Economy and Society II de José Porfiro – Specific

2 de maio de 2008

CRISE DOS ALIMENTOS – FALTA E PREÇOS II

Filed under: Computadores e a Internet — Porfiro @ 10:36 PM
A batalha contra a fome em Camarões


Philippe Bernard
Enviado especial a Iaundê

A batalha contra a fome é travada primeiramente contra o tempo. Todos os dias, como milhões de mulheres africanas, Léontine Mbamba, 52 anos, mãe sozinha de quatro filhos, a conduz sem ruído, mas na linha de frente. Sentada em sua cama no estreito cômodo de paredes nuas que serve ao mesmo tempo de quarto, sala e cozinha, ela tenta explicar como alimenta os seus enquanto os preços disparam, enquanto o essencial dos 400 mil francos camaroneses (600 euros) de seu salário mensal de professora vai para os gêneros de primeira necessidade.

Sua palavra de ordem é simples: "fazer o tempo durar", ou seja, tocar com a menor freqüência possível no saco de arroz, cujo preço aumentou cerca de 50% em poucos meses, beirando os 300 francos o quilo (0,45 euros), fazer de modo que o meio litro de óleo de palma "dure duas semanas" e que os seis sabões de Marselha durem um mês, incluindo banhos e louça.

"Feitiçaria e oração"
A valsa dos preços tornou-se uma obsessão para todo camaronês desde que o aumento se generalizou e ampliou. A tal ponto que vários jovens morreram sob as balas dos policiais durante as greves e rebeliões da fome acompanhadas de saques, no final de fevereiro, em várias aldeias e cidades do país.
 CONTINUA……

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São Paulo, sexta-feira, 30 de maio de 2008 – tendencias e debates
O futuro chegou: crise alimentar e energética

PAUL SINGER

Nunca em tempos de paz houve pressões inflacionárias tão violentas a partir do encarecimento de bens essenciais

O PREÇO do petróleo está batendo recordes quase diariamente. No momento, ele gira ao redor de 130 dólares o barril. O índice dos preços de alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) foi, em média, 127 em 2006 e 157 em 2007, subindo para 220 em março de 2008 (1998-2000 = 100). Nunca em tempos de paz houve pressões inflacionárias tão violentas a partir do encarecimento de bens essenciais.
Eis a grande novidade dessa dupla crise que se deve às mesmas causas: a redução da pobreza em grandes países periféricos, como a China, a Índia e o Brasil (além de outros), que expandiu fortemente a demanda por derivados de petróleo e por alimentos "nobres" -carne e laticínios, cuja produção exige muito mais trabalho humano, energia e recursos naturais não renováveis, como terra e água.
A elevação dos preços do petróleo e da comida deveria provocar um aumento de sua produção, pois seu encarecimento a torna mais lucrativa. Mas a elevação da produção alimentar esbarra na disponibilidade de terra e água, limitada pela sua poluição pelos elementos químicos utilizados pelos agricultores. O mesmo vale para o aumento da produção de petróleo, limitado pelas reservas exploráveis.
Estamos nos defrontando com um cenário que Celso Furtado previu em 1974, quando escreveu "O Mito do Desenvolvimento Econômico". Ele sustentava que era um mito esperar que o desenvolvimento econômico dos países do Terceiro Mundo lhes permitiria alcançar o nível de vida usufruído apenas pelos povos do Primeiro Mundo, porque não haveria recursos naturais suficientes para que isso pudesse acontecer.
Quase um terço de século decorreu desde então, e o que parecia na época um exagerado temor malthusiano tornou-se consensual, sobretudo desde que se comprovou que o clima da Terra está aquecendo, com conseqüências danosas para os recursos naturais do planeta.
A nova classe média nos países chamados de emergentes passou a ter dinheiro para alcançar o padrão de vida de sua congênere do Primeiro Mundo. Essa mudança seria desejável se ela não impactasse desfavoravelmente sobre a grande massa que continua pobre.
A carestia da comida, causada pelo aumento da demanda dos ex-pobres, empobrece ainda mais os que já gastam a maior parte do que ganham para alimentar a família. Os cereais que lhes mataria a fome tendem agora a ser dados aos animais cujos derivados alcançam preços cada vez mais atraentes.
O funcionamento do mercado mundial de alimentos produz "naturalmente" esses efeitos perversos. Motins da fome estouram em cada vez mais países e, de acordo com a FAO, em 37, dos quais 21 africanos, há crise alimentar.
Premidos pelo desespero dos famintos, cada vez mais governos (inclusive o brasileiro) tratam de restringir a exportação de alimentos básicos para garantir o abastecimento do mercado interno. O que naturalmente agrava a situação dos pobres nos países que dependem de alimentos importados.
A ONU, alarmada com a gravidade da situação, está solicitando das nações mais ricas recursos para impedir que a fome se alastre pelo mundo, pondo em risco não só o combate à pobreza mas também a paz mundial.
Governos terão de adotar medidas de emergência para garantir um abastecimento alimentar mínimo a todos: estatizar os estoques de alimentos para evitar que sejam açambarcados pelos que têm dinheiro para formar estoques privados. E racionar a sua venda, por preços que os mais pobres possam pagar; eventualmente, taxar mais os alimentos derivados de animais para possibilitar o aumento da produção dos alimentos vegetais, indispensáveis à nutrição do conjunto da população; taxar também os derivados de petróleo, para reduzir a utilização do transporte individual e aumentar a do transporte coletivo.
A crise alimentar e energética poderá talvez ser contida por medidas como essas, mas sua resolução exigirá mudanças mais profundas.
Os padrões de consumo terão de ser acomodados à real disponibilidade de recursos naturais, e esta deverá ser alargada por mais investimentos no aumento da produção agrícola sustentável do ponto de vista social e ambiental.
As crises energética e da mudança climática terão de ser resolvidas pelo desenvolvimento de fontes renováveis de energia limpa, única maneira de acabar com as emissões de gases resultantes da queima de combustíveis fósseis.
A crise alimentar não pode deixar de limitar, em alguma medida, a produção de agrocombustíveis, de modo que o desenvolvimento de outras fontes de energia -solar, eólica, hidráulica- terá de receber prioridade.


PAUL SINGER, 76, economista, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP, é secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi secretário municipal do Planejamento de São Paulo (gestão Luiza Erundina).

 
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São Paulo, segunda-feira, 26 de maio de 2008

Fundos negociam até 8 vezes mesma safra

Investidores financeiros alavancam preços no mercado agrícola e elevam chances de riscos e ganhos para o produtor

No Brasil, o valor de negociação de produtos agrícolas subiu 64% no ano passado e 81% nos quatro primeiros meses deste ano

Natacha Pisarenko – 7.abr.08/Associated Press

Agricultor mostra soja colhida na safra de verão deste ano

MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO

Risco maior e irracionalidade. Esses são os novos "perigos" para as negociações no mercado agrícola internacional. Os riscos são trazidos, em boa parte, por novos fundos que, em busca de diversificação de mercados para atuar, descobriram os agrícolas no momento em que a demanda por eles explode com o apetite voraz por alimentos dos mercados emergentes gigantes, como China e Índia. Essa inflação agrícola (já batizada de "agflação") vem gerando distúrbios sociais em países consumidores e ganhos em produtores, como o Brasil.
O ritmo acelerado de negociações no mercado futuro chega a girar 22 safras anuais de soja. Só os fundos são responsáveis por 8 dessas safras. Em 2007, o mercado futuro agrícola da Chicago Board of Trade negociou 7,3 bilhões de toneladas de milho, 4,3 bilhões de soja e 2,7 bilhões de trigo. A produção física desses produtos, em 2007, foi de 780 milhões, 220 milhões e 606 milhões de toneladas, respectivamente.
Volumes maiores de negociações esquentaram os preços, que passaram a ter variações bruscas, chamadas pelo mercado de "volatilidade". Essas oscilações seguem entradas e saídas dos fundos e trazem riscos.
Esses riscos, no entanto, não desagradam aos participantes do setor. Para os produtores, podem significar preços maiores. Para os investidores, a chance de uma margem maior de lucro nas operações. Para as Bolsas, maior liquidez, o que tornam ainda mais atraentes as operações nessas instituições.
Esse mercado voraz exige cada vez mais profissionalismo. Do contrário, empresas e produtores podem ser liquidados quando estiverem do lado errado da tendência do mercado. Foi o que ocorreu com empresas do Meio-Oeste dos EUA e do Centro-Oeste brasileiro. No caso brasileiro, uma tradicional empresa de Goiás não conseguiu honrar os compromissos no mercado de Chicago.
Os produtores brasileiros não ficaram isentos a essa volatilidade. No ano passado, negociaram parte da safra com valores até inferiores a US$ 9 por saca. A soja superou os US$ 30.
Um dos grandes produtores de soja de Mato Grosso vendeu a soja por valores inferiores a US$ 10 por saca e, na hora da entrega, rompeu os contratos. O caso foi para a Justiça.

Operações na BM&F
Não é só no exterior que aumentaram as operações agrícolas. A BM&F, agora BM&F Bovespa S.A., pode negociar US$ 45 bilhões neste ano no mercado agropecuário. No ano passado, foram US$ 24,3 bilhões. Em 2006, US$ 12,5 bilhões.
"O mercado atual é dominado por imprevisibilidade e irracionalidade impressionantes", diz Fernando Muraro, da Agência Rural. Há cinco anos, oferta, demanda, chuva e seca direcionavam os preços do mercado futuro de grãos. Nos últimos anos, se perdeu essa formação básica e "a volatilidade [dos preços], que historicamente era de 20%, foi a 50%", afirma.
Victor Abou Nehmi Filho, gerente da Sparta, administradora de fundos de investimento, diz que os fundos não influenciam nos preços finais do produto, "mas dão volatilidade". Os fundos operam sob as mesmas regras técnicas e públicas a que todos têm acesso. A entrada ou saída desses fundos no mercado pode, no entanto, provocar alterações bruscas nos preços, admite ele.
Ivan Wedekin, diretor de Produtos do Agronegócio e Energia da BM&F, concorda. "Os fundos não geram os fundamentos do mercado -aumentam ou diminuem a febre [dos preços]", que vem da oferta e da demanda.
"Os fundos não criam mercados, mas apenas vão onde existe liquidez. Quem cria os mercados são os "hedgers" -cooperativas, traders, exportadores etc.", diz Wedekin.
Muraro insiste em que os preços atuais têm algo mais do que oferta e demanda. "O mercado viveu, em 2007, com os maiores estoques de soja da história. Mesmo assim, os preços explodiram." Isso mostra o lado irracional do mercado, diz.

Além de oferta e demanda
O diretor da Agrural diz, ainda, que oferta e demanda não explicam o fato de a saca de soja subir de US$ 17,60, em agosto de 2007, para US$ 35, em fevereiro, na Bolsa de Chicago. Em abril, já recuava para US$ 24.
"Essa "financeirização" do mercado veio para ficar e pode gerar novo boom para as commodities", diz Muraro. Um desses sinais é a retomada de pressão dos preços do petróleo que, na sexta-feira, atingiram US$ 132 por barril em Nova York.
Apesar da imprevisibilidade e da irracionalidade do mercado, Muraro diz que a volatilidade não é ruim. Quem estiver no mercado tem de ser profissional para não ser atropelado.
É difícil mensurar, mas os volumes negociados no mercado futuro agropecuário são impressionantes. A alta se deve, em parte, aos novos milhares de fundos que se especializam em nichos, diz Muraro.
Começaram com ações na Dow Jones, passaram pela Nasdaq, migraram para as commodities minerais, petróleo e chegaram aos agrícolas.
Essas bruscas elevações de preços forçam produtores e empresas que trabalham no mercado físico a buscar saídas. Diz um operador que bancos e tradings já montam operações paralelas às de Chicago, em que as duas partes -fornecedor e usuário de matérias-primas- seguem a Bolsa, mas sem o pagamento dos ajustes diários, como os do mercado futuro.

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26 mai
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Investidor quer proteção no mercado futuro

DA REDAÇÃO

O mercado futuro é onde são negociados preços de commodities -agrícolas, metálicas, de energia etc.- e ativos financeiros para determinadas datas futuras, fixando-se os preços para esses períodos. Com isso, os agentes envolvidos na operação podem minimizar os riscos de suas atividades.
No mercado futuro existe um mecanismo chamado "ajuste diário", que serve para que os agentes -comprador e vendedor- acertem a diferença entre os preços diários de negociação. Se o preço futuro cair, o comprador transfere ao vendedor a diferença em relação ao preço do dia anterior. Se o preço futuro subir, é o vendedor que transfere ao comprador a diferença. Essas operações são feitas pela própria Bolsa.
Outro mecanismo utilizado no mercado futuro é a margem de garantia, valor exigido de todos os clientes para cobrir o risco diário de suas posições, em razão da obrigatoriedade de pagamento de ajuste diário.
Os agentes participantes desse mercado são os "hedgers" (os que utilizam o mercado futuro em busca de minimização do risco de o preço variar contra seus interesses) e os investidores ou especuladores (os que buscam ganhar com as variações de preços, como os fundos).
Um produtor de milho pode fazer hedge de proteção. Verifica os custos de produção no plantio, os preços futuros na Bolsa na colheita e calcula a margem em relação aos seus custos. Diante dessa margem, vende contratos futuros de milho.
Se, no vencimento do contrato, a Bolsa registra valor maior, o produtor paga a diferença ao comprador. Esse desembolso, no entanto, será compensado com a venda do milho no mercado físico.
Se os preços na BM&F recuarem, ele receberá a diferença do comprador do contrato, o que compensará as perdas da venda do produto no mercado físico. (MZ)

Negócios do mercado futuro no Brasil avançam 81% neste ano

DA REDAÇÃO

O avanço dos fundos no mercado futuro de produtos agrícolas ocorre também no Brasil, um dos maiores produtores mundiais de alimentos.
As operações na Bolsa de Mercadorias & Futuros registram, nos quatro primeiros meses deste ano, crescimento de 81% no volume financeiro agropecuário em relação a igual período de 2007.
A expansão das negociações futuras neste mercado por aqui foi de 64% no ano passado, taxa bem acima dos 25% da média mundial. Apesar disso, os investimentos em aplicações agrícolas ainda representam apenas 0,6% do total das negociações da BM&F, abaixo dos 4% da média mundial.
Mas o crescimento das negociações agrícolas no Brasil não se reduz à participação dos fundos, que aparecem no mercado quando cresce a liquidez -ou seja, quando aumentam os participantes nessas negociações.
Segundo Ivan Wedekin, diretor de Produtos do Agronegócio e Energia da BM&F, o agronegócio deslancha no Brasil e o setor busca cada vez mais proteção para seus negócios, principalmente devido à volatilidade dos preços.
A Bolsa tem hoje uma participação maior de frigoríficos, cooperativas, indústrias etc.
O aumento dos participantes do mercado físico agrícola eleva o movimento na Bolsa e atrai também bancos e fundos. Esses novos participantes dão maior liquidez à Bolsa, permitindo aos investidores melhor entrada e saída do mercado.
Wedekin diz que os fundos sempre operaram nos contratos agrícolas. "Eles [os fundos] não comem milho nem soja nem usam álcool no carro; apenas potencializam os efeitos que vêm do mercado real." Quem cria os mercados são os "hedgers" naturais (cooperativas, produtores, traders, exportadores)."
No ano passado, a Bolsa negociou o correspondente a 3,4 safras de café e a 2 vezes as exportações brasileiras de carnes. Milho e soja, que antes tinham pouco movimento, têm agora negócios que representam 10% da produção nacional.
Diante do potencial do agronegócio brasileiro, os estrangeiros já representam 17% dos negócios das operações na BM&F e em alguns produtos eles têm a participação de 30% das posições em aberto.

Queda dos juros
A participação dos fundos de investimento nas negociações do mercado futuro de agrícolas pelo mundo vem crescendo desde o início da década, quando o governo norte-americano reduziu a taxa de juros.
As aplicações de renda fixa ficaram menos atraentes e essas instituições foram buscar riscos em outros investimentos.
Além da redução dos juros nos Estados Unidos, os fundos perceberam que a China sinalizava com demanda forte, o que os levou para as commodities -principalmente ouro, petróleo e minérios, afirma Victor Abou Nehmi Filho, gerente da Sparta, administradora de fundos de investimento.
Mais recentemente, os desajustes entre oferta e demanda de alimentos -evidenciados ainda mais pela elevação de renda nos países emergentes- abriram novo mercado para esses fundos, que passaram a atuar de forma mais agressiva nos agrícolas, principalmente grãos negociados em Chicago.
Os números do milho mostram os sinais desses fundos nas negociações em Chicago. No início da década, eram negociadas 3,5 safras por ano. Em abril, esse volume era de 1,5 safra, atingindo 10 safras nos últimos 12 meses.
(MZ)

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26/05/2008 – 03h14

Especulação pressiona os preços dos alimentos

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da Folha Online

A alta de preços provocada pela especulação no mercado agrícola internacional já se traduz em distúrbios sociais nos países consumidores e ganhos nos produtores, como o Brasil, relata Mauro Zafalon em reportagem publicada na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Em busca de diversificação de mercados, novos fundos passaram a investir fortemente nos produtos agrícolas no instante em que a demanda por eles explode em emergentes como China e Índia.

A negociação no mercado futuro chega a movimentar o equivalente a 22 vezes o volume das safras anuais de soja. Os preços estão sujeitos a variações bruscas, mas o risco não desagrada a produtores e investidores, que apostam em ganho maior.

Os negócios com produtos agrícolas na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) cresceram 64% em 2007 e 81% no primeiro quadrimestre deste ano.

Leia a matéria completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.

Assine a Folha

 
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19/05/2008
A batalha contra a fome em Camarões

Philippe Bernard
Enviado especial a Iaundê

A batalha contra a fome é travada primeiramente contra o tempo. Todos os dias, como milhões de mulheres africanas, Léontine Mbamba, 52 anos, mãe sozinha de quatro filhos, a conduz sem ruído, mas na linha de frente. Sentada em sua cama no estreito cômodo de paredes nuas que serve ao mesmo tempo de quarto, sala e cozinha, ela tenta explicar como alimenta os seus enquanto os preços disparam, enquanto o essencial dos 400 mil francos camaroneses (600 euros) de seu salário mensal de professora vai para os gêneros de primeira necessidade.

Sua palavra de ordem é simples: "fazer o tempo durar", ou seja, tocar com a menor freqüência possível no saco de arroz, cujo preço aumentou cerca de 50% em poucos meses, beirando os 300 francos o quilo (0,45 euros), fazer de modo que o meio litro de óleo de palma "dure duas semanas" e que os seis sabões de Marselha durem um mês, incluindo banhos e louça. CONTINUA………………

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17/05/2008
Crise dos alimentos encontra o caos no Chifre da África

Jeffrey Gettleman
Em Dagaari, Somália

A crise global de alimentos chegou à cabana de Safia Ali.

Ela não mais consegue comprar arroz, trigo ou leite em pó. Uma seca dizimou o rebanho de cabras de sua família, transformando o único meio de vida da família em uma pilha de ossos secos e pele que lembra papel.

Safia, 25 anos e mãe de cinco, não come há uma semana. Seu filho de um ano -um menino adorável mas apático que não responde nem a um beliscão- também está passando fome.

A Somália -e grande parte do volátil Chifre da África- era o último lugar na Terra que precisava de uma crise de alimentos. Mesmo antes dos preços dos commodities começarem a subir por todo o mundo, guerra civil, deslocamento e operações de ajuda ameaçadas já deixavam muitas pessoas daqui à beira da fome. continua……………………………

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Capitalism, Agribusiness and the Food Sovereignty Alternative

by Ian Angus
Global Research, May 11, 2008
 

"Nowhere in the world, in no act of genocide, in no war, are so many people killed per minute, per hour and per day as those who are killed by hunger and poverty on our planet." —Fidel Castro, 1998

When food riots broke out in Haiti last month, the first country to respond was Venezuela. Within days, planes were on their way from Caracas, carrying 364 tons of badly needed food.

The people of Haiti are "suffering from the attacks of the empire’s global capitalism," Venezuelan president Hugo Chàvez said. "This calls for genuine and profound solidarity from all of us. It is the least we can do for Haiti." CONTINUA…………………….

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Cargill: Key Player in Global Food Crisis
New Food & Water Watch Report Reveals the Damaging Impacts of Agribusiness Giant
WASHINGTON, DC – May 12 – While millions of people around the world face severe hunger, the handful of agribusiness corporations that dominate the global agricultural market are seeing huge profits. One of the key players in the global food market, Cargill, is profiled in a new report released today by the national consumer group Food & Water Watch. The report, entitled Cargill: A Corporate Threat to Food and Farming, details Cargill’s vast influence over international trade and how the company threatens consumers, family farmers, workers, the environment, and even entire economies around the world. CONTINUA…………..
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The Food Crisis and Latin America
A real crisis or a conspiracy?

by Eduardo Dimas

Global Research, May 15, 2008
Progreso.com

‘Control the oil and you’ll control the nations; control the food and you’ll control the people.’ — Henry Kissinger (1970)

I’ve known that phrase from Kissinger for a good many years. I confess that until now I had not given it much importance. It is an absolute truth, almost an axiom, that could become a terrible reality.


The alimentary crisis is real. The price of foodstuffs climbs and climbs. The reserves drop. The same happens with oil, which places many nations and peoples who do not produce food or oil in a desperate situation. Is this the result of a set of random events that coincide in time, or is it the effect of a plan for world domination?

If we guide ourselves by Kissinger’s words, it seems to be the latter rather than the former. And that leads us to ask ourselves other questions. Was the idea of increasing the production of ethanol (launched by George W. Bush in March 2007) by utilizing the basic grains for the feeding of humans and animals also a coincidence?
CONTINUA……….

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SUBSÍDIOS
Deputados dos EUA aprovam Lei Agrícola

DA REDAÇÃO

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou ontem com ampla maioria a nova Lei Agrícola do país ("farm bill"), apesar da pressão do presidente George W. Bush, que já disse que irá vetar o projeto.
A proposta foi aprovada por 318 votos a 106, o que garante facilmente aos deputados os mais de dois terços necessários para tornar nulo o veto do presidente, caso ele cumpra com a sua promessa. Para Bush, o projeto, de US$ 289 bilhões, é caro e subsidia produtores que não necessitam da ajuda.
A lei, que prevê, entre outras medidas, a redução de US$ 0,06 no subsídio ao álcool de milho, para US$ 0,45 o galão (3,79 litros), deve ser votada hoje pelo Senado, onde se espera que não deva ter dificuldades para ser aprovada. Como cada Estado tem direito a dois senadores, as regiões agrícolas -favoráveis ao projeto- têm maior presença que na Câmara dos Representantes.
Bush vetou nove projetos desde que assumiu a Presidência dos Estados Unidos, em 2001 -o Congresso só revogou um deles, no ano passado.

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12/05/2008 – 09h06

FAO prevê produção recorde de arroz em 2008 e preços altos

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da France Presse, em Roma
da Folha Online

A FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) previu nesta segunda-feira que a produção mundial de arroz alcançará um nível recorde em 2008 e que os preços permanecerão elevados a curto prazo.

"A produção mundial para 2008 pode crescer 2,3%, atingindo o novo recorde de 666 milhões de toneladas, segundo nossas previsões preliminares", disse a especialista em arroz da FAO, Concepción Calpe.

Na semana passada, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou que a crise mundial dos alimentos permanecerá até 2015, com altas nos preços dos alimentos, em especial os grãos. "Os níveis dos preços em 2015 serão mais altos do que em 2004, devido ao crescimento da demanda dos países em desenvolvimento", declarou Zoellick.

Ele descartou que os preços dos alimentos possam recuperar os níveis de 2004. Em entrevista coletiva realizada na capital mexicana, o presidente do banco afirmou que se espera "que haja uma resposta por parte da oferta para que os preços reduzam um pouco entre 2009 e 2010; mas que em termos gerais a previsão é de que eles continuarão elevados até 2015".

Zoellick considerou urgente que todos os países modifiquem suas políticas de produção alimentícia a fim de garantir a provisão dos grãos básicos às populações. Para ele, uma saída é que "haja uma resposta da oferta para baixar os preços".

"Esperamos um aumento da oferta de alimentos que permita frear os preços entre 2009 e 2010", disse, após assinar um empréstimo de US$ 205 milhões para apoiar o programa sobre a mudança climática.

A FAO destacou ainda que a passagem do ciclone Nargis por Mianmar reduzirá fortemente a produção neste país.

Mianmar precisará da ajuda dos países vizinhos, em particular Tailândia e Vietnã, para importar arroz.

Leia mais

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 14/05/2008 – 14h04

Preços dos alimentos devem permanecer altos por até três anos, diz Casa Branca

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da Folha Online

A Casa Branca considera que os altos preços dos alimentos ao redor do mundo devem persistir por mais dois ou três anos, até que os estoques mundiais consigam ser reabastecidos, e negou que a produção de biocombustíveis, como o álcool a partir do milho, tenha papel significativo sobre os preços.

"Os estoques foram consumidos e vai levar um tempo para reabastece-los, por isso os preços continuarão altos", disse o chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca, Edward Lazear. "Nossa estimativa é de que os preços [dos alimentos] continuarão altos, sem disparar à mesma taxa de elevação vista no último ano."

A produção de biocombustíveis (vista como um dos principais fatores a influenciar a alta dos preços dos alimentos) não tem papel relevante no atual nível dos preços, disse o diretor do Conselho Econômico Nacional (órgão também ligado à Casa Branca), Keith Hennessey. Os que argumentam que o aumento, determinado pelo presidente [no programa de combustíveis renováveis] está contribuindo para a alta nos preços dos alimentos estão incorretos", afirmou.

Segundo Lazear, a inflação dos preços dos alimentos no mercado mundial foi de 43% nos 12 meses encerrados em março. Ele disse que, como o milho representa uma parte muito pequena do índice do FMI (Fundo Monetário Internacional) para os preços dos alimentos), a participação da produção de álcool a partir do milho contribuiu com apenas 1,2% na alta geral nos preços dos alimentos.

Lazear destacou ainda que as despesas dos americanos com alimentos foi de menos de 14% de seus gastos totais no período, enquanto na África essa proporção chegou a 43% –e entre as populações mais pobres da região da África subsaariana a proporção pode chegar a 70%.

O conselheiro da Casa Branca informou que os preços do trigo subiram 123% no período, enquanto os da soja subiram 66%; os do milho, 37%; e os do arroz, 36%. O consumo nos países emergentes cresceu 45% entre 2001 e 2007, na comparação com o período de 1991 a 2000, lembrou Lazear, e esse aumento respondeu por cerca de 18% da alta total.

Outro fator que contribuiu para a alta dos alimentos foi a ocorrência de condições climáticas adversas, que destruíram safras.

Com informações da Reuters

Leia mais

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Cadê o agronegócio? Cadê os alimentos?
Escrito por Bernardo Mançano Fernandes   

30-Abr-2008

A crise atual da inflação dos preços de alimentos na maior parte do mundo derruba dois mitos. 1) O agronegócio é o grande produtor de alimentos; 2) A fome e a desnutrição são causadas pelo fato de a população não ter dinheiro para comprar alimentos, não pela falta de alimentos, que estariam sobrando. CONTINUA…….

 
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Escrito por Valéria Nader   

30-Abr-2008
Crise alimentar é o resultado do livre mercado e do abandono da política agrária

Em face de mais uma crise mundial que parece explosiva, com a fome e a inflação de alimentos se tornando noticiário nos vários cantos do planeta, conversamos com o professor do departamento de Geografia da USP Ariovaldo Umbelino.

Para Umbelino, a atual situação não deixa a menor margem para diagnósticos ilusionistas: a crise alimentar resultou da total incapacidade do mercado para conduzir à segurança e à soberania alimentar. No Brasil, a ausência de reforma agrária foi também determinante, e a situação é tendencialmente explosiva em função da escalada dos biocombustíveis.

Confira abaixo entrevista exclusiva.

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Agricultura e especulação – Escrito por D. Demétrio Valentini

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Agricultura e especulação
 
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Las explicaciones falsas de la crisis alimentaria en la prensa

Eric De Ruest

Miércoles 7 de mayo de 2008, por Revista Pueblos

Desde hace días se suceden las manifestaciones populares en varios países del Sur. Los motivos del descontento son semejantes en todos los casos:
los precios de los alimentos básicos han experimentado una fuerte y rápida subida, y las poblaciones, ya empobrecidas por la globalización, son incapaces de asumir esta carga añadida. ¡Los pueblos tienen hambre! Las causas del estallido son múltiples, pero globalmente obedecen a dos incentivos económicos. Por un lado, una especulación de repliegue sobre los géneros alimentarios tras la crisis de las hipotecas de riesgo, y por otra la producción de agrocarburantes y el calentamiento climático. Sin embargo, hay periodistas que responsabilizan en sus artículos a las autoridades africanas de las catastróficas políticas alimentarias, como si no supieran que las políticas agrícolas del Sur están sometidas a las directrices del Banco Mundial, el Fondo Monetario Internacional (FMI) y los Acuerdos de Asociación Económica (AAE).
CONTIUA…………………….
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Multinationals make billions in profit out of growing global food crisis
Speculators blamed for driving up price of basic foods as 100 million face severe hunger

by Geoffrey Lean

Global Research, May 8, 2008
Independent.co.uk – 2008-05-04

Giant agribusinesses are enjoying soaring earnings and profits out of the world food crisis which is driving millions of people towards starvation, The Independent on Sunday can reveal. And speculation is helping to drive the prices of basic foodstuffs out of the reach of the hungry.

The prices of wheat, corn and rice have soared over the past year driving the world’s poor – who already spend about 80 per cent of their income on food – into

hunger and destitution.

The World Bank says that 100 million more people are facing severe hunger. Yet some of the world’s richest food companies are making record profits. Monsanto last month reported that its net income for the three months up to the end of February this year had more than doubled over the same period in 2007, from $543m (£275m) to $1.12bn. Its profits increased from $1.44bn to $2.22bn.

Cargill’s net earnings soared by 86 per cent from $553m to $1.030bn over the same three months. And Archer Daniels Midland, one of the world’s largest agricultural processors of soy, corn and wheat, increased its net earnings by 42 per cent in the first three months of this year from $363m to $517m. The operating profit of its grains merchandising and handling operations jumped 16-fold from $21m to $341m.

Similarly, the Mosaic Company, one of the world’s largest fertiliser companies, saw its income for the three months ending 29 February rise more than 12-fold, from $42.2m to $520.8m, on the back of a shortage of fertiliser. The prices of some kinds of fertiliser have more than tripled over the past year as demand has outstripped supply. As a result, plans to increase harvests in developing countries have been hit hard.

The Food and Agriculture Organisation reports that 37 developing countries are in urgent need of food. And food riots are breaking out across the globe from Bangladesh to Burkina Faso, from China to Cameroon, and from Uzbekistan to the United Arab Emirates.

Benedict Southworth, director of the World Development Movement, called the escalating earnings and profits "immoral" late last week. He said that the benefits of the food price increases were being kept by the big companies, and were not finding their way down to farmers in the developing world.

The soaring prices of food and fertilisers mainly come from increased demand. This has partly been caused by the boom in biofuels, which require vast amounts of grain, but even more by increasing appetites for meat, especially in India and China; producing 1lb of beef in a feedlot, for example, takes 7lbs of grain.

World food stocks at record lows, export bans and a drought in Australia have contributed to the crisis, but experts are also fingering food speculation. Professor Bob Watson – chief scientist at the Department for Environment, Food and Rural Affairs, who led the giant International Assessment of Agricultural Science and Technology for Development – last week identified it as a factor.

Index-fund investment in grain and meat has increased almost fivefold to over $47bn in the past year, concludes AgResource Co, a Chicago-based research firm. And the official US Commodity Futures Trading Commission held special hearings in Washington two weeks ago to examine how much speculators were helping to push up food prices.

Cargill says that its results "reflect the cumulative effect of having invested more than $18bn in fixed and working capital over the past seven years to expand our physical facilities, service capabilities, and knowledge around the world".

The revelations are bound to increase outrage over multinational companies following last week’s disclosure that Shell and BP between them recorded profits of £14bn in the first three months of the year – or £3m an hour – on the back of rising oil prices. Shell promptly attracted even greater condemnation by announcing that it was pulling out of plans to build the world’s biggest wind farm off the Kent coast.

World leaders are to meet next month at a special summit on the food crisis, and it will be high on the agenda of the G8 summit of the world’s richest countries in Hokkaido, Japan, in July.

Additional research by Vandna Synghal

 Global Research Articles by Geoffrey Lean
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CRISIS ALIMENTARIA

Entre llenar el plato o el tanque de combustible

Por Gustavo Torres. 08mai08

La seguridad alimentaria de los sectores populares se ha convertido, en poco tiempo, en un verdadero problema. La crisis de las hipotecas de riesgo, la producción de agrocombustibles, el cambio climático, la especulación de los grupos económicos y el consumo creciente de gigantes como China o India son algunos de los factores que rodean este tema clave del siglo XXI.
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Famine, farm prices and aid

Food for thought

Mar 27th 2008 | NEW YORK – From The Economist print edition

Soaring prices for products like rice (see article) and wheat are causing headaches for aid agencies and politicians

FOR years, anti-poverty campaigners railed against low commodity prices, which depressed farmers’ incomes in developing countries. In recent months, the world price of virtually all staples has shot up, but the activists are still not cheering. They worry that this boom (intensified by “green” subsidies for biofuel crops) may worsen poverty even more than low agricultural prices did.

High food prices do help poor farmers, but they also hurt the more numerous category of people (poor city-dwellers as well as landless rural folk) who must buy food to survive. That “unintended consequence”—in the words of Gawain Kripke of Oxfam International, a British charity—has caused serious problems for the organisations that bring food aid to the poorest. The World Food Programme (WFP), a UN agency, has just issued an urgent appeal for $500m, to cover higher food costs. America’s Agency for International Development (USAID), a huge financer of food aid, is asking for $350m.

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Food prices and protest – Taking the strain – May 8th 2008 | BANGKOK, CAIRO, ROME – From The Economist print edition

Political fallout has been limited—so far

WHEN Haiti’s prime minister resigned last month after a week of food riots, it seemed to confirm a warning that Bob Zoellick, the president of the World Bank, had given ten days before. He said 100m people were being pushed into hunger and malnutrition—and 30-odd countries faced social upheaval unless food policy improved and the rich world got its act together to help. A month on, policy has not improved, and the rich world’s response has mostly been muddled—yet surprisingly, poor countries have been able to contain the unrest, albeit at heavy cost.
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How the developing countries can help in ensuring food security

Published: May 8 2008 03:00 | Last updated: May 8 2008 03:00. From Mr Corrado Pirzio-Biroli. Sir, Martin Wolf is right to argue that “The food crisis is a chance to reform agriculture” (April 30), but his arguments are questionable, and so are those of EU trade commissioner Peter Mandelson’s supporting letter (May 1). By contrast, Michel Barnier, the French minister for agriculture (Letters, May 2) has hit the nail on the head by calling for agricultural policies ensuring food security (which does not mean national self-sufficiency).

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Global Famine

by Michel Chossudovsky
Global Research, May 2, 2008

Humanity is undergoing in the post-Cold War era an economic and social crisis of unprecedented scale leading to the rapid impoverishment of large sectors of the World population. National economies are collapsing, unemployment is rampant. Local level famines have erupted in Sub-Saharan Africa, South Asia and parts of Latin America. This "globalization of poverty" –which has largely reversed the achievements of post-war decolonization– was initiated in the Third World coinciding with the debt crisis of the early 1980s and the imposition of the IMF’s deadly economic reforms.

The New World Order feeds on human poverty and the destruction of the natural environment. It generates social apartheid, encourages racism and ethnic strife, undermines the rights of women and often precipitates countries into destructive confrontations between nationalities. Since the 1990s, it has extended its grip to all major regions of the World including North America, Western Europe, the countries of the former Soviet block and the "Newly Industrialized Countries" (NICs) of South East Asia and the Far East.

This Worldwide crisis is more devastating than the Great Depression of the 1930s. It has far-reaching geo-political implications; economic dislocation has also been accompanied by the outbreak of regional wars, the fracturing of national societies and in some cases the destruction of entire countries. By far this is the most serious economic crisis in modern history. (Michel Chossudovsky, The Globalization of Poverty, First Edition, 1997)

Introduction

Famine is the result of a process of "free market" restructuring of the global economy which has its roots in the debt crisis of the early 1980s.  It is not a recent phenomenon as suggested by several Western media reports. The latter narrowly focus on short-term supply and demand for agricultural staples, while obfuscating the broader structural causes of global famine.

Poverty and chronic undernourishment is a pre-existing condition. The recent hikes in food prices have contributed to exacerbating and aggravating the food crisis. The price hikes are hitting an impoverished population, which has barely the means to survive. 

Food riots have erupted  almost simultaneously in all major regions of the World:

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What the World Eats, Part I
Hungry Planet: What the World Eats, Part II
Hungry Planet: What the World Eats, Part III
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Society – Observations on aid

Will the food run out?

Tom Marchbanks

Published 17 January 2008

The weekly shop and the morning loaf of bread are becoming more expensive, but while most of us may barely have noticed, rising food prices are hitting the world’s developing nations hard.

Global reserves of cereals are at an all-time low, mounting food costs have sparked riots in Mexico and there are hunger warnings across sub-Saharan Africa. A seldom-mentioned casualty of the price surge, though, has been the aid agencies, which are struggling to buy in food aid. With prices predicted to remain high, they are increasingly seeking new ways to feed the world’s hungry.

The boom in global food prices, in part driven by demand for biofuels, is stretching resources at the UN’s World Food Programme (WFP). Over the past five years, the agency’s food procurement bill has rocketed by 50 per cent, according to Robin Lodge, spokesman for the organisation.

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http://www.alertnet.org/db/an_art/20316/2008/03/16-150519-1.htm

What can we do to end the food crisis?
16 Apr 2008 15:05:00 GMT
Written by: Megan Rowling

It’s getting harder and harder for the world’s poor to feed their families as global food prices shoot up, sparking riots from Egypt to Haiti.

There’s enough food to go round, the experts say. So what’s the problem and what do we do about it?

"Over the last 50 years, food production has gone up faster than the population, and the price of food measured in real terms has actually gone down," Robert Watson, director of the International Assessment of Agricultural Science and Technology for Development (IAASTD), said as he launched a major report this week. "But we still have more than 800 million people going to bed hungry every night."

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http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1717572,00.html

The World’s Growing Food-Price Crisis

Rocketing food prices — some of which have more than doubled in two years — have sparked riots in numerous countries recently. Millions are reeling from sticker shock and governments are scrambling to staunch a fast-moving crisis before it spins out of control. From Mexico to Pakistan, protests have turned violent. Rioters tore through three cities in the West African nation of Burkina Faso last month, burning government buildings and looting stores. Days later in Cameroon, a taxi drivers’ strike over fuel prices mutated into a massive protest about food prices, leaving around 20 people dead. Similar protests exploded in Senegal and Mauritania late last year. And Indian protesters burned hundreds of food-ration stores in West Bengal last October, accusing the owners of selling government-subsidized food on the lucrative black market. "This is a serious security issue," says Joachim von Braun, director-general of the International Food Policy Research Institute (IFPRI), in Washington. In recent weeks, he notes, he has been bombarded by calls from officials around the world, all asking one question: How long will the crisis last?

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http://www.slate.com/id/2187882/

Why Are Global Food Prices Soaring?Energy costs, investment in ethanol, bad weather in Australia …

By Juliet Lapidos
Posted Tuesday, April 1, 2008, at 6:31 PM ET

The U.N. World Food Program’s executive director told the Los Angeles Times that "a perfect storm" is hitting the world’s hungry, as demand for aid surges while food prices skyrocket. Cost increases are affecting most countries around the globe, with prices for dairy products up 80 percent, cooking oils up 50 percent, and grains up 42 percent from 2006 to 2007. (For more specifics on how prices have changed since 2000, the U.N. Food and Agriculture Organization has a handy chart.) Why are groceries getting so expensive all at once?

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