Economy and Society II de José Porfiro – Specific

8 de abril de 2008

INVAÇÃO TECNOLÓGICA – POLITICA

Filed under: Política Econômica — Porfiro @ 3:09 PM
 
 
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Publicada em 12 de junho 2008

Conjuntura Econômica
Crescimento abre espaço para mais P&D, diz Pacheco, da Unicamp;
para ele, maior destaque da PDP é estímulo a grandes grupos

Na última entrevista da série que discutiu com economistas o papel da pesquisa e desenvolvimento no crescimento brasileiro, Carlos Américo Pacheco, professor do Instituto de Economia da Unicamp, fala a Inovação. Engenheiro eletrônico e doutor em economia, Pacheco foi nomeado secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em 1999, quando o titular da pasta era Luis Carlos Bresser Pereira, logo substituído por Ronaldo Sardenberg. Na passagem pelo MCT, idealizou e implantou os fundos setoriais, hoje o principal recurso para financiar pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil. Também coordenou a elaboração do programa de governo para o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Até janeiro de 2008, Pacheco foi secretário adjunto de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Pacheco considera "muito positiva" a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada pelo governo dia 12 de maio último. Na PDP, indica a indução a uma mudança patrimonial no setor privado como muito importante e pouco destacada.   Como os outros especialistas já ouvidos, ele observa que a inovação não foi um componente central na recente fase de crescimento econômico no Brasil. Destaca como positivos — ao contrário, por exemplo, do economista Naercio Menezes  — o esforço do governo brasileiro em criar grandes grupos nacionais e a inserção de novas camadas sociais no consumo como forma de fortalecer o mercado interno e atrair mais investimentos. No entendimento do professor Pacheco, inovação permanece como estratégia para mantermos esse percurso. Leia a entrevista, concedida a Janaína Simões dia 28 de maio, no Instituto de Economia da Unicamp.

Que papel a inovação teve nesse recente crescimento da economia brasileira?
Não teve papel central. O grande motor do crescimento recente foi o consumo doméstico, ao lado do aumento do preço das commodities e dos produtos agrícolas. Em um primeiro momento, o motivo do crescimento do consumo foi a melhoria da renda, sobretudo dos segmentos de menor renda, combinada com efeitos de programas de distribuição de renda. Tivemos ainda a explosão do crédito. Há um componente muito positivo nesse ciclo: o aumento da formação bruta de capital fixo de investimento. Isso também contribuiu para o crescimento. O ciclo, contudo, não se caracteriza por grande intensidade tecnológica, por ruptura tecnológica ou maior inovação. Ele reproduz a estrutura industrial que o Brasil tem. Contudo, há uma coisa muito importante para a inovação: sem crescimento, a inovação não vai aumentar. Tivemos uma recuperação do investimento agregado [o gasto em bens que foram produzidos, mas não consumidos em um período, e que aumentam a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. Nota do E.], o que abre uma oportunidade para melhora em inovação, em pesquisa e desenvolvimento e na produtividade do setor industrial. Só vamos aumentar os gastos em P&D, ou a taxa de inovação, ou o esforço tecnológico do setor privado, em contexto de criação de investimento. A recuperação do investimento abre uma oportunidade grande de acoplar estratégias de maior densidade tecnológica.

Observamos a inserção de camadas da sociedade que não tinham acesso a determinados bens pela conquista de poder aquisitivo e obtenção de crédito… Esse público demanda inovação?
As estratégias empresariais variam de acordo com os mercados. Várias empresas no período recente têm reforçado sua estratégia para penetrar nesse mercado. Isso foi visível, por exemplo, na indústria de cosméticos, que lançou linhas de produtos diferenciais para essa clientela. Essa indústria soube explorar muito bem isso. A indústria farmacêutica também. Começam a surgir os primeiros fitoterápicos, cujos preços são menores. A indústria, como um todo, tem de se adaptar a uma estrutura de mercado que é diferente do que existia… Quem sabe explorar essa estrutura, inovando no negócio ou por meio de pesquisa, consegue se beneficiar dela. Toda mudança muito rápida na estrutura de demanda obriga as empresas a uma adaptação. Não é algo intensivo em tecnologia, mas obriga as empresas a adaptar seus produtos. Em alguns segmentos, essa inserção de novos consumidores implicou um esforço razoável de criação de produtos novos.

Mas tivemos atividades de P&D na inovação para esses novos consumidores?
Sim, para lançamento de produtos novos.

Qual será o papel da inovação para o crescimento, no cenário atual? Ela vai contribuir, ou vem a reboque?
Ela vem a reboque. As empresas estão permanentemente desafiadas a inovar pela sua concorrência nos diversos mercados, por estar se expondo ao mercado internacional de forma crescente. Nós continuamos com taxas de crescimento de exportações altas, de 20% ao ano. Mas o grande componente que pode fazer, de fato, o gasto em P&D e as atividades de inovação nas empresas mudarem de patamar é a recuperação do investimento agregado. Um gasto maior em lançamento de produtos novos, um esforço de pesquisa pesado dentro das empresas dependem de haver perspectivas de aumento de demanda e das decisões por novos investimentos. Quanto mais fortes forem as estratégias de crescimento, de internacionalização das empresas, mais intensivos serão os esforços em pesquisa, em inovação. Podemos ter mais sucesso nisso se houver uma sinalização, pela política, de que inovação é relevante, como vem ocorrendo.

Os empresários no Brasil têm essa percepção, de fato, da importância de inovar? Os patamares de investimento em P&D em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, continuam na mesma faixa, tendo a maior participação do governo…
É, esse indicador continua bastante estável, não teve nenhuma mudança de patamar. A segunda Pintec [Pesquisa de Inovação Tecnológica, realizada pelo Instituto Brasileiro d eGeografia e Estatística (IBGE) para medir a taxa de inovação das empresas no Brasil. Nota do E.] pegou 2003, um ano muito ruim, de recessão. Mas a terceira Pintec, não. Se examinarmos o gasto em P&D na Pintec, veremos que ele cai da primeira para a segunda e sobe um pouquinho da segunda para a terceira, sem chegar ao patamar de 2002… Apesar disso, não sou pessimista. Examinei os dados da renúncia fiscal nova [o primeiro relatório do MCT sobre o uso pelas empresas dos incentivos fiscais para inovação da Lei 11.196/2005, no ano base 2006. Nota do E.], que tem um volume expressivo de empresas grandes, como era esperado, usufruindo os benefícios. Não significa que as empresas tenham ampliado seu dispêndio, elas simplesmente estão usando os benefícios para coisas que já estavam realizando, mas não tenho dúvida de que isso induzirá algum aumento do gasto. Também há uma sinalização nas linhas de apoio do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] a P&D, e no programa subvenção… As empresas, sobretudo as grandes, captam esses sinais do governo, das agências, do banco, e internalizam essas estratégias quando vão tomar decisões de investimento. Para coisas "mais pesadas" do ponto de vista empresarial, acho que os programas setoriais da política industrial serão mais importantes. Por exemplo, no programa para o setor automotivo há uma sinalização do governo de que ele quer um programa pesado de engenharia automotiva. A sinalização do governo é importante porque as empresas podem adotar estratégias mais agressivas. Com essa sinalização, o tema inovação vai estar na agenda empresarial.

Os fundos setoriais cumpriram o papel que o senhor imaginou para eles quando os formulou?
Considero que cumpriram parcialmente o papel. Foram um instrumento importante para mobilizar recursos. Há sempre a promessa do descontingenciamento dos fundos; havia um calendário negociado, pode haver outro. Não vejo isso como uma grande questão. Havendo um calendário de aporte crescente de recursos, já está razoável. Os recursos estão acima do que imaginávamos quando criamos os fundos. A grande novidade é o aumento da subvenção, a partir da MP do Bem. As pessoas não perceberam que, em 2003, já havia um instrumento legal pronto que permitia fazer subvenção, a Lei 10.332 [lei de 2001, permitia subvenção para empresas que tivessem projetos nos Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI) e Agropecuário (PDTA). Nota do E.]. Depois, o governo elaborou a Lei do Bem [Lei 11.196, de 2005, que concede incentivos fiscais para P&D&I. Nota do E.], que é melhor do que a Lei 10.332, e a partir dali houve uma pressão forte para que se aumentasse a atividade de subvenção. Os fundos cumprem seu papel porque passam a fomentar diretamente a inovação nas empresas, com a subvenção. Contudo, foram pensados para ter uma governança distinta, um planejamento estratégico de médio e longo prazo. Esse tipo de governança e o papel do CGEE [Centro de Gestão e Estudos Estratégicos] na elaboração de estudos que subsidiassem as decisões diluíram-se muito, perdeu-se um pouco a importância dos comitês gestores como uma opinião externa ao governo sobre o que fazer, do ponto de vista estratégico. Não acho que as ações transversais tenham representado ganho do ponto de vista da gestão desses instrumentos. Dão flexibilidade enorme para o governo na alocação de recursos, foram criadas como justificativa de ser um instrumento da política industrial, mas não há uma avaliação, que eu conheça, sobre como esses recursos contribuíram para a política industrial.

Qual é sua avaliação da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) e da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP)?
A PITCE era muito generosa, interessante, com ênfase muito grande em inovação, mas com poucos mecanismos concretos de implementação. Havia pouca governança, pouca coordenação das ações de governo. Tenho impressão de que uma avaliação mais exaustiva da PITCE vai mostrar que os efeitos foram pequenos, pontuais, localizados. A PDP começa melhor, tem melhor envergadura, maior materialidade, tem preocupação grande com coordenação de governo, metas a cumprir, o que é relevante. Começa com uma engenharia institucional melhor, até por conta do peso do capital do BNDES, que tende a empurrar isso. Tenho boas expectativas com relação ao desempenho dela nesse início. Considero as três metas muito importantes: aumento das exportações, inclusive das pequenas empresas; aumento do investimento, da formação de capital fixo; e aumento no gasto de P&D do setor privado. A meta em P&D será muito difícil de ser cumprida: elevar em 30% o dispêndio privado em P&D em três anos. Só será cumprida se houver recuperação do investimento agregado. Mas a meta é muito saudável e deveria receber atenção grande. O ideal seria monitorar o esforço privado de P&D de três em três ou de seis em seis meses. Traçar uma meta em P&D é mais correto, é um indicador melhor do que patente, por causa do perfil da estrutura industrial brasileira. Temos muitas empresas em setores que não são intensivos em patente; nossa questão aqui é mais engenharia, P&D, e não obrigatoriamente patente. Não temos setores de eletrônica e fármacos fortes, e são esses os setores mais intensivos em patente.

Há desindustrialização no País?
Não. Temos passado por uma reestruturação forte do tecido industrial e ela vai continuar. Essa reestruturação tem a ver com a mudança de preços relativos. A valorização do câmbio alterou muito os custos industriais de produção. Um câmbio muito valorizado, de forma muito duradoura, pode reduzir a complexidade do tecido industrial. Temos vários setores em que há uma forte tendência de colocar as linhas de produção na Ásia ou aumentar o conteúdo asiático importado de manufatura. Ao mesmo tempo, há aumento na taxa de formação bruta de capital fixo, uma quebra de recorde na produção de manufaturas, de bens duráveis, bens de capital etc. Há duas coisas ocorrendo simultaneamente, mas não creio que possamos falar em desindustrialização do Brasil como um todo. Pode-se afirmar que há vários setores com dificuldade para competir com produtos importados ou que têm deslocado linhas de produção para o exterior. Isso é visível em calçados, pode ocorrer no setor têxtil, em manufaturado leve. Esse cenário não deve ser descrito com uma palavra tão pesada como desindustrialização.

Esses consumidores mais pobres, que chegam agora ao mercado, estimulam ou desestimulam a inovação?
O consumo tem crescido em todos os estratos de renda no Brasil. A constituição de um mercado de consumo forte no Brasil não é um problema, pelo contrário. O Brasil será tão relevante em escala internacional e para decisões de investimento quanto mais forte for o mercado doméstico. A idéia de que a entrada dessa nova classe consumidora representa um produto de menor qualidade, menos sofisticado, não é correta. Por exemplo, tivemos um grande boom com o carro popular, que não tem tanta eletrônica embarcada, mas desenvolveu-se o sistema flex para esse carro popular. Esse consumidor que está entrando no mercado compra produtos mais sofisticados também. O Brasil será o sexto maior produtor de automóveis do mundo. Isso é muito relevante. Não podemos falar em desindustrialização em um país que é sexto maior produtor de automóveis. E essas decisões de investimento são reforçadas pelo contexto de ampliação do mercado doméstico. Essa ampliação sinaliza para o mundo o peso da economia brasileira no mercado de consumo. O que não podemos fazer é deixar de nos preocupar com o mundo. A preocupação com o mercado externo é algo que as políticas industriais recentes têm de positivo. Uma estratégia voltada só para o atendimento do mercado doméstico seria muito pouco bem-sucedida porque a exportação cria desafios competitivos importantes para as empresas e leva a um esforço para o aumento da produtividade.

O fato de sermos um grande produtor de commodities é um problema para o desenvolvimento?
Não. Canadá e Austrália são bons exemplos de países competitivos que desenvolveram estratégias de política industrial em torno de commodities. A Finlândia construiu toda uma estrutura industrial escalando a indústria florestal. Ser competitivo em commodities abre uma enorme oportunidade para o Brasil em vários setores. Se seremos capazes ou não de escalar a cadeia de valor em torno dessa competitividade que já temos em recursos naturais, é outra questão.

A nossa política de inovação é adequada para aumentar esses nossos diferenciais?
Ela é frágil do ponto de vista da articulação com as estratégias empresariais. A maior novidade [da PDP] é trazer o fortalecimento de grupos nacionais nas metas e na ação recente do BNDES. Há uma mudança patrimonial importante que vai ocorrer em telecomunicações, que ocorreu na petroquímica, com a intervenção do BNDES e da Petrobras na reestruturação do setor. Essa mudança talvez venha a acontecer em siderurgia, em papel e celulose, no setor farmacêutico, em carnes com a consolidação, com fusões, aquisições e internacionalização de alguns grupos com apoio do BNDES. Esse cenário terá forte impacto na medida em que conseguir atrelar a política pública às estratégias de consolidação e internacionalização desses grandes grupos. Consolidar esses grupos como grandes players e marcas internacionais nos obriga a ter estratégias mais agressivas de inovação e P&D. A reestruturação patrimonial é um lado implícito, mas pouco comentado da política industrial. Essa estratégia não é a convencional, de simplesmente ofertar crédito do BNDES; envolve uma engenharia financeira diferente. É algo extremamente importante da política industrial porque muda o perfil dos grandes grupos brasileiros, dá escala para competir, permite a internacionalização, e isso tem um impacto enorme nas estratégias. Seremos bem-sucedidos em inovação se essas estratégias forem absorvidas pelas lideranças do setor privado e forem essenciais ao posicionamento das empresas no mercado mundial. Há alguns anos, disse que a PITCE tinha um excesso de inovação, no sentido de que faltava política industrial convencional. A inovação não vai para frente se não há investimento, não há grandes grupos, não há estrutura patrimonial adequada, internacionalização das empresas. Há sucesso quando se coloca a inovação nesse contexto de uma política industrial mais pesada.

Há quem critique esse esforço do governo em formar grandes grupos nacionais…
Para fazer política industrial e tecnológica é preciso ter uma forte articulação entre Estado e setor privado. Em qualquer lugar é assim. No plano conceitual, entende-se que a melhor política industrial é aquela que une o que há de mais eficiente no setor privado e no governo. Mas é evidente que é preciso fazer esse casamento com algum grau de transparência, para não criar suspeição sobre privilégios. Não vejo por que o Estado não pode ser indutor.

Qual é, então, seu balanço geral da PDP?
Muito positivo.

E a institucionalidade, a articulação?
A entrada do BNDES e o papel que cabe à ABDI [Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial] no novo desenho, de monitorar a implantação da política, colocaram em outro patamar a questão da articulação. É preciso haver um instrumental para isso na área de P&D. A Pintec é correta, precisa ser continuada, mas só permite avaliar de tempos em tempos. Precisamos criar mecanismos para gerenciar isso em um prazo mais curto. Vejo com bons olhos e acho que os dilemas de coordenação, para o que é possível se fazer neste momento, estão razoavelmente encaminhados, com o papel diferenciado do banco e o da ABDI de monitorar a implantação da PDP.

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Publicada em 16 de junho 2008

Valor Econômico, 10 de junho de 2008
Números da indústria mostram produtividade crescente; ritmo tende
a diminuir, dizem especialistas; custo do trabalho também aumenta

O Valor Econômico publicou dia 10 de junho a reportagem "Indústria acelera produtividade em 2008", de Cibelle Bouças. O texto destaca o fato de a produtividade do setor industrial brasileiro ter crescido 4,7% entre abril de 2007 e abril de 2008, contra 4,1% no ano fechado de 2007. Os números foram divulgados dia 9 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de positivos, os números não impressionaram os especialistas ouvidos pela repórter. Eles prevêem uma diminuição dessas taxas de crescimento para os próximos meses.

Até abril, a produção havia aumentado 6,96%, ante um índice de 6,02% registrado no ano de 2007. O número de horas pagas, por sua vez, cresceu 1,8% ao longo de 2007; contra 2,38% de abril a abril. "No acumulado de janeiro a abril de 2007, a produtividade do trabalho nas indústrias cresceu 4,28%, ritmo superior aos 3,32% acumulados no primeiro trimestre deste ano. Esse desempenho é resultado de um incremento de 7,31% na produção e de 2,91% no total de horas pagas", destaca o jornal.

Contudo, o prognóstico dos economistas ouvidos pela repórter não é animador.  Eles acreditam que a performance pode não se repetir nos próximos meses. Os economistas apontam para o arrefecimento da expansão da produção e do emprego industrial, sobretudo no segundo semestre. Dados do IBGE mostram que, no mês de abril, o emprego nas indústrias teve recuo de 0,2% em relação a março. Em comparação com abril de 2007, o crescimento foi de 2,6%. No acumulado de 12 meses, a taxa foi de 2,7%.

O professor da Unicamp Edgard Pereira disse que a pequena melhora da produtividade é mais um sinal de estabilização do que uma tendência de crescimento. "O período de ganhos maiores já passou, tanto no que se refere ao emprego quanto em relação à produção", afirmou para a repórter. Na visão dele, o ritmo de crescimento da produção industrial tende a diminuir nos próximos meses e, com isso, haverá uma redução nas taxas de produtividade.

Pereira chamou a atenção ainda para duas situações diferentes vividas pelos setores industriais de transformação. Em áreas como transporte e máquinas e equipamentos houve aumento na produtividade acompanhado de ampliação da produção e do emprego. Já os setores de vestuário e de calçados e couros, por exemplo, elevaram a produtividade, mas reduziram o nível de emprego.

Outro especialista ouvido pela reportagem foi Júlio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Ele destacou que os ganhos de produtividade, com redução de emprego, ocorreram em setores intensivos em mão-de-obra, como as indústrias têxtil, de madeira, de papel e gráfica e de fumo. Segundo ele, o resultado do emprego em abril ficou abaixo do esperado por causa dessa redução. "Madeira e calçados ainda produzem menos do que produziam no ano passado. Os demais estão sendo forçados a fazer mudanças tecnológicas para ganhar produtividade e houve uma concentração no tempo das demissões", justificou.

Almeida afirmou ainda que o crescimento da produtividade de 4,47% sinaliza que o padrão de crescimento das indústrias está se mantendo em 2008. Para ele, a taxa no patamar de 4% é excelente, mas ele também aposta na redução do ritmo e em taxas menores de crescimento no emprego. "No ano passado, o emprego na indústria crescia a uma taxa de 3,5%, hoje está na faixa de 3%", lembrou o consultor do Iedi.

Fábio Romão, analista da LCA Consultores, outro economista ouvido pelo Valor, observou que a geração de empregos formais na indústria em abril ficou abaixo do que foi registrado nos meses anteriores e em 2007. Segundo ele, as indústrias geraram 82,7 mil postos em abril, resultado 20% inferior ao número de novos postos criados em abril do ano passado, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Admitidos e Demitidos (Caged). Contudo, no acumulado de janeiro a abril, o saldo de empregos é maior neste ano do que foi em 2007. São 229 mil vagas, ante 214 mil no mesmo intervalo de 2007.

Em abril, a atividade industrial também passou por um aumento no custo do trabalho. Em 12 meses até abril, "a diferença entre produtividade e salário foi de 2,2 pontos percentuais, com incremento real de salários de 6,67% no período", escreveu a repórter. O aumento no custo do trabalho ocorreu em cinco setores: coque, refino de petróleo, combustíveis nucleares e álcool, alimentos e bebidas, metalurgia básica, produtos de metal e outros produtos da indústria de transformação. (J.S.)

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Publicada em 22 de abril 2008

Conjuntura Econômica
Continua a série de Inovação: como o crescimento recente do País,
baseado em mercado interno e commodities, influi em P&D&I?

Janaína Simões

"Há inércia e relativa lentidão na resposta da estrutura industrial brasileira a desafios dessa natureza", afirmou David Kupfer, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sobre o papel da inovação no crescimento recente do País. Ele é o quarto economista entrevistado na série de Inovação Unicamp sobre as perspectivas para inovação, pesquisa e desenvolvimento no cenário atual da economia brasileira. 

"O discurso, a retórica da inovação, ganha uma densidade, uma generalidade, que não imaginávamos ser possível quando, na década de 1980, na academia, começamos a insistir na importância schumpeteriana da inovação na criação, destruição, dinamização do processo econômico", destaca Kupfer. Ele faz uma analogia com o que ocorreu em relação à questão da qualidade no início da década de 1980. A preocupação com qualidade, segundo ele, ajudou a indústria brasileira a dar um salto, a introduzir técnicas de garantia e controle de qualidade, aprimorando processos produtivos e produtos, o que, em parte, permitiu o salto exportador que aconteceu agora, 20 anos depois de as idéias sobre qualidade e tecnologia industrial básica terem surgido no País. Mas o economista afirma ter muito pouco de inovação nesse salto.

"O fato de a inovação ter se tornado uma peça de discurso, mesmo que de retórica, mas com grau de generalidade tão grande, significa que os empresários vão buscar incluir em sua agenda estratégica a inovação. Ao mesmo tempo, não vejo uma capacidade de resposta rápida da estrutura industrial brasileira", comenta. Kupfer diz que os elementos de inércia vão predominar e aposta que a inovação vai ganhar certo espaço, mas numa linha voltada para a modernização, e, portanto, relacionada a tecnologias incorporadas, e não propriamente a um crescimento exponencial ou rápido no esforço de pesquisa da indústria brasileira.

David Kupfer, da UFRJ

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São Paulo, segunda-feira, 19 de maio de 2008
O avanço dos países emergentes e o Brasil

GLAUCO ARBIX e MARIO SERGIO SALERNO

Um grupo seleto de países emergentes tende a mudar a qualidade de suas economias. Está o Brasil preparado para esse salto?

EM 2006, mais de 130 empresas foram beneficiadas por incentivos fiscais concedidos pela Lei do Bem, de 2005, segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Apesar da insegurança que todo instrumento novo gera, sua utilização foi expressiva. Se tomarmos o universo das empresas brasileiras, o número de usuários em um ano ainda é pequeno, mas, se relacionado à trajetória do país, o resultado ganha relevo.

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Mextra Metal
Pesquisa desenvolve produto e processo inovadores para produção
de pastilha e pó metálico; faturamento cresce 25 vezes em 10 anos

Evanildo da Silveira

A atividade de P&D conduzida dentro da empresa levou a Mextra Metal do pequeno galpão que foi sua sede na época da fundação, em 1978, às instalações atuais, 30 anos depois: 17 mil metros quadrados divididos entre duas unidades, uma em Diadema (SP) — onde a empresa começou — e outra em Taubaté (SP), inaugurada em 2005. A empresa detém a liderança nacional em seu segmento — fornecimento de pastilhas metálicas para quem fabrica produtos que utilizam ligas de alumínio. Essas pastilhas, elas próprias também resultantes de liga em pó prensado de ferro e alumínio, dão ao metal as propriedades necessárias para a fabricação de produtos que vão de esquadrias a asas de avião. O produto da Mextra, que já concorre também no mercado externo, e o processo pelo qual é obtido são patenteados, únicos, e foram desenvolvidos com financiamento do PIPE, o programa da Fapesp que apóia a pesquisa na pequena empresa. Ele é o carro-chefe da empresa — que emprega 140 funcionários, faturou R$ 40 milhões em 2007 e espera alcançar R$ 50 milhões em 2008. =================================================

Apoio à Inovação

Publicada em 5 de maio 2008


Pesquisa mostra quadro da inovação em sete países; resultados
apontam políticas em comum, com incentivo à empresa no centro

A pesquisa Mobilização Brasileira para a Inovação (Mobit) mostra que algumas das principais economias do mundo colocaram a inovação tecnológica como o ponto central de suas políticas industrial e tecnológica. O estudo foi feito a pedido da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) pelo Observatório da Inovação e Competitividade e pelo Centro de Análise e Planejamento (Cebrap). Foram analisados sete países: Estados Unidos, França, Canadá, Irlanda, Reino Unido, Finlândia e Japão. O estudo também levantou dados sobre o Brasil.

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Conjuntura Econômica
Na série de Inovação sobre a inovação e o crescimento do Brasil,
leia a entrevista de um criador da política industrial de 2003

Em continuidade à série sobre a inovação e o cenário de crescimento econômico do Brasil, e depois de o País ter recebido o investiment grade, Inovação publica a entrevista de Mário Salerno, chefe e professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O pesquisador ressalta que não há evidências de que atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tenham desempenhado papel central no atual processo de crescimento.

Um dos formuladores da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), desenhada em 2003 e detalhada em 2004, Salerno observa que é preciso tempo para avaliar os resultados da PITCE. Ele lembra que há um descasamento entre os investimentos em P&D e seus resultados, que demoram mais a aparecer. Além de ter trabalhado na elaboração da PITCE, Salerno foi diretor de Desenvolvimento Industrial da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entre 2005 e 2006, e diretor de Estudos Setoriais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2003 a 2004.

De acordo com Salerno, há uma grande diferença hoje no País. Se nos anos 1980 houve relação forte entre crescimento e engenharia, no sentido tradicional de copiar e nacionalizar produto, hoje a diferenciação é que pede inovação. "As 130 empresas usuárias dos incentivos fiscais da Lei do Bem e outros dados qualitativos mostram que há ampliação das atividades das empresas com relação à inovação para diferenciação, engenharia de produto. P&D é um pedaço disso", aponta. Acompanhe a entrevista:

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Mextra Metal
Pesquisa desenvolve produto e processo inovadores para produção de pastilha e pó metálico; faturamento cresce 25 vezes em 10 anos

Evanildo da Silveira

A atividade de P&D conduzida dentro da empresa levou a Mextra Metal do pequeno galpão que foi sua sede na época da fundação, em 1978, às instalações atuais, 30 anos depois: 17 mil metros quadrados divididos entre duas unidades, uma em Diadema (SP) — onde a empresa começou — e outra em Taubaté (SP), inaugurada em 2005. A empresa detém a liderança nacional em seu segmento — fornecimento de pastilhas metálicas para quem fabrica produtos que utilizam ligas de alumínio. Essas pastilhas, elas próprias também resultantes de liga em pó prensado de ferro e alumínio, dão ao metal as propriedades necessárias para a fabricação de produtos que vão de esquadrias a janelas de avião. O produto da Mextra, que já concorre também no mercado externo, e o processo pelo qual é obtido são patenteados, únicos, e foram desenvolvidos com financiamento do PIPE, o programa da Fapesp que apóia a pesquisa na pequena empresa. Ele é o carro-chefe da empresa — que emprega 140 funcionários, faturou R$ 40 milhões em 2007 e espera alcançar R$ 50 milhões em 2008.

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ÍNTEGRAS – http://www.inovacao.unicamp.br/report/integras/index.php?cod=246

Publicada em 22 de abril 2008


Avaliação do governo da Holanda mostra que vouchers da inovação
animam pequenas e médias empresas a buscar parceiros acadêmicos

"Os vales-inovação estimulam as pequenas e médias empresas (PME) a interagirem com as instituições de pesquisa e desenvolvimento?"
Maarten Cornet, Björn Vroomen e Marc van der Steeg

Em sua última edição, Inovação Unicamp falou de um instrumento de política pública que começa a ganhar espaço na Europa: os "vouchers da inovação", uma espécie de "vale" concedido às empresas de menor porte para ser trocado pela participação de universidades e institutos de pesquisa em projetos de cunho inovador. Conforme relatamos, a Holanda foi o primeiro país a adotar o instrumento, em setembro de 2004; depois dela, Irlanda (2007) e Grã-Bretanha (2008) também o fizeram. Os vouchers holandeses dão às empresas um crédito de 7,5 mil euros. Os irlandeses valem 5 mil euros e os britânicos, 3 mil libras (pouco mais de 3,8 mil euros).

Nesta edição, colocamos à disposição dos leitores a íntegra do estudo do Escritório de Análise de Política Econômica da Holanda (CPB, sigla em holandês) que mencionamos em nossa reportagem. O estudo, datado de fevereiro de 2006, avalia os efeitos dos cem primeiros vouchers distribuídos na Holanda sobre as empresas sorteadas para recebê-los. A versão que oferecemos aqui, em português, saiu na edição de dezembro de 2007 da revista Parcerias Estratégicas, editada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

De acordo com o documento, o principal objetivo do estudo foi verificar se as empresas premiadas com os vouchers realmente se associaram a universidades e institutos de pesquisa para tentar resolver seus problemas tecnológicos, como era esperado. Além disso, o estudo procurou mostrar de que forma os vouchers interferiram no valor e no cronograma das pesquisas. As informações analisadas vieram dos formulários que as empresas encaminharam ao governo holandês para solicitar os vouchers e de entrevistas por telefone.

Com base nesses dados, os autores constataram que 80% dos cem primeiros vouchers da inovação oferecidos pela Holanda financiaram pesquisas cooperativas que nunca teriam sido feitas se não houvesse a ajuda do governo; entre os 20% restantes, metade serviu para pagar projetos que teriam sido encomendados de qualquer forma e metade não foi utilizada.

No trecho do documento dedicado às conclusões, os autores afirmam que o instrumento dos vouchers cumpriu seu papel e realmente estimulou as empresas a contratar serviços de universidades e instituições de pesquisa. Contudo, eles observam que seria necessário fazer um segundo estudo para avaliar qual foi o "valor agregado" dos contratos de parceria para as empresas e para a sociedade — por exemplo, se as empresas encomendaram novas pesquisas ou se conseguiram fortalecer sua capacidade de inovação.
 
O texto original do estudo pode ser lido em inglês no site do CPB. Na versão em português publicada pela revista Parcerias Estratégicas, usa-se o termo "vale-inovação" no lugar de "voucher da inovação".

"Os vales-inovação estimulam as pequenas e médias empresas (PME)
a interagirem com as instituições de pesquisa e desenvolvimento?"

http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-parcerias%20_strategicas080422.pdf

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Publicada em 7 de abril 2008

Políticas Públicas
Grã-Bretanha, Irlanda e Holanda usam "voucher da inovação" para
incentivar pequena empresa a buscar conhecimentos na academia

http://www.inovacao.unicamp.br/report/noticias/index.php?cod=241

Publicada em 24 de março 2008

 

http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-scienceInnovation080324.pdf

"Nação da Inovação"
Documento do governo britânico privilegia "lado da demanda"
para fazer do Reino Unido o lugar em que mais se inova no mundo

Innovation Nation
Unlocking talent  
Department for Innovation, Universities and Skills

Nação da Inovação
Para libertar o talento
Ministério da Inovação, Universidades e Especializações

A Grã-Bretanha quer se tornar o melhor lugar do mundo para uma empresa inovadora se instalar. "Queremos criar uma Nação da Inovação porque a Grã-Bretanha só pode prosperar em uma economia globalizada se nós libertarmos os talentos de toda a nossa população", diz John Denham, o secretário do primeiro-ministro Gordon Brown que chefia o Ministério da Inovação, Universidades e Especializações (DIUS, sigla em inglês), na primeira linha do prefácio ao White Paper Nação da Inovação — Para libertar o talento, que Inovação localizou e deixa agora disponível para seus leitores. O White Paper foi apresentado em março de 2008 ao Parlamento pelo secretário da Inovação, pelo Ministro da Fazenda e pelo secretário para Empreendimentos de Negócios e Reforma Regulatória.   

Na notícia sobre a divulgação do documento, o jornal inglês Financial Times destacou o desejo, manifesto no texto, de que o estímulo à inovação venha pelo lado da demanda. "O governo supriu o lado da oferta da inovação nos últimos dez anos", disse Denham ao jornal — referindo-se ao aumento do financiamento à pesquisa. "Agora é tempo de concentrar no lado da demanda." A principal medida nesse sentido preconizada pelo documento será o atrelamento sistemático das encomendas governamentais ao estímulo à inovação. De acordo com o FT, o governo pretende chegar a investir 150 bilhões de libras em encomendas de produtos e serviços inovadores.

Políticas de estímulo à "oferta" ou à "demanda" são item de debate entre os especialistas também no Brasil. Pode-se ouvir sobre nosso país a mesma observação que aparece no documento britânico sobre o Reino Unido, guardadas as proporções: a pesquisa em universidades e institutos de pesquisa, graças ao investimento público, vai bem; mas a inovação nos diversos setores econômicos vai mal. Na lista de pontos fortes do White Paper, a "posição de liderança em pesquisa cientifica" é a primeira citada; depois: "número de setores econômicos altamente competitivos"; "clima macroeconômico estável" (o que também temos) e "acolhedor" (o que não temos); e "regulação flexível no mercado de trabalho e de produtos".

O documento também afirma que o governo quer aumentar para mil os "vouchers da inovação" até 2011. O mecanismo dos vouchers já está em experimentação: em setembro de 2007, o DIUS selecionou 40 pequenas que inovam inglesas para receber, cada uma, 3 mil libras — quantia que, obrigatoriamente, devem dispender em pesquisa cooperativa com universidades. A ampliação paulatina do programa levará o investimento do governo nos vouchers até 3 mil vezes mil libras. Outra recomendação do estudo é a reformulação do programa de apoio às empresas inovadoras — inspirado no programa norte-americano, da mesma forma que o PIPE da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Notável também no texto é a reiteração da necessidade de inovação no serviço público — na gestão da saúde, por exemplo. Para o governo, o serviço público não inova porque seus gestores temem o risco.  O documento também propõe que mais pesquisa sobre inovação seja feita, para subsidiar a tomada de decisões em políticas. Também é enfatizado o papel do design como um produtor de inovações.

São Paulo é citada ao lado de Xangai, na China, e Bangalore, na Índia, como prova de que a geografia da inovação está mudando. Como prova de que, além desses, há ainda outros centros de inovação emergindo, são citadas Recife, a chinesa Chogqing, e as indianas Pune e Ahmedabad. A fonte para essas informações é a publicação Atlas das Idéias, da consultoria inglesa Demos. No momento, dois pesquisadores ligados ao projeto estão no Brasil, realizando entrevistas com gestores na área.

Innovation Nation — Unlocking talent

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Publicada em 5 de maio 2008

Ensino Superior Chinês
Ensino superior é caminho para aumentar produtividade na China,
diz governo; economistas pensam que decisão terá impacto global

Março 2008
National Bureau of Economic Research Working Paper
The higher educational transformation of China and its global implications
Yao Li, John Whalley, Shunming Zhang, Xiliang Zhao

Inovação interessou-se por este artigo em razão de seu argumento central: o de que o fato de a China ter decidido expandir não o ensino fundamental, mas o ensino superior como um caminho de acesso ao desenvolvimento, influirá no rumo das políticas para o tema em todos os países em desenvolvimento. De acordo com os autores — três chineses e um norte-americano, todos economistas, trabalhando no Canadá, na Nova Zelândia e na China —, os planos qüinqüenais de desenvolvimento chinês para a presente década estatuem o compromisso com a manutenção de altas taxas de crescimento por meio do aumento da qualidade e pela produção de idéias e propriedade intelectual. Isso é uma transformação para a China; e essa transformação, diz o artigo, se realiza pela destinação de ainda mais recursos para a educação superior, que sofre ela própria uma transformação organizacional. O foco no ensino superior é que diferencia o País de outros em similar estágio de desenvolvimento. Os números, desde 1999: crescimento de 30% ao ano nos matriculados em graduação e pós-graduação; pós-graduandos multiplicados por quatro em seis anos. O dispêndio, contam, concentra-se em universidades de elite, em que os professores não têm estabilidade ("no tenure") e há cotas para regular a produção, medida em artigos publicados. Tudo isso, afirmam os autores, já produz impacto global, vai produzir ainda mais — e como conseqüências, a nova conformação do ensino superior na China tem implicações para o comércio global, "diretamente em idéias, e em produtos derivados de idéias".

Já pensou? No final do mês de março, o ensino superior chinês foi o tema de mais um fórum de debates sobre universidades promovido pela Unicamp. Inovação acompanhou, e publicamos aqui a entrevista de Zuyou Zhou, professor da Universidade Normal de Pequim, que detalhou alguns aspectos das mudanças — uma delas sendo sobre o financiamento, que é misto: há dinheiro federal, cobrança dos alunos e doações de empresas. Também foi incentivado que as universidades abrissem empresas próprias. Isso, no país governado pelo Partido Comunista. É interessante.

Há problemas, claro. Na introdução do artigo são apontados alguns. Por exemplo: desemprego de gente muito qualificada. Mas, repetem os autores, há no governo um "desejo de manter o alto crescimento pelo uso da transformação da educação como o mecanismo primário para a elevação da capacidade e para o crescimento do fator total de produtividade". Se a China for bem-sucedida, e outros países seguirem-na, uma maior competição no campo da educação entre países poderá ser uma conseqüência.

Só um dado: em 1990, a China obteve 12 patentes internacionais e o Brasil, 11. Em 2003, a China já tinha obtido 84 e o Brasil, 35. Rápidos, não? Boa leitura. Pedimos desculpas por não ter sido possível traduzir o texto. 

The higher educational transformation of China and its global implications

http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-highereducation_china080505.pdf

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