Economy and Society II de José Porfiro – Specific

28 de abril de 2008

CRISE DOS ALIMENTOS – FALTA E PREÇOS

Filed under: Sem categoria — Porfiro @ 7:57 AM

 

Terça-feira , 22 de Abril de 2008


CRISE DOS ALIMENTOS – I

            O tom apocalíptico das declarações e a tensão em torna da chamada crise dos alimentos revelam o quanto essa questão está além de uma moda.1 A mídia vem divulgando as principais manifestações dessa crise, como o aumento dos preços, a escassez de alimentos, o desespero em algumas regiões (notadamente africanas),2 as estratégias de cada país, a manipulação dos estoques reguladores, etc. No campo econômico puro, é mais atraente discutir esse tema usando o conceito de inflação. No entanto, não se trata de inflação, simplesmente. É inflação, à economia, e tudo mais que se imaginar. É fome, tragédia, disputa de poder, também.

No ano passado (agosto), a ONU publicou o relatório, “os impactos dos bio.. sobre o direito à alimentação.3 Até dezembro esse relatório não produziu nenhuma comoção na imprensa. No entanto, quando ele foi divulgado no Brasil, associando parte da crise dos alimentos aos biocombustíveis (o temor do governo brasileiro), o assunto não deixa de ser notícia.

            O governo brasileiro não ficou nada satisfeito com a tese de que a expansão da produção de biocombustível dar-se as expensas da produção de alimentos. Primeiro, veio a reação os produtores da indústria da cana. A especificidade brasileira (biocombustível x alimentos) é justamente o poderia desses produtores, agrupados na União dos Prod. de Cana-de-Açúcar – ÚNICA. É tão poderosa que o governo brasileiro usa de todas as armas para refutar a idéia de que a produção de etanol (biocombustível) está associada com a crise alimentar.

O presidente Lula usou um farto repertório de ataques (palpiteiros, etc.), até que o Ministro Celso Amorim colou uma tese: o problema alimentar é devido os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos.4 Da perspectiva do governo brasileiro, a situação está razoavelmente encaminhada; caso as restrições dos mercados de produtos agrícolas dos países desenvolvidos fossem reduzidas, nem se falaria mais em problema alimentar. É uma boa estratégia!

            Acrescentado a isso, o relator da ONU, Jean Ziegler, enfatizou que o Brasil estava fomentando a fome no mundo ao fomentar a produção de etanol derivado da cana-de-açúcar, em entrevista no jornal Folha de São Paulo (02dez2007). O jornal copidescou assim parte das idéias de Ziegler: “O monstro está de volta. Quatro séculos depois de engordar as oligarquias e escravizar os miseráveis no período colonial, a cana-de-açúcar volta a ganhar a mesma aura de santidade no Brasil. E com efeitos sociais semelhantes.” Diga-se de passagem é a mesma linha de raciocínio do governo brasileiro.

Não menos incisivo foi a revista The Economist, numa densa matéria, Cheap no more, Food for thought (27mar) e The new face of hunger (17abr), onde o jornalista afirmou que o aumento da renda na Ásia e os subsídios para a produção do etanol na America Latina colocaram um fim na longa era de queda dos preços dos alimentos. [The global food crisis, FT, 13abr2008; O papel dos especuladores na crise global de alimentos, Der Spiegel, 24abr208; Produzam os biocombustíveis corretos, 25abr; Clean energy myth, abr,  UN: Food Prices a ‘Global Crisis, 25abr08, Fotos, Time; Fuel Choices, Food Crises, 15abr, Farm Income Up, but Subsidies Stay, 24abr, NYT]

            Esquivando-se dos interesses do governo brasileiro, dos produtores de cana e dos agronegociantes, em geral, é possível a constatação de uma complicadíssima questão em torno da produção de alimentos; pouco importa ao agronegócio, é óbvio.

            Para aumentar as dúvidas sobre os biocombustíveis, os britânicos publicaram um relatório, em janeiro, rejeitando essa fonte de combustível e destacando seus males.

            No Crop Prospects and Food Situation, de dezembro, a FAO fez um balanço entre a oferta e a demanda de alimentos. A previsão era de que a produção iria aumentar de forma significativa, mas não o suficiente para empurrar os preços para baixo. Como a demanda vai continuar aumentando, alguns preços subiriam em demasia, prejudicando a importação dos países pobres. O destaque seria o auge do comercio mundial de alimentos em 2008.

            No final de dezembro, um fazendeiro inglês, Chris Haskins, publicou um artigo, “Profecia de catástrofe alimentar ainda pode se realizar”, argumentando que se os agricultores não conseguirem atender o aumento da demanda de alimentos, haverá sérias conseqüências econômicas e políticas. Basicamente inflação e instabilidade política no mundo em desenvolvimento: “A agricultura atingiu um divisor de águas, e se as pessoas continuarem a se comportar de maneira egoísta ou irracional, as previsões malthusianas se realizarão.

Em fevereiro, o chefe da FAO, Jacques Diouf, alertou que o mundo em desenvolvimento teria mais dificuldade para obter alimentos, principalmente porque a oferta mundial estaria encolhendo, de forma súbita, e os preços aumentando num nível sem precedentes: “O índice de preço dos alimentos da agência subiu mais de 40% neste ano, em comparação a 9% no ano anterior -uma taxa que já era inaceitável, disse Diouf. Os novos números mostram que o custo total dos alimentos importados pelos países mais necessitados subiu 25% no ano passado, para US$ 107 milhões.” Na mesma matéria, a diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos, Josette Sheeran, disse: ‘Nós estamos preocupados com a possibilidade de estarmos enfrentando a tempestade perfeita para a fome mundial’.5

            O tema específico da questão dos alimentos vem sendo tratado de forma mais abrangente, pela FAO, desde a década passada. Em 1996, a FAO publicou a Declaração de Roma: “Comprometemo-nos a consagrar a nossa vontade política e o nosso compromisso comum e nacional a fim de atingir uma segurança alimentar para todos e à realização de um esforço permanente para erradicar a fome em todos os países, com o objetivo imediato de reduzir, até metade do seu nível atual, o número de pessoas subalimentadas até, ao mais tardar, o ano 2015.” Passaram-se mais de dez anos…

            Nessa onda de crise aliemntar entraram nada menos que as agências multilaterais. Banco Mundial (Critical 2008) e FMI. Abril vem sendo o mês dessas agências. O banco Mundial propôs um "New Deal" agrícola. O presidente do Banco não perdeu tempo: “‘Os pobres precisam agora de preços mais baixos de alimentos’, afirmou. ‘Mas o ‘sistema mundial de comércio de agricultura está preso ao passado. O momento de cortar subsídios distorcidos e de abrir os mercados para a importação de alimentos é agora.’6 Essas organizações têm seus objetivos bem definidos. Ao longo do tempo vêm incorporando qualquer novidade, tanto acadêmica, quanto de política. O que menos elas fazem é perder a oportunidade de estarem envolvidas com os principais assuntos mundiais.

            Um assunto dessa natureza, quando abordado pelos canais convencionais, ganha, no máximo, ares de dramaticidade. As toneladas de textos que a FAO produz sobre segurança alimentar e política agrícola pouco importam. Não fosse ter importunado os interesses dos produtores de cana-de-açúcar no Brasil, seria apenas mais um documento lançado, como tantos outros. Mas além de enfadar os fazendeiros, também colocou em cena o cinismo das agências multilaterais. E mais relevante, talvez, fez-se aparecer influentes veículos de comunicação, como a The Economist, Financial Times,7 com suas conservadoras proposições, bem como abordagem críticas.8

 

cont…. abaixo….

 

FMI (How the IMF Helps Poor Countries); ONU, BANCO MUNDIAL (Implications of higher global food prices for poverty in developing countries), Gary Backer, IFPRI, Global Food Issues, Grains Gone Wild (7abr, Krugman), FOME-2008: The year of global food crisis 26abr, The World Food Crisis, 24abr, The Nation; Global Food Crisis: Hunger Plagues Haiti and the World, 21abr, Global Research; Crise agrícola gera oportunidade ao país (27abr, FSP); Século 21 será de "penúria alimentar" [conderir livro] – (27abr, FSP); O comércio mais livre poderá encher a tigela de arroz do mundo (28abr – NYT) 

CRISE DOS ALIMENTOS – II – cont…

            No dia 08abr, Paul Krugman publicou um artigo, O que está por trás da crise mundial de alimentos?, colocando esta no mesmo nível da outra crise mundial, a financeira. Embora ele seja especialista na primeira, sua manifestação se torna importante, pois uma maior quantidade de analista passará a se interessar pelo tema, ao menos: “Eu falo sobre a crise de alimentos. Nos últimos dois anos os preços do trigo, milho, arroz e outros alimentos básicos dobraram ou triplicaram, com grande parte do aumento ocorrendo nos últimos poucos meses. Os altos preços dos alimentos incomodam até mesmos os americanos relativamente prósperos, mas são realmente devastadores nos países pobres, onde os alimentos freqüentemente são responsáveis por mais da metade das despesas de uma família.”

            De toda forma, nesta semana, por ocasião da 30ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e Caribe (leia informe final), o tema da crise dos alimentos não se concentrou somente na polêmica dos biocombustíveis brasileiro. O tom foi direcionado na questão da falta de alimentos propriamente dita.9

            Deslocar essa discussão para uma questão de inflação, não é fora de propósito. Pois, de qualquer maneira o aprofundamento desse problema agrava o desequilíbrio entre a oferta e demanda de alimentos. Há uma quantiade grande de boletins de conjuntura que acompanham todos os movimentos dos níveis de preços, incluindo os agrícolas. Entre os mais importantes (de acesso livre, o que é mais importante), tem o Boletim Informações FIPE, os Indicadores do IBGE, os boletins do IPEA, dentre outros.

            Será que a evidência desse tema, no momento, está abrindo caminho para uma situação de fome generalizada. É claro que tem fome generalizada por diversas partes do mundo. Mas falo de fome generalizada, relacionada a uma crônica falta de alimentos.

            O mundo está com fome. O mundo fragilizado, principalmente. Problemas climáticos, estratégias econômicas (redução da oferta), aumento da demanda esse é o quadro pintado. Também se pinta uma grandiosa expectativa pelo aumento do expansação do agronegócio brasileiro, com a ressalva, não é necessário nehnum desmatamento novo. Tudo pode ser realizado em áreas degradadas; discursa-se. O de concreto é a fome…

 

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1 Embora quase tudo na mídia seja bastante fluido e passageiro. Assuntos vêm e vão de forma muito natural.

2 Cf. A nova cara da fome no século XXI, publicado no Jornal El Pais, em 08mar2008. Muitas das manifestações vêm ocorrendo de forma bastante violenta

3 O mesmo órgão da ONU publicou um relatório (The World Food Summit: Five Years Later), em 2002, fazendo um amplo panorama sobre o estado mundial da alimentação.

4 Um alívio para os produtores e um descanso para o próprio governo. Cf. Ministro diz que só o fim das barreiras evitará a inflação dos alimentos; Amorim rebate FMI e sugere fim de subsídios agrícolas de países ricos; Celso Amorim discute na Suíça biocombustíveis e reforma das Nações Unidas; Discurso contra biocombustíveis é equivocado, diz Amorim; Francês contesta críticas feitas ao etanol brasileiro (14abr2008).

5 El encarecimiento de los alimentos desatará graves conflictos sociales, alerta la FAO; Alta dos preços dos alimentos pode levar à explosão social, alerta a Unesco (15abr2008); Un golpe para las mesas populares; A fúria dos pobres (Der Spiegel, 15abr2008 – refer.)

6  FMI e Banco Mundial unem-se contra os biocombustíveis (11abr2008); Banco Mundial culpa álcool por alimentos mais caros; FMI vê mais conflito por alimento; Crise alimentar atinge o globo (14abr2008); FAO ataca produção de biocombustíveis; Os biocombustíveis são acusados de exacerbarem a crise alimentar mundial (Le Monde, 15abr2008); Em meio a críticas, biocombustíveis preparam sua segunda geração (LeMonde, 23abr2008)

7 Restrições às exportações ampliam crise de alimentos, 14abr2008; Restrições às exportações agrícolas agravam crise global dos alimentos, 18abr2008.

8 Petróleo y alimentos: La antesala de un estallido mundial.

9 Governo anuncia plano para aumentar em 25% produção de trigo (17abr), Sem trigo argentino, pão fica mais caro no Brasil (23abr2008), FAO alerta para crise de alimentos nos países pobres (11abr2008); Preços em ascensão aumentam desigualdade entre ricos e pobres (01nov2007); O verdadeiro escândalo dos alimentos transgênicos (01nov2007); Crise alimentar domina discussões em reunião da ONU sobre desenvolvimento (21abr2008); MDA discute combate à crise alimentar mundial (11abr2008); Ban Ki Moon atri crise alimentar a políticas agrícolas (20abr2008); Crise dos alimentos: as soluções existem (Le Monde – 14abr2008); Seca australiana agrava crise global de produção de arroz (17abr2008); Alimentos: EUA acenam com ajuda para países com crise (15abr2008); África cai na armadilha da explosão dos preços dos alimentos (Le Monde – 05abr2008); Krugman: estamos ficando sem planeta para explorar. E agora? (22abr2008)

 

O Globo: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=alta_dos_alimentos_fez_que_doha_nao_conseguiu_fazer&cod_Post=97560&a=73

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=nao_subsidio_que_resolve_problema_dos_alimentos&cod_Post=97042&a=73

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=foi_uma_cena_insolita_zoellick_segurando_pao_saco_de_arroz&cod_Post=97039&a=73 (arroz e pão na mão) 

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=bancos_centrais_sobem_juros_por_causa_de_alta_de_alimentos&cod_Post=96881&a=73

 

Escrito por Prof. José Porfiro da Silva às 20h20

Artigo: A fome está à espreita nos EUA (FT – 28abr2008)

CHRIS BRYANT
DO "FINANCIAL TIMES", EM WASHINGTON – Milhões de pobres americanos correm o risco de passar fome se os preços dos alimentos continuarem a subir e as agências de alimentos tiverem dificuldade em enfrentar a alta dos custos, a redução dos recursos e o aumento na demanda. …………………..
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O comércio mais livre poderá encher a tigela de arroz do mundo (nyt – 28ABR)

28/04/2008
O comércio mais livre poderá encher a tigela de arroz do mundo

Tyler Cowen*

A alta nos preços dos alimentos representa a fome para milhões de pessoas e também a instabilidade política, como já se viu no Haiti, Egito e Costa do Marfim. Sim, a energia mais cara e o mau tempo devem ser considerados culpados em parte, mas a verdadeira questão é saber por que o ajuste não está sendo mais simples. Um grande problema é que o mundo não tem um comércio que baste em matérias-primas para alimentação. ……………..

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Geneticamente modificados podem resolver a crise dos alimentos? (Der Spiegel – 28 abri)

28/04/2008
Geneticamente modificados podem resolver a crise dos alimentos?
Levará algum tempo até que as plantas geneticamente modificadas possam ajudar a população faminta do mundo. Uma das razões é que as corporações agrícolas estão desenvolvendo os tipos errados de plantas

Philip Bethge

Às vezes as soluções para os problemas da humanidade estão à distância de um clique do mouse. "Como você alimenta meio milhão de pessoas no deserto?", pergunta uma animação no site do projeto África Sorgo Biofortificado (ABS). A resposta que ele propõe é: "Super Sorgo!"
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Lula quer medidas de estímulo a alimentos (FSP – 28abr)

Lula quer medidas de estímulo a alimentos

VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encomendou aos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Reinhold Stephanes (Agricultura) medidas para estimular a produção de alimentos de consumo popular que estão com preços em alta, como arroz, feijão, leite e trigo.
Entre as medidas, está a concessão de financiamento a juros baixos para incentivar fazendeiros não só a manter esses tipos de produção como aumentá-los. O governo teme que produtores rurais abandonem algumas culturas em busca de outras com preço em alta no mercado internacional.
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http://www.michelcollon.info/articles.php?dateaccess=2008-04-26%2006:30:45&log=invites

Biocarburants et crise alimentaire
Salim Lamrani

 Envoyer à un(e) ami(e)    Imprimer

lamranisalim@yahoo.fr
 

Les émeutes de la faim se sont multipliées à travers le monde suite à la flambée des prix des matières premières alimentaires et se sont révélées particulièrement meurtrières. Les populations du Tiers-monde, écrasées par un système économique irrationnel et insoutenable, ont exprimé leur colère sur tous les continents, que ce soit à Haïti où le Premier ministre a été démis de ses fonctions, aux Philippines ou en Egypte. Plus de 37 pays d’Afrique, d’Asie et d’Amérique latine représentant un total de 89 millions de personnes sont directement affectés par la crise alimentaire1. Mais il ne s’agit malheureusement que du début.
 

22 avril 2008

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http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=8824

Global Famine? Blame the Fed – by Mike Whitney
Global Research, April 27, 2008 – The stakes couldn’t be higher for Ben Bernanke. If the Fed chief decides to lower rates at the end of April, he could be condemning millions of people to a death by starvation. The situation is that serious. Food riots have broken out across the globe destabilizing large parts of the developing world. China is experiencing double-digit inflation. Indonesia, Vietnam and India have imposed controls over rice exports. Wheat, corn and soya are at record highs and threatening to go higher still. Commodities are up across the board. The World Food Program is warning of widespread famine if the West doesn’t provide emergency humanitarian relief. Venezuelan President Hugo Chavez said it best: …………..
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Vídeo: A Crise Socioeconomica dos Biocombustíveis
          Ignacy Sachs – 28abr2008 
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Quinta-feira, 17/04/2008

A elevação mundial dos preços dos alimentos foi um dos temas principais no noticiário econômico da semana. Miriam Leitão debate o assunto com seus convidados.

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30/04/2008
Falta de fertilizantes ameaça produção mundial de alimentos
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2008/04/30/ult574u8433.jhtm
Keith Bradsher e Andrew Martin
Em Xuan Canh, Vietnã

Truong Thi Nha tem apenas 1,37 m de altura. Os seus três filhos são bem maiores do que ela. O fato dos filhos serem bem mais altos do que os pais é um fenômeno comum nesta vila próxima a Hanói. O maior motivo para a robustez dessas crianças são os fertilizantes.

Nha, cuja face faz com que ela pareça ter mais do que os seus 51 anos de idade, diz que o seu crescimento foi prejudicado por uma infância de fome e desnutrição. Faz apenas algumas décadas que as colheitas aqui eram bem menores e a dieta muito pior.

Mas depois disso a utilização generalizada de adubos químicos baratos e as reformas de mercado contribuíram para que houvesse por aqui uma explosão agrícola que já havia ocorrido em outras partes do mundo. As safras de arroz e de milho aumentaram de volume, e as dietas tornaram-se mais ricas.
conti…………………………

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30/04/2008
Governo russo tenta driblar aumento dos preços dos alimentos
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2008/04/30/ult574u8432.jhtm
Michael Schwirtz
Em Moscou

Tamara V. Nikolskaya estava carregada de sacolas de compras de plástico, andando apressadamente pelo mercado de rua Enthusiast na sexta-feira atrás dos últimos itens para o banquete da Páscoa ortodoxa no domingo.

"Sim, os preços estão aumentando", disse, enquanto examinava baguetes de pão em uma das muitas lojas que exibiam produtos para a Páscoa.

Fiscais do governo também estavam vigilantes em relação às etiquetas de preços. Apesar de normalmente isolado da crítica pública, o Kremlin têm se mostrado particularmente sensível aos efeitos que a alta nos preços dos alimentos têm sobre os russos à medida que o país continua a sucumbir à tendência global que incitou protestos por parte de cidadãos famintos em alguns países.

cont……………………………..
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30/04/2008
Martin Wolf: a crise dos alimentos é uma chance de reformar a agricultura global
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2008/04/30/ult579u2446.jhtm
Martin Wolf
Colunista do Financial Times

Das duas crises que perturbam a economia mundial -o desarranjo financeiro e a alta dos preços dos alimentos- esta última é mais perturbadora. Em muitos países em desenvolvimento, a quarta parte mais pobre dos consumidores gasta próximo de três quartos de sua renda em alimentos. Inevitavelmente, os preços altos ameaçam agitação na melhor das hipóteses e fome em massa na pior.

As recentes altas de preços se aplicam quase que exclusivamente a alimentos básicos e rações animais. Mas estes saltos fazem parte de uma variedade mais ampla de commodities cujos preços estão em alta. Forças poderosas estão ligando os preços da energia, matérias-primas industriais e alimentos. Estas forças incluem o rápido crescimento do mundo emergente, problemas na oferta mundial de energia, a desvalorização do dólar americano e pressões inflacionárias globais.
cont………………….

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30/04/2008
Inflação castiga a classe média européia
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/herald/2008/04/30/ult2680u673.jhtm
Carter Dougherty e Katrin Bennhold*
Em Les Ulis, França

Quando a padaria local aumentou o preço da baguete pela terceira vez em seis meses no ano passado, Anne-Laure Renard e Guy Talpot compraram uma máquina de fazer pão. Quando a gasolina tornou-se o seu maior gasto mensal em janeiro, eles decidiram vender um dos seus dois automóveis.

Agora, quando tudo, do leite para bebês às sobremesas de chocolate, faz aumentar o custo de vida do casal, Renard, professora, e Talpot, carteiro, estão pretendendo fazer a mais radical mudança até o momento no seu estilo de vida: eles vão se casar para reduzir o valor dos impostos.

cont…………………………………
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30/04/2008
Escassez de manteiga ilustra a perda da independência alimentar do Japão
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2008/04/30/ult580u3051.jhtm
Philippe Mesmer
Correspondente em Tóquio

"Os fabricantes de manteiga enfrentam atualmente problemas de abastecimento de matérias-primas. Nós queremos agradecê-los por comprarem apenas um pacote por pessoa". O aviso aparece acima das prateleiras do setor de produtos frescos deste supermercado de Tóquio. Habitualmente repleto de diversos pacotes de manteiga, ele hoje está vazio. Até quando a loja pretende repor seu estoque? "As entregas não vêm sendo realizadas com regularidade", lamenta um vendedor. "Portanto, é melhor vir de manhã para ter alguma chance de encontrar manteiga".

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Novedades de GRAIN
Abril de 2008
http://www.grain.org/nfg/?id=566
LA CRISIS ALIMENTARIA: EL NEGOCIO DE MATAR DE HAMBRE
La crisis alimentaria mundial afecta a mucha gente, pero las empresas del agronegocio, los comerciantes y especuladores mundiales se están aprovechando de la situación para llevarse su buena tajada.
Gran parte de la información que se brinda de la crisis alimentaria mundial se ha centrado en los disturbios ocurridos en países de bajos ingresos, donde trabajadores y trabajadoras y gente de otros sectores ya no pueden hacer frente a la disparada de los costos de los alimentos básicos. Pero hay otra parte de la historia: las grandes ganancias que están obteniendo enormes empresas de la alimentación e inversionistas. Cargill, la mayor empresa comercializadora de granos del mundo, incrementó en 86% las ganancias del comercio de commodities en el primer trimestre de este año. Bunge, otra gigante del negocio de los alimentos, experimentó un aumento del 77% en sus ganancias durante el último trimestre del año pasado. ADM, la segunda mayor empresa mundial del ramo cerealero, registró un 67% de aumento de sus ganancias en 2007. cont…………………………….
 
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Leonardo Boff * – Fome: alimentos como negócio

O mundo está se alarmando com a alta do preço dos alimentos e com as previsões do aumento da fome no mundo. A fome representa um problema ético, denunciado por Gandhi: “a fome é um insulto, ela avilta, desumaniza e destrói o corpo e o espírito; é a forma mais assassina que existe”. Mas ela é também resultado de uma política econômica. O alimento se transformou em ocasião de lucro e o processo agroalimentar num negócio rendoso. Mudou-se a visão básica que predominava até o advento da industrialização moderna, visão de que a Terra era vista como a Grande Mãe. Entre a Terra e o ser humano vigoravam relações de respeito e de mútua colaboração. O processo de produção industrialista considera a Terra apenas como baú de recursos a serem explorados até a exaustão.

A agricultura, mais que uma arte e uma técnica de produção de meios de vida, transformou-se numa empresa para lucrar. Mediante a mecanização e a alta tecnologia pode-se produzir muito com menos terras. A “revolução verde” introduzida a partir dos anos 70 do século XX e difundida em todo mundo, quimicalizou quase toda a produção. Os efeitos são perceptíveis agora: empobrecimento dos solos, devastadora erosão, desflorestamento e perda de milhares de variedades naturais de sementes que são reservas em face de crises futuras.

A criação de animais modificou-se profundamente devido aos estimulantes de crescimento, práticas intensivas, vacinas, antibióticos, inseminação artificial e clonagem.

Os agricultores clássicos foram substituídos pelos empresários do campo. Todo este quadro foi agravado pela acelerada urbanização do mundo e o conseqüente esvaziamento dos campos. A cidade coloca uma demanda por alimentos que ela não produz e que depende do campo.
cont……………………………………..

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http://www.links.org.au/node/384 

The global food crisis – Fotos – didático

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http://www.cgfi.org/cgfi-blog – Center for Global Food Issues

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http://www.cfr.org/publication/16062/seeds_of_disaster.html?breadcrumb=%2Findex

The Seeds of Disaster – April 21, 2008

Author:

For consumers and businesses in the United States and Europe, bubbling inflation and rising oil prices bring varying degrees of hardship, producing a nuisance for some and raising solvency issues for others. Elsewhere in the world, these factors threaten more existential consequences. World Bank data show rising commodity prices have prompted a dramatic spike in global food prices, with the cost of staples like wheat and rice showing the greatest increases. Unrest has risen along with prices. Riots over food prices have broken out in North and South America, the Caribbean, Africa, the Middle East, and East Asia—an interactive chart from the Financial Times shows the global reach and magnitude of the crisis. Economist Jeffrey Sachs calls it the “worst crisis of its kind in more than thirty years” (NYT).

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http://www.cfr.org/publication/15841/

Daniel Gustafson on U.S. Food Policy

Interviewee:

Daniel Gustafson –

Interviewer:

Toni Johnson

March 27, 2008

Global food prices have continued to rise, placing an extra burden on the poor. The World Food Program (WFP), a UN humanitarian agency, in March 2008 announced a shortfall of $500 million and could have to ration food aid. Daniel Gustafson, director of the Washington office of the UN Food and Agriculture Organization, says the price increase is due to a confluence of events, including increased demand for meat worldwide, high energy prices, bad harvests in some countries, and the advancement of corn-based ethanol as an alternative fuel. For the world’s poor, those in developing countries who typically spend 70 percent to 80 percent of their entire income on food, he says “anything that relates to an increase in food prices can be a disaster for them.”

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