com isso contribuir para manter o delicado equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho.

Tais argumentos deveriam ser incorporados à luta democrática e social contra os cortes de impostos que o governo britânico vem operando. Há também a questão da equidade.

O principal argumento em favor da redistribuição sempre foi o de que um ganho adicional proporciona menos felicidade adicional a uma pessoa rica do que a uma pessoa pobre. Até recentemente, essa noção não passava de uma pura especulação; mas os elementos que foram levantados nas pesquisas confirmam agora que isso é verdade.

De que outra maneira poderíamos nós refrear o impacto da competição implacável? Nós precisamos partir da natureza humana tal como ela é, mas nós podemos também alterar os valores e os comportamentos por meio dos sinais que as nossas instituições transmitem.

Uma focalização explícita na felicidade poderia permitir mudar as atitudes em relação a muitos aspectos da política, inclusive nos campos da educação e do treinamento, das políticas regionais e dos pagamentos relacionados com o desempenho.

Respeito

Num certo sentido, o que as pessoas mais almejam é o respeito. Elas procuram alcançar o status econômico porque isso proporciona respeito. Mas nós podemos aumentar ou diminuir o peso que atribuímos ao status. Numa sociedade cada vez mais competitiva e que valoriza cada vez mais a meritocracia, a vida se tornará cada vez mais difícil para as pessoas situadas na parte inferior das escala das capacidades, a não ser que nós desenvolvamos critérios mais abrangentes para o respeito.

Nós deveríamos respeitar as pessoas que cooperam com outras sem obter com isso qualquer ganho financeiro para elas mesmas, e quem se mostrar talentoso e empenhado em qualquer nível de atividade. Isso explica por que é tão importante fazer com que cada pessoa possa desenvolver uma habilidade.

Na Grã-Bretanha, isso significa garantir que todos os jovens possam ter acesso a uma aprendizagem se eles desejarem, de modo que aqueles que não obtiveram um sucesso acadêmico na escola ou na universidade possam conhecer o gosto do orgulho profissional, e evitar assim ingressar na vida adulta considerando a si mesmos como pessoas fracassadas.

Da mesma forma, nós deveríamos considerar com ceticismo instituições que atribuem um maior peso à posição, tais como as que determinam uma remuneração em função do empenho da pessoa (em inglês, "performance-related pay" – PRP).

A idéia que está por trás do PRP é que ao remunerar as pessoas em função daquilo que elas realizam, nós estabelecemos o melhor sistema possível de incentivos. Nos casos em que nós podemos medir o nível de desempenho das pessoas de maneira acurada, nós deveríamos remunerá-las em função disso –pessoas tais como representantes de vendas que viajam, vendedores de divisas estrangeiras ou jóqueis de competições hípicas. E nos casos em que o desempenho depende dos esforços de uma equipe, nós deveríamos recompensar a equipe, a partir do momento em que o seu desempenho pode ser medido sem ambigüidade.

Contudo, os gurus da administração de empresas com freqüência buscam algo mais: eles querem que a cada ano seja feita uma equiparação entre a remuneração individual e a performance individual. O problema é que na maioria dos empregos, não existe uma medição objetiva do desempenho individual, o que faz com que as pessoas precisem ser avaliadas em comparação com os seus colegas de trabalho.

Mesmo se as avaliações procuram ser objetivas em vez de comparativas, a maioria das pessoas sabe quantas pessoas pertencem a cada grau da escada. O efeito disso é a tendência a incluí-las dentro de um ranking.

Se todo mundo estivesse de acordo quanto aos critérios dessas classificações, esses rankings até que não seriam tão ruins. Mas várias pesquisas demonstraram que existem muito poucas correlações entre os critérios de classificação utilizados pelos profissionais encarregados de fazer essas avaliações.

Com isso, uma grande parte de auto-estima (e com freqüência uma remuneração muito baixa) está sendo vinculada a um processo de classificação duvidoso que altera fundamentalmente a relação de cooperação entre um empregado e o seu patrão, e entre um empregado e os seus colegas de trabalho.

É impossível evitar fazer comparações entre as pessoas, uma vez que a hierarquia é necessária e inevitável. Algumas pessoas são promovidas e outras não. Além disso, as que são promovidas precisam receber um salário maior, uma vez que elas são talentosas e que o empregador busca formar um quadro de pessoas talentosas.

Assim, a remuneração é importante por exercer uma influência decisiva em certos momentos-chave, sendo uma maneira de influenciar as decisões das pessoas em relação às atividades ou na escolha entre um empregador e outro.

Felizmente, as promoções e as mudanças de um emprego para outro continuam sendo relativamente pouco freqüentes para a maioria das pessoas. Na vida de trabalho cotidiana, os valores de remuneração relativos não costumam fazer parte das suas preocupações as mais importantes. Mas a PRP muda tudo isso.

Os economistas e os políticos tendem a acreditar que, quando as motivações financeiras para o desempenho são aumentadas, as outras motivações permanecem as mesmas. Mas nem sempre isso acontece, conforme mostra o seguinte exemplo.

Num centro educacional em Israel, os pais quase sempre chegavam com atraso para buscar os seus filhos, o que levou o estabelecimento a instituir uma multa por atraso. O resultado desta medida foi uma surpresa: um número maior de pessoas acabou se atrasando. A partir daquele momento, elas haviam passado a considerar a fato de chegarem atrasadas como algo que elas tinham direito de fazer, a partir do momento em que elas pagavam por isso; a multa tornou-se o preço a pagar por isso.

A ética profissional deveria ser altamente valorizada. Se nós não a cultivarmos, podemos acabar não conseguindo aprimorar os níveis de desempenho, e nem sequer produzir trabalhadores que gostam do que fazem.

Os incentivos financeiros exercem efeitos importantes sobre as carreiras que as pessoas escolhem, e os empregadores para os quais elas decidem trabalhar. Mas, a partir do momento em que alguém se junta a uma organização, o respeito da igualdade também constitui um poderoso efeito motivador. Nós deveríamos explorar esta motivação. Em vez disso, o governo, nos últimos 30 anos, andou desmoralizando os trabalhadores, valorizando constantemente certos tipos de motivações que eles consideram como sendo "de nível inferior".

Se quisermos ter uma sociedade mais feliz, nós deveríamos nos concentrar sobretudo nas experiências que as pessoas valorizam por considerarem que elas valem realmente a pena e não porque outras pessoas determinaram que elas são importantes –acima de tudo, no que diz respeito aos relacionamentos no quadro da família, no trabalho e na comunidade.

Relações sociais

Ao que tudo indica, os confortos adicionais dos quais podemos agora desfrutar aumentaram de alguma maneira o nosso nível de felicidade, mas que a deterioração dos nossos relacionamentos nos tornou menos felizes.

Nesse contexto, o que a política social deveria tentar realizar, apesar dos efeitos limitados que ela tem sobre a nossa vida privada? A seguir vamos propor alguns exemplos do que poderia ser feito.

Divórcios e lares desfeitos vêm se tornando cada vez mais comuns. Uma pesquisa mostra que as crianças oriundas de lares desfeitos estão mais propensas a sofrerem de depressão quando adultas. Para proteger as crianças, o Estado deveria agir no sentido de tentar tornar a vida em família mais viável, estabelecendo melhores horários escolares, horários de trabalho mais flexíveis, creches cujos regulamentos foram realmente comprovados.

Deveria também haver mais tempo livre, no quadro do trabalho, para permitir o exercício da maternidade e da paternidade. Aulas de educação parental deveriam também ser obrigatórias no currículo escolar e uma prática automática para os pais antes do nascimento de um filho.

Conforme mostram as pesquisas, o desemprego é uma experiência de vivência tão difícil quanto a do divórcio. Ela ofende a nossa necessidade de nos sentirmos necessários para a sociedade. Por isso, a redução das taxas de desemprego deveria ser um objetivo prioritário.

O governo britânico tem obtido bons resultados, lançando mão de políticas adequadas que permitiram a reinserção das pessoas no mercado de trabalho, o que, de maneira geral, permitiu evitar a geração de pressões inflacionárias neste campo.

A condução de boas políticas também permitiu dividir por dois as taxas de desemprego na Dinamarca e na Holanda. Contudo, a Alemanha e, sobretudo, a França têm se mostrado lentas em adotar essas políticas. Políticas deficientes em relação aos desempregados e políticas salariais equivocadas nas empresas são as causas principais do elevado nível de desemprego na Europa. A segurança do emprego não é a questão a mais importante.

A segurança do emprego é algo que as pessoas querem, enquanto uma proteção razoável é algo que uma sociedade rica tem condições de proporcionar. O mesmo pode ser dito em relação a garantir boas condições de trabalho, isso se o estresse não obrigar uma grande quantidade de pessoas mais frágeis a se refugiarem na inatividade e na dependência do Estado.

É absurdo alegar que a globalização reduziu a nossa capacidade de prover uma vida civilizada para os nossos trabalhadores. Ao contrário, essas condições aumentaram –contanto que a remuneração aumente apenas proporcionalmente com a produtividade.

O aumento da criminalidade entre 1950 e 1980 é a demonstração mais estarrecedora de que o crescimento econômico não aumenta automaticamente a harmonia social. Este aumento das taxas de crimes ocorreu em todos os países avançados, exceto no Japão, e as suas causas não foram completamente esclarecidas.

Uma dessas causas é o anonimato. As taxas de criminalidade são elevadas quando existe uma alta mobilidade geográfica. É claro, o melhor termômetro para se prever a quantidade de crimes numa comunidade é o número de pessoas que cada morador conhece nos arredores de sua casa, num raio que corresponde a um passeio de 15 minutos: quanto mais pessoas eles conhecem, quanto menor é a taxa de crimes.

Por isso, nós deveríamos tentar favorecer e dar consistência às comunidades, em vez de recorrer a campanhas pouco realistas do tipo "faça as coisas com a sua bicicleta" ou emigrar para outros países para resolver os nossos problemas, tal como os economistas defensores do livre mercado costumam recomendar com freqüência.

A defesa de um apoio regional visando a ajudar as comunidades a prosperarem torna-se muito mais forte quando se focaliza a felicidade e não quando o objetivo é puro e simplesmente o aumento do produto interno bruto (PIB) por si só.

A importância de manter o foco na felicidade poderia também nos ajudar a repensar as prioridades no plano da previdência social. Um dos mais antigos problemas que afligem a humanidade são as doenças mentais. Um terço dentre nós deverá ser acometido de alguma doença mental em algum momento da nossa vida, e pelo menos a metade dentre nós precisará lidar com algum caso de insanidade mental dentro da sua família.

Problemas psiquiátricos

Dos 5% de pessoas mais infelizes na nossa sociedade, 20% são pobres (no quinto grau mais baixo da nossa escala de renda), mas 40% dentre elas são mentalmente deficientes. Então, se nós quisermos produzir uma sociedade mais feliz, a prioridade para o NHS (sigla inglesa para Serviço Nacional de Saúde) deveria ser de investir muito mais nos serviços de saúde mental.

Apenas 15% das pessoas acometidas de algum tipo de depressão clínica chegam a consultar um especialista (um psiquiatra ou um psicólogo). Para os outros, a maior parte se contenta com uma consulta de dez minutos com um médico generalista e com algumas pílulas. A maior parte das pessoas deprimidas quer se submeter a uma psicoterapia, de maneira a entender o que está acontecendo dentro da sua mente.

Os testes clínicos mostram que a terapia adequada é tão eficiente quanto os remédios, e tem efeitos muito mais duradouros. Mas, na maioria dos setores da sociedade, esse tipo de terapia simplesmente não está disponível entre os serviços fornecidos pelo NHS, ou ainda, ela implica um tempo de espera intolerável.

Se nós quisermos reduzir a miséria, o NHS deveria oferecer tratamentos terapêuticos destinados às pessoas com problemas de saúde mental e ainda ajudá-los a retornar ao trabalho, uma vez o tratamento terminado.

Por fim, existe também o "ethos" –o ambiente social, familiar e escolar– em meio do qual os nossos filhos crescem. Uma das pesquisas mais desanimadoras que foram realizadas nos últimos anos foi dirigida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Como parte de um questionário mais amplo, colegiais de 11 a 15 anos de idade responderam se eles concordavam com a afirmação segundo a qual "na sua maioria, os alunos da minha classe são simpáticos e prestativos".

Proporcionalmente, a quantidade dos que responderam "sim" situou-se acima dos 75% na Suécia na Suíça e na Alemanha, em 53% nos Estados Unidos e abaixo de 46% na Rússia e na Inglaterra.

Estas descobertas estão afinadas com as apurações de pesquisas nas quais grupos de adultos devem responder a perguntas sobre confiança. Uma pergunta que volta com freqüência é: "Você diria que é possível confiar na maioria das pessoas –ou você diria que não existe prudência em excesso quando se trata de lidar com as pessoas?".

Na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, os que responderam: "Sim, é possível confiar na maioria das pessoas" caiu de 55% em 1960 para abaixo de 35% nos dias de hoje.

Desde os tempos mais remotos da história da humanidade, as pessoas mais idosas sempre se queixaram de um suposto declínio dos valores morais.

Mas existem algumas evidências de que isso está realmente acontecendo agora. Em várias épocas diferentes, cidadãos americanos, representativos das diversas camadas da população, responderam se eles acreditam que as pessoas "vivem hoje uma vida tão boa –no plano da moral e da honestidade– quanto o faziam no passado".

Em 1952, o número de pessoas que responderam "sim" equiparou-se ao das pessoas que disseram "não". Em 1998, um número três vezes maior de entrevistados respondeu "não".

Nós vivemos numa época em que o individualismo alcança níveis sem precedentes. A obrigação mais importante que muitas pessoas consideram ter é obter o máximo de si mesmo, de maneira a realizarem o seu potencial da melhor maneira possível.

Trata-se de um objetivo tão assustador quanto solitário. É claro, elas estão conscientes de que elas têm obrigações para com outras pessoas também, mas estes compromissos não se baseiam em nenhum conjunto claro de idéias.

A antiga visão do mundo religiosa se foi; e o mesmo aconteceu com a religião dominante do Pós-guerra que preconizava a solidariedade social e nacional. Assim, nós ficamos desprovidos de qualquer conceito do bem comum ou de significado coletivo.

No mundo contemporâneo, o senso comum baseia-se em duas idéias dominantes –derivadas (erroneamente) das idéias de Charles Darwin e Adam Smith.

Da teoria da evolução defendida por Darwin foi inspirada a idéia segundo a qual se você não procurar lutar para defender os seus próprios interesses, ninguém o fará no seu lugar. Da análise do mercado elaborada por Smith decorre a idéia segundo a qual a auto-suficiência não é tão destrutiva uma vez que, por meio de intercâmbios voluntários de especialidades, todos nós nos tornaremos tão completos até onde for possível, levando-se em conta os nossos recursos, a tecnologia de que dispomos e os nossos gostos.

Mas os nossos gostos não são dons que recebemos ao nascer, e todas as sociedades bem-sucedidas sempre se encarregaram de ajudar os seus cidadãos a adquiri-los. Isso sempre estimulou os sentimentos comunitários e proporcionou o conceito de bem comum.

Então, qual deveria ser o nosso conceito de bem comum? Durante o século 18, o século do Iluminismo, Bentham, junto com outros filósofos, defendia a idéia de que a boa sociedade era aquela cujos membros eram tão felizes quanto possível.

Assim, toda política pública deveria ter por objetivo de produzir a maior felicidade da maior quantidade possível dos seus membros, enquanto as decisões privadas deveriam do mesmo modo almejar a maior felicidade possível a de todos aqueles afetados. Durante o século 19, este ideal inspirou um bom número de reformas de caráter social. Mas, no século 20, ele foi atacado por duas forças principais.

A primeira questionou a possibilidade de se conhecer o que outras pessoas sentiam. Segundo este "behaviorismo", tudo o que nós podemos fazer é ficar observando os comportamentos das pessoas. Nós não podemos fazer nenhuma inferência sobre os seus estados interiores. Esta idéia desumana surgiu no campo da psicologia, com John Watson e Pavlov, e transferiu-se para a economia por intermédio de Lionel Robbins, John Hicks e outros.

Se nós admitimos esta abordagem, nós não podemos mais pensar na felicidade como um objetivo a ser alcançado. Tudo o que se pode dizer de uma pessoa é que oportunidades estão à sua espera se ela souber agarrá-las. Se ela tiver perdido a capacidade de tirar proveito delas, isso é irrelevante.

A partir deste ponto, há uma distância muito curta até as concepções que definem o bem-estar individual em termos de poder aquisitivo, e o bem-estar de uma nação em termos de produto interno bruto (PIB) ajustado para o lazer. Nós precisamos desesperadamente substituir o PIB, por mais que este seja ajustado, por instrumentos de medição mais sutis do bem-estar nacional.

Felizmente, esta onda no campo da psicologia já passou, e o senso comum foi restabelecido. Nós nunca poderíamos ter vivido juntos caso nós não tivéssemos idéia alguma do que os outros sentem. E agora, a nossa idéia está sendo confirmada por sólidos avanços nos campos da psicologia e da neurociência.

Bentham

A tese de Bentham nos fornece meios de medição cada vez mais práticos para as políticas públicas e para a ética pessoal. Eu a modificaria apenas num dos seus aspectos –no sentido de conferir um peso maior à meta de melhorar o grau de felicidade daqueles que são os menos felizes, excluindo com isso a opressão das minorias (isso também serve para rebater a objeção superficial que chegou a ser apresentada contra o utilitarismo segundo a qual o abuso brutal contra uma pequena minoria seria aceitável se tal abuso fizesse com que a maioria se tornasse mais feliz).

A segunda frente de ataque contra a tese da felicidade maior veio da filosofia. Desde o início, ela tem sido objeto de muitas críticas, enquanto uma filosofia alternativa, baseada nos direitos individuais começou a ficar na moda.

Mas esta logo apresentou dois inconvenientes sérios. Primeiro, é difícil solucionar o dilema quando direitos entram em conflito entre si. Em segundo lugar, a filosofia é altamente individualista. Ela lhe diz o que você está no direito de esperar, e o que você não deveria fazer. Mas ela fornece poucas indicações sobre aquilo que você deveria fazer –qual carreira você deveria escolher, ou como você deveria se comportar quando o seu casamento vai para o brejo.

A regra de Bentham fornece uma estrutura para pensar a respeito dessas questões, o que a filosofia dos direitos não faz: a sua visão do bem comum é por demais limitada para nos guiar na tentativa de trabalhar pelo bem dos outros. Mas será que a regra de Bentham em si é sólida o suficiente para poder integrar também o conceito dos direitos? A seguir, vamos considerar duas grandes objeções a esta suposição.

Primeiro, o que há de tão especial a respeito da felicidade? Por que a maior felicidade possível? Por que não a maior saúde, autonomia, realização, liberdade possível, e daí por diante?

Se eu lhe perguntar por que a saúde é uma coisa boa, você vai apresentar razões diversas: as pessoas não deveriam sentir dor. Sobre a autonomia: as pessoas se sentem melhor quando elas podem controlar a sua vida. E daí por diante.

Mas seu eu lhe perguntar por que a felicidade é uma coisa boa, você responderá que é evidente por si só. E a razão disso está profundamente enraizada em nossa biologia. Nós somos programados para tirar proveito de experiências que são boas para a nossa sobrevivência, o que explica por que nós sobrevivemos.

Nós também fomos programados em parte para ter um senso de justiça. Se uma refeição precisa ser compartilhada por duas pessoas, a maioria dentre nós aceita (às vezes com relutância) que os alimentos devem ser divididos em duas partes iguais – partindo do pressuposto de que, em princípio, os outros contam da mesma forma que nós.

Se você concatenar esta idéia com o fato de que cada um de nós quer ser feliz, você acaba desembocando no princípio de Bentham. É uma concepção tão idealista quanto realista. Ela coloca os outros num nível de igualdade com nós mesmos, lá mesmo onde eles deveriam estar, mas, ao contrário de certos sistemas morais, ela também nos permite levar em conta a nossa felicidade.

A segunda objeção consiste em que a regra incentiva o senso de oportunidade. Não é bem assim. Todos nós sabemos que nós não podemos avaliar cada ação, em cada momento, contra o princípio de Bentham como um todo. É por isso que nós precisamos ter sub-regras, tais como a honestidade, a determinação a cumprir uma promessa, a gentileza, e daí por diante, as quais nós costumamos seguir normalmente como algo lógico e natural.

E, além disso, é também por esta razão que nós precisamos de direitos claramente definidos, e incorporados a uma Constituição. Mas quando regras morais ou direitos legais acabam conflitando entre si, nós precisamos do um princípio abrangente para guiar-nos, o que é proporcionado pelas concepções de Bentham.

Esta regra é também criticada por estipular os objetivos antes de definir os meios, por considerar apenas as conseqüências das ações como sendo dignas de consideração moral, e não a natureza das ações em si. Mas isso é um erro.

Isso por que as conseqüências de uma decisão incluem necessariamente a ação, e não apenas aquilo que ocorre como resultado desta ação. Uma ação horrível –por exemplo, prender um inocente com objetivo de salvar vidas– iria exigir que ela seja excepcionalmente adequada e que o seu resultado seja extraordinariamente positivo para se revelar justificada. Nós deveríamos considerar os efeitos diretos de uma ação pesando a sua moralidade, do mesmo jeito que nós fazemos com os seus resultados.

Para nos tornarmos mais felizes, nós deveríamos mudar as nossas atitudes interiores do mesmo modo que as nossas circunstâncias externas. Eu estou me referindo à filosofia perene que nos permite encontrar a força positiva dentro de nós mesmos, e para enxergar o lado positivo que outros possuem.

Tal compaixão, por nós mesmos e por outros, é algo que pode ser aprendido. Ela foi muito bem descrita por Daniel Goleman no seu livro intitulado "Emotional Intelligence" ("Inteligência Emocional", editado no Brasil pela editora Objetiva, em 1995), e ela deveria ser ensinada nas escolas.

Toda cidade deveria ter uma política visando a promover uma filosofia de vida mais saudável junto à juventude, e visando a ajudá-los a distinguir entre uma tendência hedonista a curtir prazeres superficiais e a felicidade real.

Então, a minha esperança é de que neste novo século nós consigamos finalmente adotar a maior felicidade possível da humanidade como sendo o nosso conceito de bem comum. Isso teria dois resultados. Serviria como um guia claro para a política.

E, além disso, sendo isso ainda mais importante, ele nos inspiraria em nossa vida cotidiana em obter um prazer maior em nos dedicar à felicidade de outros, e a promovê-la. Desta forma, todos nós poderíamos nos tornar menos imbuídos de nós mesmos e mais felizes.

*Richard Layard tem sido um conselheiro de longa data do Partido Trabalhista para questões de mercado de trabalho. Ele é também membro de honra do partido. O seu livro, "Happiness: Lessons from a New Science" (Felicidade: Lições de uma Nova Ciência) será lançado (na Grã-Bretanha) em 3 de março, pela editora Allen Lane.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

 

ESPECIAL

A nova ciência da felicidade

Os psicólogos sempre se preocuparam com a doença. Agora voltam sua atenção para uma questão mais desafiadora: o que nos torna felizes?

Leia matéria completa clicando no link…..

 

25/07/2006
O que o faz feliz?
Para muitos americanos, a busca pela felicidade significa empilhar televisões de plasma, SUVs e McMansões. Mas as pesquisas sugerem que o verdadeiro êxtase tem pouco a ver com bens materiais

Tim Madigan
do Fort Worth Star-Telegram

Em 1776, quando Thomas Jefferson escreveu a Declaração de Independência, ele listou a busca pela felicidade como um direito inalienável, logo depois do direito à vida e à liberdade. É um fato histórico pouco conhecido que Jefferson, John Adams e companhia também esperavam que algum dia a busca pela felicidade incluiria comprar um Lexus e um Hummer encher uma garagem para três carros, uma McMansão, uma televisão de plasma ou três, e cirurgias cosméticas, da cabeça aos pés. Com tudo isso, os Pais Fundadores secretamente teorizavam, os americanos seriam "realmente" felizes.

 

 

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